
PRLOGO:
	Na ltima fic (Harry Potter e o Signo Sinistro), Harry casou-se (duas
vezes por sinal) com Willy (se voc no sabe quem ela  est
muito atrasado, role os dados e volte seis fics, at Harry Potter e o
fogo sagrado). Entre um casamento e outro, ele passou por alguns maus
bocados, e descobriu que tem um novo inimigo: o Camaleo (quem ser
esse sujeito, hein, gente?)
	A vida dele agora  mais misteriosa que na poca de Hogwarts, o
chefe dele  ligeiramente maluco e nunca aparece usando a mesma
cara... Mr. Sandman. Incrvel foi descobrir que ele  a identidade
secreta de algum que Harry j conhecia antes (nova pergunta: Quem
 Mr. Sandman????).
	Bem, foi chato descobrir que o Camaleo havia transformado Bianca
Fall em sua seguidora, tudo porque a moa queria proteger seu pai de
ser acusado de um crime... Pobre Bianca, acabou condenada  priso
em Azkaban.
	Vamos fazer uma coisa? Vamos deixar Harry um pouco de lado para tentar
saber como foi a chegada de Bianca a Azkaban. Lembrem-se que no fundo
ela no  m, apenas angustiada.
	E se voc tem algum palpite sobre quem  Mr. Sandman e o
Camaleo, me mande uma coruja... Fred e Jorge apostaram comigo que
vocs descobrem... eu duvido um pouco. De qualquer forma, se quiser
tentar, escreva para b.boop@uol.com.br


HARRY POTTER E O DESPERTAR DO SOMBRIO
FANFIC POR ALINE CARNEIRO

CAPTULO 1- FLORES NEGRAS

	Respirar e ouvir... era tudo que Luccas Lux precisava para saber sobre
o mundo fora de Azkaban. Se ele se concentrasse, no topo do rochedo mais
alto de Azkaban, onde gostava de ir quando a tarde caa ou no meio da
madrugada, ele podia sentir e ouvir coisas que para uma pessoa comum
eram simplesmente inconcebveis.
	Quase seis anos dirigindo Azkaban haviam tornado a velha priso um
lugar melhor que com os dementadores, mas ainda assim quase impossvel
de se escapar, talvez agora at mais difcil que na poca dos
dementadores.
	Aonde Luc pisava era impossvel se fazer magia negra, e tambm era
impossvel lhe esconder qualquer coisa,  ele percebia o mnimo som
diferente, sabia quando caa um talher no cho durante as
refeies dos presos, podia ouvir tudo em mnimos detalhes, e
conhecia cada preso pelo seu cheiro. Ele tinha seus momentos de lazer,
quando montava em Fdias e voava para alm da ilha, retornando
algumas horas depois, nunca dizia onde ia, nem ningum perguntava.
	Ele trouxera para a ilha criaturas mgicas de suas relaes, que
cuidavam do dia a dia dos presos, elfos guardies, que eram a
extenso de sua percepo, seus olhos e suas mos, que
alimentavam os presos. Ainda haviam alguns artefatos que impediam
fisicamente que os presos sassem dali, ou tocassem em armas ou
objetos mgicos, sob pena de morte instantnea e terrvel, ou no
mnimo de dor forte e insuportvel. Ele no gostava disso, mas
sabia a natureza de alguns que ali estavam, era realmente necessrio
cercar-se de todo cuidado possvel.
	Ele nunca dormia, embora tivesse um quarto onde havia um div, uma
mesa e uma poltrona, mas preferia passar as noites no rochedo, escutando
e sentindo o mundo que havia alm dos mares, o mundo que abandonara
por no acreditar pertencer.
	Havia algo que ningum sabia sobre Luccas Lux: quando ele desafiara
as leis de seu mundo e resolvera vir para o mundo dos homens para
enfrentar seu maior inimigo, recebera um vaticnio: quando amasse uma
mulher mortal, ele daria a ela parte de sua essncia e juntos,
comeariam uma nova raa neste mundo. J haviam se passado mais de
trs mil anos, e ele nunca amara ningum.
	Quando despertara do sono que se impusera, para aguardar em paz o
momento de enfrentar os errantes, ele sentira-se preparado para procurar
a mulher escolhida... mas nem mesmo a nica que realmente lhe
interessara marcara definitivamente sua memria: o cheiro do mar e das
geleiras ao norte de Azkaban haviam feito com que perdesse da memria
a impresso do cheiro de sndalo de Hermione Granger, que alm do
mais, no nascera para amar um guerreiro da luz.
	Estar em Azkaban era de certa forma, continuar morto para o mundo. Os
momentos em que voava em Fdias, sentindo o ar marinho, nas noites e
madrugadas em que furava as nuvens e sentia-se finalmente livre era que
o mantinham alegre e bem humorado diante dos presos. Eles nem
desconfiavam que ele abandonava a priso, e apreciava a liberdade nas
asas do seu drago, s vezes mergulhando com ele no mar e sentindo
 sua volta o movimento dos peixes que assustados nadavam para longe
da luz que ele e o drago espalhavam no mar. Voltava para seu quarto
com um sorriso selvagem e satisfeito nos lbios, sentindo a gua do
mar escorrer de seu corpo, sentindo-se vivo e feliz por existir.
	Naquela noite, uma melancolia inexplicvel o fizera subir at seu
rochedo, enquanto esperava a mais nova condenada... ele no gostava de
descer s celas, s o fazia se era extremamente necessrio. Aquela
manh ele precisara descer para constatar a morte de um prisioneiro.
As celas de Azkaban ainda tinham a marca maligna dos dementadores. Era
possvel sentir os sculos de medo grudados nas paredes, anos e anos
do suor de homens atormentados e das lgrimas de desesperados que
haviam estado ali, o cheiro do desespero ainda estava por toda parte e
talvez demorasse sculos para sair.
	O prisioneiro McNair morrera, vtima da picada de uma aranha. Haviam
aranhas de todos os tamanhos em Azkaban, Luc reclamava muito com os
elfos, que tentavam mas no conseguiam acabar com elas... ele avisava
aos presos quando chegavam sobre as aranhas e pedia-lhes que tomassem
cuidado com suas vestes e pertences... McNair esquecera de olhar dentro
da bota antes de cal-la aps um banho. Ele ouvira de seu quarto
o instante em que as presas da aranha cravaram-se nos dedos do bruxo e
correu para tentar salv-lo, mas era muito tarde.
	- Mandem o corpo para a famlia - ele disse aos elfos, antes de
isolar-se no seu rochedo para lamentar a falta de cuidado. Abominava a
morte dos homens, procurava cuidar daqueles que estavam sob sua
proteo e o fato de um deles morrer o chateava.
	Muito antes de escutar o barulho do barco que trazia a prisioneira, ele
sentiu, ou julgou sentir, um perfume trazido pelo vento que o
impressionou profundamente. O perfume foi ficando mais forte  medida
que o barco se aproximava, era o perfume das flores negras, as flores
que s cresciam em seu mundo e que podiam adormecer para sempre
aqueles que se embriagavam com seu cheiro por tempo demais... soube
naquele momento que era melhor manter distncia desta prisioneira.

	Bianca Fall olhava a paisagem pela pequena janela do barco com olhos
vazios, triste. Ela pensava em toda sua preciosa vida que ficava para
trs, seu trabalho amado fazendo brinquedos, sua famlia, seus
amigos. Quando sasse dali, se sasse, ela estaria morta para o
mundo, acabada. No se arrependia de ter aderido ao Camaleo para
salvar seu pai, mas se arrependia de ter magoado Harry ao deixar claro
que desejava o mal da mulher que ele amava.
	Harry fora o primeiro e nico homem que amara, desde o primeiro
momento em que o vira. Se arrependia amargamente por ter brincado com
ele, numa poca em que era s vaidade e gostava de dispensar os
rapazes, que depois ficavam gravitando em torno dela e disputando sua
ateno... ela dispensara Harry e sem saber, o perdera para sempre.
Ela nunca imaginaria que ele pudesse se apaixonar por outra, tentou
compreender porque afinal de contas ele a trocara por aquela menina
to desprovida dos seus atrativos, que ela achara mau educada e feia.
Invejara Willy durante anos por lhe ter roubado Harry.
	Mesmo quando ele a pediu em noivado, ela sabia que ele estava apenas
fugindo do que sentia... por cinco anos ela se contentou em estar com
ele sem t-lo, at o dia em que isso no valeu mais a pena e ela o
deixou pela segunda vez, e foi mais doloroso perceber que ele no
sentira nada, nada, nada... era a dona de uma vida para sempre perdida.
Agora, era levada quela que ela achava que seria sua morada final,
tinha um pressentimento que no sairia viva de Azkaban, que morreria
ali, e seria melhor assim.
	Foi nesse momento que o viu.
	No havia lua, apenas estrelas no cu escuro, o mar  sua frente
era negro e a nica forma de distinguir cu de mar era ver onde as
estrelas sumiam no horizonte. Azkaban era invisvel para os olhos dos
trouxas, nenhum radar ou carta martima a acusava, mas assim como era
invisvel, tambm era intocvel, e nunca nenhum barco trouxa havia
sequer passado perto dali. Porm aos olhos bruxos, ela aparecia como
um grande rochedo no horizonte, um rochedo aparentemente desabitado,
s quando se chegava mais perto era possvel divisar que cravada 
pedra, totalmente integrada ao rochedo, havia uma construo
irregular que lhe tomava toda a volta, aproveitando-lhe a forma
	No alto deste rochedo ela julgou ver a princpio uma luz fraca e
tnue.  medida que se aproximava, a luz atraa mais e mais sua
ateno, ela via que a luz tinha uma forma... era forma de um homem,
ela julgou ser uma esttua muito branca, se houvesse luar, ela acharia
que estava iluminado pela lua... ento  a esttua se mexeu e como se
tomasse vida, desapareceu, saltando pelo lado que ela no podia ver.
Ela sentiu-se intrigada com aquela apario estranha. O barco agora
estava bem prximo  ilha, e ela viu que este a contornava, na
direo de um pequeno cais. O auror que a levava, um homem enorme e
que no sorrira ou proferira uma nica palavra durante a viagem
disse-lhe:
	- Levante-se, vamos desembarcar.
	Ela levantou-se em silncio, de cabea baixa, saiu do barco, que
adernava ligeiramente e a primeira coisa que viu foi um grande volume,
embrulhado em tecido negro: parecia um corpo humano. Ouviu a voz do
homem atrs dela perguntar alguma coisa a algum e ainda absorta,
ouviu outra voz dizer que o homem morrera de picada de aranha. Uma luz
 sua direita atraiu a sua ateno e ela pela primeira vez viu o
guerreiro da luz.
	Ele era impressionante. Era alto e forte, ombros largos, branco e meio
luminoso, falava com o homem ao seu lado com os olhos fixos  frente,
para alm do barco... ela ento lembrou-se da histria do
guerreiro cego que libertara Hogwarts, e no conseguia tirar seus
olhos dele. Ele estava usando uma veste totalmente branca e uma capa com
um capuz que o vento derrubara, tinha um cabelo preto que anelava-se
sobre sua cabea, num desalinho casual, como se raramente fosse
penteado, ela o via de perfil, um perfil marcado e interessante.
Subitamente, ele virou seu rosto para ela e ela se assustou. Ele no a
olhava, mas parecia ver alm dela. Parecia poder ver dentro dela.
- Bianca Fall? - ele perguntou, srio
- Sim.
- Eu preciso explicar-lhe algumas coisas, antes que voc entre em
Azkaban. - s ento que ela reparou que o barco se fora, levando o
Auror e o corpo, e ela estava parada sozinha no cais diante do
guerreiro.
- Sim? - ela repetiu para que ele continuasse, ainda mais srio:
- Estenda os pulsos. - ele estendeu-os e viu que no haviam mais as
algemas com que chegara... ela no sabia como elas haviam sumido. Ele
tocou com a ponta dos dedos seus pulsos e ela viu surgirem grilhes
finos e frios de metal prateado - com estes grilhes voc no pode
tocar nenhum objeto mgico, sob pena de morte instantnea, portanto,
nem pense em tentar contrabandear nenhuma varinha para dentro da
priso. Se agredir outro preso ou elfo guardio, sentir uma dor
insuportvel at que pea desculpas. Se tentar roubar qualquer
talher no horrio das refeies ou esconder qualquer objeto entre
seus pertences, estes grilhes apertaro suas mos at o ponto
de faz-las cair de dor. No pense em arranc-los ou
danific-los, para seu prprio bem. Agora vire-se e levante seus
cabelos, se os tiver compridos.
	Ela virou-se, ainda sob o impacto da frieza com que ele falara sobre o
que passaria ali, com as mos, recolheu os cabelos, sentindo o ar do
mar bater em sua nuca. Ele tocou de leve seu pescoo de ambos os
lados, fazendo surgir uma gargantilha do mesmo metal que os grilhes.
Por um segundo ela pde sentir como os dedos dele eram quentes,
estranhos para ela.
	- Vire-se para mim e escute o que vou dizer: se quiser sair daqui viva
quando acabar sua pena, nunca se afaste alm dos rochedos verdes que
cercam a ilha. Quanto mais voc se afastar deles, mais a gargantilha
ir apertar seu pescoo, at mat-la por sufocao. Tambm
no preciso te avisar que se tentar tir-la da voc ir
morrer do mesmo jeito. Venha comigo - ele disse virando-lhe as costas.
Ela o seguiu e eles entraram por uma porta que se fechou sozinha nem bem
passaram por ela, eram corredores com paredes irregulares de pedra, mal
iluminados, mas ele brilhava a sua frente, iluminando o caminho,
desceram uma escada e ela tropeou. Ele estendeu a mo para trs e
aparou-lhe a queda sem virar sequer o rosto. Ela sentiu frio e viu um
rato correr ao longo do corredor. Eles desceram cada vez mais, at que
chegaram em frente  porta de uma cela aberta, dentro de onde ela
pde ver um pequeno catre com cobertas e um vaso sanitrio. Uma
janela de trinta por trinta centmetros era tudo que a ligaria com o
mundo exterior. Ele deixou que ela passasse e comeou a falar.
	- Essa  sua cela, ela  aberta de manh para que voce v
executar os trabalhos na ala comum, voc vai trabalhar na lavanderia.
Se esforar-se e tiver bom comportamento, a transferimos para a ala de
costura, onde vai fazer roupas para os presos e para os internos do
orfanato St Ephigeine. Finalmente, se l voc for muito esforada,
poder trabalhar na carpintaria, fazendo brinquedos para as crianas
do mesmo orfanato.
- E se eu no quiser trabalhar?
- Ter dias muito agradveis trancada vinte e quatro horas nessa
cela. As aranhas te faro companhia, que tal? - ele ficou calada -
como sei que voc vai colaborar, no direi mais nada, voc ter
uma hora de almoo e uma hora livre ao fim da tarde. Sbados e
domingos, no trabalhar e poder passear durante o dia pela ilha,
lembrando-se de meu conselho sobre as pedras verdes... mais uma coisa,
aqui h aranhas venenosas. Eu tento mas no consigo acabar com elas,
nunca vista uma roupa sem sacudir nem calce um sapato sem olh-lo por
dentro. Nunca esquea disso. Aquele que saiu hoje daqui esqueceu e
pagou seu preo. Alguma pergunta?
- No. Entendi tudo.
- Bom. Tenha uma boa noite - ele saiu e a porta fechou-se atrs dele.
Ela sentou-se na cama e olhou o pedao de cu que entrava pela
janela. Lutou contra o pensamento que lhe veio  cabea: "como ele
 bonito!"
	Luc andou pelo corredor at seu quarto... no sentiu vontade de
subir ao rochedo. Mais tarde, quando todos dormiam, ele saiu e foi at
o rochedo. De sua cela, Bianca julgou ter ouvido em algum lugar um
assobio. O drago da luz saiu de uma caverna, batendo suas asas
graciosamente e oferecendo as costas para que seu mestre montasse, ele
ordenou que o drago voasse e ainda pensou, sentindo que atravessava
uma nuvem fria: "Flores Negras..."

CAPTULO 2 - ESGRIMA DE BRUXO

 	Quase um ano se passou desde que Harry havia prendido Bianca. Depois
de voltar da sua lua de mel com Willy, ele foi transferido de Nova
Iorque para a Rssia e da Rssia para a Argentina (onde ficou pouco
tempo e no gostou muito), da Argentina para o Mxico e de l,
para Londres... sempre no rastro do Camaleo.  verdade que na
Rssia ele e Stoneheart pegaram um bruxo maluco que gostava de
transformar pessoas em cachorros, e na Argentina acharam um sujeito que
encantava insetos para fazer trouxas adoecerem, ambos tinham sido
contatados pelo Camaleo para trabalharem para ele, mas nenhuma das
duas prises foi a aventura que havia sido sua primeira misso. Mr.
Sandman continuava sendo o contato de ambos, e Harry no pde deixar
de rir no dia que este obrigou Stoneheart a cantar "Smile".
	No dia do seu 24 aniversrio, marcou com alguns amigos uma partida
de bilhar no clube bruxo de Londres... no estava para festas. Queria
algo simples, j bastava o que provavelmente Sheeba e Willy
aprontariam para ele no fim de semana, elas no deixariam de fazer
alguma festa surpresa. Ele mandou corujas para Sirius, Lupin, Rony,
Draco, os Gmeos Weasley, John Van Helsing, Angus Stoneheart,  Neville
e Hagrid. Todos deram um jeito de aparecer: Rony, que com os irmos
foi o primeiro a chegar, no estava filmando, comearia em algumas
semanas a participar de um filme sobre a vida de Harry, o que j
rendera inmeras gozaes: ele dizia que o ator principal no
tinha olhos verdes, nem o cabelo como o de Harry, que a cicatriz no
parecia com a dele...
- E afinal, que papel voc vai fazer no filme?
- No ria.. voc sabe que eu sou um timo cara mau... vou
interpretar o Snape.
- Mas voc est muito novo pra fazer o Snape! E voc no se
parece com ele!
- Para que voc acha que existe transfigurao pessoal, Harry?
	Quando Draco chegou, Harry se preocupou: em um ano, sua aparncia
piorara muito, ele estava magro demais, com olheiras profundas. Harry
no comentou nada, mas achou que ele devia estar doente. Ele chegou
com o sogro, John Van Helsing, que viera da casa de Alexandra Wolf, e o
irmo  de John, Steve. Angus Stoneheart chegou logo depois, com a cara
amarrada de sempre. Um carro esquisito grande e barulhento parou com um
estrondo na porta do Clube, e dele saram Hagrid e Neville.  Por
ltimo Sirius e Lupin aparataram na porta do clube.
	Sirius, nos ltimos anos, havia se tornado um sujeito um bocado mau
humorado. Era professor de defesa contra artes das trevas e diretor da
Grifnria em Hogwarts, mas parecia eternamente insatisfeito. Lupin o
aturava com uma pacincia que ningum compreendia, talvez esta se
devesse ao fato deles s se verem durante alguns dias por ano. Eles se
dividiram em duplas um tanto bvias: Harry e Rony, Sirius e Lupin, os
gmeos, os irmos Van Helsing, Hagrid fez questo de jogar com
Neville e sobraram Draco e Stoneheart, que se deram um olhar
desconfiado. Enquanto iam comeando a jogar, pediam cerveja
amanteigada e amendoins, e comearam a conversar.
	-     Que tal  ser pai pela primeira vez, Weasley? - perguntou
Draco, que estava j s voltas com a Segunda gravidez de Sue.
Hermione havia tido o primeiro filho h pouco mais de dois meses, era
um menino, que foi batizado, tendo Harry como padrinho, com o nome de
Richard  Granger Weasley.
-  bom. Quer dizer, existem os momentos horrveis, como quando ele
acorda chorando, mas no geral  interessante. E Sue?
- Vai bem... reclama um pouco porque eu e John no a deixamos sair
atrs de vampiros, espero que nasa uma menina com o temperamento
dela para que ela veja o que  bom... ops! Suicdio... sinto muito,
Stoneheart, mas acho que perdemos...
- Voc podia ter deixado que eu comeasse... - Stoneheart deu um
olhar no muito alegre para Draco. Sirius e Lupin os substituram,
jogando contra Rony e Harry.
	L pelas tantas, quando todos se cansaram de perder para Sirius e
Lupin, que ganharam todas as partidas que jogaram, com um olhar
cmplice (esses dois devem roubar no bilhar desde a poca de
Hogwarts), eles pegaram uma grande mesa redonda prxima a pista de
esgrima e sentaram-se, falando agora alto e rindo das histrias que
iam contando, a lngua solta pela cerveja.
- Vocs tinham que ver - comeou John Van Helsing - quando eu e
Steve pegamos com Draco a vampira de Nova Jrsei... lembra, Draco, Sue
estava grvida de Draco Jr...
- Oh, sim, e como sempre eu fui o escolhido para quase morrer - disse
Draco mau humorado - vocs devem saber como  fazer este tipo de
coisa com  o sogro - os outros deram uma gargalhada
- Eu me lembro bem da sua cara - comeou Steve Van Helsing - sorte que
eu tinha ido a Nova Iorque e John pediu minha ajuda... no fosse minha
velha besta - ele apalpou um estojo quadrado ao seu lado - voc a esta
hora estaria procurando um pescoo pra morder...
- Mas pelo menos eu consegui coloc-la numa posio
vulnervel... Steve, voc me deve uma, j estava atrs dela h
mais de dez anos... Porque voc s gosta de matar vampiras hein?
-  mais divertido... os vampires eu deixo para o John...
- At parece... Sirius, voc sabe o que aconteceu com Caius?
- Eu desisti de tentar entender Caius, John. Uma hora ele  um vampiro
terrvel, noutra ele vira um sujeito bonzinho que nos ajuda, para de
disputar poder e resolve no matar mais, s sugar um pouquinho e
fazer as garotas acreditarem que tiveram uma espcie de sonho
ertico... no entendo - disse Sirius mau humorado.
- Ele me disse que desistiu de ter escravos... - John Van Helsing disse,
mesmo diante do olhar espantado de Sirius.
- Como assim "ele te disse"? Voc andou se encontrando com Caius?
- Perfeitamente... ele me procurou e disse que queria uma trgua entre
ns, j arrumou problemas suficientes: ele  mau visto pela turma
antiga, a tal "Aliana" e pelos vampiros no malignos da
"Famlia"... eles que gostam de usar essa ttica de no matar, mas
no acreditam em Caius... ele tambm no deixou de matar por
motivos nobres, apenas resolveu ficar na dele... enquanto ficar na dele,
eu no vou incomod-lo. Temos vampiros assassinos suficientes nos
dando problemas. E vocs, como andam com o tal Camaleo? - John
no percebeu que Draco sentiu-se desconfortvel.
- Bem, - comeou Harry - ns sempre pegamos a pista dele, logo
depois perdemos... parece que ele se diverte com isso... no somos
apenas ns que estamos atrs deles, tem um auror japons, e um
americano - aqui Harry fez uma cara azeda - e eles atrapalham mais que
ajudam.
- No gosto do jeito de competio que esta histria est
tomando - disse Stoneheart olhando para Harry - se ao menos o auror
americano no fosse Troy Adams...
- Sim, claro, o garoto de ouro do ministrio americano, a esperana
bruxa da Amrica... ele sempre d um jeito de estar onde estamos....
um saco.
- Escuta, eu sempre tive uma curiosidade, sabe? O que vocs falam
quando "enquadram" um bruxo? - perguntou Steve, parecendo trouxa como
nunca.
- Como assim quando enquadramos um bruxo?
- , como nos filmes, em que os policiais chegam e dizem: "parado
FBI!!!" - Steve apontou uma arma imaginria diante de si - por acaso
vocs dizem algo como: "parado, Auror!" - Steve apontou uma varinha
imaginria diante de si com uma pose ridcula
- Se ns perdermos tempo fazendo essa pose e gritando uma besteira
dessas corremos o risco de virar pat, trouxa. - disse Stoneheart sem
um mnimo esboo de sorriso. Ento olhou em volta e levantou a
sobrancelha, ao ver a cara perplexa de todos - Foi algo que eu disse? -
todos explodiram numa gargalhada. Neville olhou para a porta do clube e
ficou srio. Gina entrava acompanhada de um homem. Harry percebeu e
pensou: " isso que  ruim em haver poucos lugares bruxos...
devamos ter ido no caldeiro furado."
O bruxo que estava com Gina era o atual professor de feitios de
Hogwarts, Simon Bravestar Era um sujeito alto e magro, com um rosto
moreno e um cabelo cor de conhaque revolto que descia at abaixo do
meio das costas. Tinha olhos verdes e lbios finos, assim como um
nariz ligeiramente aquilino, que o dava um ar antiptico, vestia-se
sempre de preto, com uma capa cheia de bolsos e fivelas, tambm
gostava de botas de desenho militar, que quando ele andava faziam um
barulho metlico. Ele tinha a idade de Carlinhos Weasley e antes de
ser professor havia sido guitarrista de uma banda de Rock bruxo,
desistira do Rock depois do fim da banda, ningum sabia direito
porque.
- O que as mulheres vem em sujeitos como esse? - perguntou Sirius.
- Hum, o mesmo que vem em voc. Tirando os acessrios, vocs
fazem mais ou menos o mesmo estilo,  uma espcie de pose de
malvado. - disse Lupin pretensamente srio, fazendo John dar uma
gargalhada alta.
- Existem outros que preferem posar de "um pobre lobisomem desamparado",
no  mesmo? - respondeu Sirius, fazendo agora todos rirem, menos
Neville.
- No faa essa cara., Neville - disse Fred Weasley - eu convivi com
Gina durante quase vinte anos.. digamos que esse sujeito no sabe onde
est se metendo.
- E nem voc - completou Jorge - debaixo daquele anjo de cabelos
vermelhos h uma ditadora implacvel.
- Eu no me importo - disse Neville - eu vou embora, com licena -
ele sumiu porta a fora e Hagrid disse:
- Ele nunca superou ter sido chutado pela  irm de vocs... Neville
 do tipo que sonha.
- E voc Hagrid? - perguntou Rony - E aquela professora francesa? -
Harry fez um sinal como quem diz "no toque nesse assunto, p!"
	Na verdade Harry j conhecia de cor e salteado a histria de Hagrid
com a professora Olympia Maxime, j a escutara umas quinhentas vezes,
e ela sempre acabava com lamentaes do tipo "como eu nunca percebi
que ela queria s se aproveitar de mim?" Harry sentiu-se aborrecido e
ficou olhando a pista de esgrima, onde Gina e Simon Bravestar disputavam
uma partida.
	Ele nunca soubera que Gina sabia lutar esgrima bruxa, que era disputada
com espadas mgicas. Ganhava quem conseguisse fazer o adversrio
ficar desarmado, o que no era to simples quanto parecia, embora
normalmente as espadas fossem poderosas a ponto de transfigurar o
adversrio ou coisa parecida, no era fcil conseguir um bom
golpe. Gina e Bravestar jogavam com espadas de treino, ganhava quem
conseguisse o golpe que tornava a roupa do adversrio vermelha,
acertando-se no meio do peito. Havia a modalidade olmpica que era
mais violenta, Harry a aprendera na escola de Aurors.
	Nesse momento, para sua desagradvel surpresa, Troy Adams entrou no
clube com ningum mais ningum menos que Cho Chang. Ela se tornara
jogadora de quadribol profissional, atualmente no Seventh Sky, um time
que s era composto por mulheres e estava em quarto lugar na liga
internacional. No era de se admirar que Cho se interessasse por
Troy... ele era o tipo dela: atltico e bonito, como Cedric
Diggori. Harry olhou de volta para a roda, e deu com todas as caras
olhando para ele.
- Nem pense em brigar como sujeito, Harry - comeou Sirius. -  seu
aniversrio, lembra?
- Eu nem estava pensando nisso, Sirius!
- Voc tambm no estava pensando nisso quando quase explodiu uma
boate em Buenos Aires disputando um duelo simulado com ele - comeou
Stoneheart - nem quando quase o derrubou da vassoura numa partida de
quadribol do clube de Aurors no ms passado.
- Ele me provoca...
- E voc cai na pilha? - disse Draco - nunca imaginei que Troy fosse
melhor nisso que eu!
- Voc no foi ex namorado da mulher dele  - disse Rony,
arrependendo-se em seguida.
- Desta vez, eu no vou ligar, palavra - disse Harry sorrindo para
eles, tentando retomar a conversa. - Nada do que esse sujeito faz me diz
respeito.
- Oh no! - disse Fred - Adams atirou Cho sobre a mesa e est
arrancando as roupas dela!
- O qu? - Harry perguntou atnito
- Nada no, s uma brincadeirinha...  na verdade ele acaba de
levantar e est vindo para c... acho que ele quer te desejar feliz
aniversrio.
- Ol, boa noite para todos. Feliz aniversrio, Potter.
- Obrigado, Adams
- Porque voc est comemorando seu aniversrio no meio de um bando
de homens? Eu costumo comemorar os meus em melhor companhia...
- Bem, quando chegar em casa com certeza terei uma tima
comemorao com Willy... aqui estamos apenas nos distraindo um
pouco.
-  mesmo? Que tal um pequeno jogo, apenas por diverso? - os outros
olharam para Harry. Sirius, que j imaginava que isso ia acontecer,
olhou para o rapaz e disse:
- Porque voc no vai dar ateno a sua namorada, garoto?
- Porque no deixa ele responder, velho? - Sirius ia levantar-se, mas
foi contido por Harry
- Deixa, Sirius, o negcio dele  comigo. O que voc quer jogar,
Adams? - Os outros entreolharam-se e Draco interviu:
- Troy, porque vocs no procuram se entender de outra forma? O
Potter  gente boa... eu me entendi com ele, porque voc no
tenta?
- Draco... na verdade isso  um pouco decepcionante, sabe? Eu e ele
queremos apenas jogar e vocs ficam se metendo - Draco deu de ombros e
Harry perguntou:
- J que estamos aqui... esgrima?
- Perfeito - respondeu Troy com um sorriso cnico. Os dois se
dirigiram para o balco e Jorge comentou:
- Eu sabia que a gente devia ter ido para um clube de strip-tease...
O atendente da pista de esgrima era um velhinho  magro e desdentado, e
logo perguntou o que desejavam ao que Harry respondeu:
- Queremos alugar uma pista de esgrima e espadas.
- Espadas de treino, certo? - perguntou o velhinho atrs do balco
- OLIMPICAS - responderam Troy e Harry ao mesmo tempo.
- Senhores... para alugar espadas olmpicas os senhores tem que ter
autorizao especial - o velhinho disse, empalidecendo, ao que Harry
e Troy sacaram as suas carteiras de filiados  federao Auror de
esporte, se medindo disfaradamente. O velhinho engoliu em seco e
tirou alguns acessrios de um armrio onde estava escrito "S SOB
AUTORIZAO": luvas, coletes, mscaras de esgrima e dois floretes
prateados e reluzentes, que ele pegou trmulo e com cuidado.
- Eu pago! - disse Troy
- Fao questo - disse Harry
- Quem perder paga ento...
- Feito . S um segundo - Harry foi at a mesa, onde seus amigos o
olhavam com um intenso olhar de censura, retirou sua veste protetora
invisvel e voltou para junto de Troy. Eles rumaram a passos decididos
para a pista de esgrima e puseram os acessrios, assumindo as
posies. Nem bem entraram na pista n 2 e o velhinho apertou um
boto junto  porta e um feitio de isolamento foi acionado. Um
escudo azulado surgiu a volta deles. Gina e Simon Bravestar pararam de
lutar para ficar observando. Cho Chang, abandonada numa mesa, olhava
aborrecida para eles, que se saudavam na pista de esgrima:
- An garde, Potter
- An garde - disse Harry entredentes. Durou um segundo a saudao
antes que eles comeassem a tentar se golpear com a espada, era
preciso tocar o corpo do adversrio com ela e proferir o feitio no
mesmo instante para conseguir que funcionasse. Era muito complicado, as
espadas danavam no ar sem que nenhum conseguisse atingir o outro.
Troy comeou a falar, provocando Harry:
- A ltima vez que nos vimos voc no se deu to bem... quem
acabou prendendo a bruxa encantadora de serpentes fui eu...
- Talvez no fundo voc entenda bastante de cobras, Adams, o que 
diferente de lidar com mulheres, s um idiota deixaria uma mulher como
Cho esperando sentada numa mesa! Rictusempra! - ele disse ao sentir que
ia acertar Troy com a espada na lateral do corpo, um feitio de
ccegas seria o ideal para faz-lo largar a arma e humilhante o
suficiente mesmo sem causar dano algum, mas Troy conseguiu desviar-se e
tentou aplicar um golpe em Harry.
- Expelliarmus! - Harry conseguiu evitar que o florete o tocasse na hora
H e comeou a revidar a provocao de Troy:
-  Na verdade at que voc no  ruim para o filho de mgicos
de circo...
- Meus pais no tem nada a ver com isso, Potter... para algum
debilitado por uma ferida precoce que lhe afetou a mente tambm at
que voc no  ruim... porque voc nunca tirou essa cicatriz
idiota da testa?
- Porque talvez eu no seja um boneco vaidoso como voc, Adams -
Harry sentiu que podia acert-lo e disse: Estupefaa! - mas errou o
golpe na ltima hora.
- Mal, Potter, mal... voc no pode fazer nada melhor que isso? O
que Mina por acaso viu em voc, hein?
- O nome dela  Willy, Adams... e ela  a chave de todo esse
recalque, no  mesmo? Afinal de contas eu cheguei primeiro.
- No em todos os aspectos... - disse Troy, fazendo que Harry perdesse
momentaneamente o controle e hesitasse por um segundo. Troy estava na
trajetria de um golpe to perfeito que deixou uma das laterais
desguarnecidas. Harry aproveitou a oportunidade e os dois se tocaram com
as espadas ao mesmo tempo.
- Simieso!
- Porciforma!
	No instante seguinte na pista de esgrima haviam um porco, um macaco e
duas espadas cadas. Sirius disse qualquer coisa com uma cara
aborrecida para o velhinho do balco e este abriu o feitio de
isolamento.
- Finite Incantatem! - Disse Sirius rispidamente - Vocs dois deveriam
ter vergonha. Homens desse tamanho se comportando como colegiais!
- Voc viu quem ganhou? - Harry perguntou mal humorado, desde a
poca de Hogwarts ele odiava a mania de Sirius de dar bronca nele.
- Nenhum dos dois! Foi empate, pombas! Ele te transformou num macaco e
voc o transformou em porco. No  suficiente para uma noite,
no?
- Cada um paga a sua, Potter - Disse Troy, saindo com uma cara
aborrecida, quando chegou  mesa e Cho levantou-se para protestar e
ele arrastou-a de l. Simon Bravestar aproximou-se de Harry e
apertou-lhe a mo.
- Parabns!
- Porqu? Eu no ganhei...
- E da? Eu conheo esse americano intragvel desde a poca em
que ele era um garoto e eu era professor recm formado dando aula em
Desert Stone... eu sempre quis transform-lo em porco, cara.
	Harry olhou o sujeito e realmente, por mais que dissessem, dali em
diante jamais conseguiria no gostar dele.

CAPTULO 3- LUONS
	Pouco depois do duelo, Simon arrastou Gina do clube, e Harry voltou
ficar com os amigos, mas o duelo estragara um pouco a comemorao
deles. Steve, Draco e John se despediram, Draco iria pegar o metr
bruxo das dez e John e Steve tinham vampiros para caar, Hagrid
tambm se foi. Fred  e Jorge passariam a noite em Londres, mas
disseram adeus do mesmo jeito.
- Uly e Cindy esto nos esperando... - disse Jorge - elas querem fazer
algum programa intelectual conosco essa noite .
- Algo de profunda relevncia como sair para danar - disse Fred,
com um cinismo indisfarvel. Eles saram e Rony fez uma cara
aborrecida.
- No reclame - disse Harry - ia ser pior se o Malfoy estivesse aqui
para comentar isso.
- Por falar em Malfoy - perguntou Lupin - o que h com ele?
- Ele parece doente... muito doente - disse Rony - alis, acho que
desde seu casamento, Harry, ele parece doente.
- Eu notei que ele estava estranho desde que o vi em Nova Iorque h
quase um ano... interessante que encontrei com ele numa sexta e ele
estava bem... na tera feira seguinte eu o encontrei novamente e a
aparncia dele estava pssima!
- Ah, se Draco estivesse to mal, no faria um filho - disse Sirius
em tom de mofa
- No brinque com isso, Black - disse Stoneheart - pode ser que o
filho seja uma tentativa de salv-lo.
- No, isso no existe mais... ningum mais precisa desse tipo de
recurso - completou Sirius
- Eu no ficaria to certo se fosse voc. - Lupin disse, srio -
no esquea a origem da famlia dele e com o que eles mexeram nos
ltimos sculos... no me surpreenderia se ele precisasse de um
feitio do filho salvador.
- Feitio do filho salvador? - Rony perguntou - acho que eu pulei essa
aula.
- No, voc no pulou... - Sirius falou, contrariado - isso  um
feitio antigo, uma contramaldio complicada, no se aprende
isso em escolas normais. Harry conhece, no conhece?
- Estudamos na escola de Auror... mas se ele precisasse de um feitio
desses seria por algo muitssimo grave... acho que Draco no faz
nada errado desde a poca daquele vodu...
- E o que faz esse feitio?  - Rony realmente estava curioso.
- Ele pode ajudar uma pessoa a se livrar da maldio. Mas marca a
criana para sempre. - disse Harry, e como fazia vrias vezes sem
sentir, ps a mo na testa. -  preciso ter o sangue de um filho
recm nascido e mais algumas coisas
- Sangue?
- No faa essa cara - disse Stoneheart mau humorado - eles no
precisam matar ningum, s dar o furo em um dedinho, uma gota basta,
continue, Potter.
- No continue. No se deve falar em maldies por a - o
velhinho da pista de esgrima aproximara-se varrendo o cho e
enfiara-se na conversa - meu jovem, voc poderia me acompanhar? Acho
que estou com problemas numa vassoura. - ele disse, pondo a mo no
ombro de Harry, que olhou para ele e sem hesitar, seguiu-o.
- Pode me explicar o que voc est fazendo aqui? -  Disse Harry, que
sabia que o velhinho s podia ser uma pessoa
- Eu tinha vindo lhe desejar feliz aniversario, seu mal agradecido...
mas pude presenciar uma autntica manifestao de idiotice
explcita... poderia me explicar como voc, que  ganhou do sujeito
no nico jogo em que realmente fazia diferena perder e fica
competindo com ele por coisas que no tem a mnima importncia?
- Na verdade no  isso. Eu no sou covarde. E ele me provoca.
- Muito inteligente. Se ele te provocar para pular de um precipcio...
- Eu tenho minha roupa protetora, voc sabe disso.
- Lgico que sei... voc andou tempo demais com esse cachorro que
voc chama de padrinho... pegou todas as manias dele.
- Com muito orgulho.
- Vamos ao que interessa. Enquanto voc se exibia, eu falei com
Stoneheart... voc j tem uma misso para Segunda feira, at
l, curta esse fim de semana. Aqui esto as instrues... e
no ligue para esse americano imbecil, provavelmente ele vai atrs
de voc. Te encontro nesse lugar, ao meio dia... por favor, aprenda a
cantar, certo? Foi ridculo quando voc no sabia nem os primeiros
acordes de "besame mucho" em Buenos Aires...
	Harry desviou os olhos para a carta de Sandman por um segundo, e quando
ia perguntar qualquer coisa a ele, o velho havia desaparecido.

	Despediram-se por volta de nove e meia... a noite estava muito bonita e
Harry achou que valia a pena voar com a moto aquela noite, em vez de
desaparatar com ela. Ele apertou o boto de invisibilidade e
rapidamente, embicou pelo cu de Londres, quando fazia isso
invariavelmente vinha  sua lembrana a noite em que ele Rony e
Hermione haviam feito isso pela primeira vez, antes de Sirius ser
libertado e inocentado, antes de tanta coisa... mais de oito anos antes,
numa primavera. Furou uma nuvem, sentindo o ar gelado atravess-lo,
aquilo era quase to bom quanto voar de vassoura. Ele ainda tinha a
velha Firebolt, com mais de dez anos, o primeiro presente de seu
padrinho. Agora era uma vassoura meio obsoleta, diante das modernissimas
Quarker Flash, mas ele no a trocava por nada nesse mundo ou em outro,
embicou a moto  direita na sada de Londres e desceu suavemente em
frente  sua casa.
	Era muito bom voltar para casa, ter uma casa para chamar de sua, depois
de anos largado, anos mal cuidado... todos os dias sentia um imenso
alvio quando via as luzes da casa de aparncia esquisita e
quadrada. Com cuidado, convenceu a motocachorro a entrar na garagem (de
cada dez tentativas, nove acabavam em mordida) e depois de fech-la,
finalmente entrou em casa.
	Estranho, muito estranho. A casa estava totalmente apagada. Mas ainda
era cedo... Willy no podia estar dormindo. Subitamente, apareceu uma
pequena luz na sua frente, como um vaga-lume. Ele ficou olhando a luz,
podia jurar que ela sorria para ele, depois se apagou e acendeu-se mais
adiante. Ele foi at onde estava a luz e ela se apagou de novo, e foi
repetindo esse processo, fazendo com que ele subisse a escada. Ele riu.
Isso era obviamente coisa de Willy, era o estilo dela.
	As luzinhas animadas o levaram escada acima at a escada em caracol
do sto, que ele subiu com cuidado. L em cima, sentada na
janela, sob a lua cheia da paisagem conjurada de Hogwarts, estava Willy.
Ele arregalou os olhos ao ver que uma luz suave e azulada emanava do
vestido dela, que era difano e transparente, quase flutuando ao seu
redor. Sobre a janela, como se fosse um picnic, estava armado um jantar.
Ele ficou olhando hipnotizado para ela, que saiu da janela e veio at
ele, sorrindo.
- Devo dizer a Silvia Spring que as dicas que ela me deu para esse
tecido de glamour funcionam?
- Willy... voc...est... maravilhosa!
- Efeito colateral: torna o homem um bobo. Ela disse, abraando-o e
beijando-o
- O que eram as luzes - ele perguntou quando voltou a raciocinar com
clareza. E que raios de tecido de glamour  esse?
- Uma encomenda de Liza LionHeart... mas acho que vou diminuir um pouco
a intensidade da poo de tingimento... bem, as luzes so uma
inveno minha meio antiga... chama-se luon.
- Luon?
- Sim, luz domesticada... eu fiz pensando em crianas que tem medo do
escuro... ela estalou os dedos e as luzes vieram at ela, que pegou
uma na mo e ela se apagou, era uma bolinha de consistncia
gelatinosa, mas que no grudava na mo, ele ps na mo dele e
quando fez isso, o luon acendeu.
- Eu dei alguns destes para os filhos de Sheeba... acho que eles
gostaram. Voc no se atreveu a jantar, no , Harry Potter?
- No... eu sabia que teria uma tima companhia para tanto... o que
temos para o jantar?
- O que voc imagina?
- Fgado? Omelete de rins? No me diga que voc comprou sardinhas
em lata???
- Kakaka! Palhao. Nada disso. Eu fiz seu prato favorito.
- Voc fez? - ele disse meio incrdulo, meio divertido
- T bom, t bom... a casa fez um rosbife  moda de Hogwarts.
- Com batatas fritas?
- Claro, - suspirou Willy - ainda bem que voc faz muito
exerccio... nunca vi algum comer tanto.
- Rony come mais que eu.
	Eles jantaram na janela, com os luons reluzindo  sua volta, Harry
ria para as coisinhas, que s vezes pareciam sorrir
- Willy, isso ... vivo?
- No...  meio encantado. Os sorrisos so programados. Como eu
disse, isso  para crianas, Harry.
- Willy, eu posso te fazer uma pergunta?
- Claro.
- Voc e aquele americano...
- Ah, no... de novo?
-  que ele faz umas insinuaes que eu no gosto. - todos os
luons fizeram caretas para ele ao mesmo tempo. - ei, porque eles fizeram
isso?
- Porque voc me aborreceu. Eles so sujeitos ao humor do dono.
Harry, porque  to importante o que tive ou deixei de ter com Troy?
Ns no havamos combinado: esquea o americano que eu esqueo
a escocesa?
- Mas Bianca no est por a...
- No, ela s est em Azkaban depois de ter quase tentado matar
Sirius botando a culpa em mim... s isso.
- Desculpa.
- Tudo bem - suspirou Willy - eu tenho pena dela... fico imaginando o
quanto ele sofre em Azkaban.
- Eu fao idia.
	No, na verdade ele no fazia a menor idia...

	Em Azkaban, em um ano Bianca conseguira chegar at a carpintaria, mas
sua vida definitivamente no era fcil. Os piores tipos bruxos da
Europa estavam ali, gente que havia sido presa pelos mais terrveis
crimes, na sua grande maioria, homens. Bianca vivia aos sobressaltos ao
andar pelos corredores, alm dela, a nica mulher realmente bonita
ali era Sarina Moore, e essa era uma das incomunicveis, que ficava
separada dos outros presos por seu grau de periculosidade. A pior hora
para Bianca, era a do banho. No banheiro coletivo ela sentia a inveja
das outras bruxas de seu corpo jovem e belo. Ela tinha medo de acabar
agredida por uma das outras. A ala feminina era separada da masculina,
mas durante o dia e no fim da tarde, quando precisava passar sozinha
pelos corredores, verificava se no tinha nenhum homem por ali. Ela
tinha muito medo deles, do que podiam fazer com ela.
	Haviam os grilhes e gargantilhas conjurados em todos por Luc, mas
ainda assim ela no se sentia protegida no meio de gente to ruim.
Havia tudo de pior em Azkaban, uma tarde ela viu dois homens que tinham
sido beijados por dementadores no passado, e jamais esqueceria das
expresses vazias nas caras deles, que apenas estavam vivos, mas sem
alma nem alegria. Deu graas a Deus pelo fato de no haverem mais
dementadores ali.
	Desde o dia que chegara, ela no vira mais o Guerreiro da Luz de
perto... apenas nos horrios comuns, assim mesmo muito rapidamente.
Ele aproximava-se muito pouco dos presos, ela no calculava o quanto
ele sabia sobre cada um, e o quanto ela o intrigava.
	Desde que ela chegara, a vida de Luc mudara por completo. Por mais que
ele quisesse fugir disso, se pegava nas horas mais improvveis
procurando saber onde ela estava pelo seu perfume de flores negras...
no era por ela ser bonita, ele sabia pelo perfume que Sarina Moore
tambm era uma mulher lindssima, com o perfume forte do almscar
do campo... mas de alguma forma achava que Bianca era especial, porque
tinha um perfume que ele conhecia apenas de memria, um perfume que
no sentia h exatos quatro mil anos... mil antes dele abandonar seu
mundo.
	s vezes, do rochedo, ele ficava prestando ateno  batida do
corao dela, que podia escutar e distinguir, como podia fazer com
qualquer som que quisesse... ele sabia que quando ela dormia tinha
sonhos ruins, mas quase todos ali tinham. Mas sabia pela forma com que
ela se agitava durante o sono, pelo quanto o corpo dela esfriava e suava
frio... no eram sonhos de culpa. Eram sonhos de medo. Algum
provavelmente fizera algum feitio e tinha poder sobre ela. E ela
tinha medo desse poder.
	Ele sempre soubera distinguir um inocente de um culpado, mas para ele,
ela era um enigma. Ele sabia que ela no era m, mas sabia tambm
que fizera coisas ruins. E que pagava mais que merecia por elas. "Droga.
Diabos. Isso  horrivelmente errado!" ele pensava "No deveria estar
usando meus poderes para vigiar uma garota... ainda mais uma condenada
sob meus cuidados." " Luccas Lux, mas ela  uma condenada a pouco
tempo de priso.... em quinze anos estar livre... o que so
quinze anos para quem tem oito mil? Espere..." "antes disso eu j
terei enlouquecido" - ele travava dilogos imaginrios com ele
mesmo, e enquanto fazia isso, jamais se aproximava dela. Era uma
questo de precauo.
	Uma tarde, Bianca sara da ala de carpintaria e olhou o corredor que
levava  ala feminina... deserto. Ela foi andando por ele e
subitamente, um homem saltou  sua frente. Ela gritou e aderiu a
parede. Ele ps os braos  sua volta, mas sem toc-la,
impedindo que prosseguisse:
- Eu descobri que no  agresso se pedir um beijo a uma colega
sem toc-la - comeou o bruxo magro e amarelado, uma expresso
doentia no rosto - veja que ironia... se voc tentar sair da s
vai conseguir me agredindo...  vai ter que me beijar - ele riu, dentes
amarelados e apodrecidos, um cheiro desagradvel emanando dele.
	Ela desviou o rosto para no encarar o bruxo, pensando numa forma de
desvencilhar-se dele. Foi nesse momento que uma mo surgiu atrs do
pescoo dele, erguendo-o.
	- Parece que vamos ter que lhe ensinar algumas coisas, Sr. Sinclair...
como por exemplo, a pedir desculpas.
	O bruxo agitava-se e tentava sair, mas a mo forte do guerreiro
apertava sua garganta.
- Se quiser tomar coragem, lembre-se que de ns dois, apenas tenho e
eternidade... e voc tem um pescoo bem frgil
- Desculpe! - O guerreiro largou-o e disse:
- No esquea que eu fui escolhido para dirigir esse lugar porque
posso distinguir um rato roendo um pedao de queijo na cozinha e pelo
barulho saber seu tamanho e qual o tipo de queijo que ele est roendo,
esteja eu onde estiver. De onde eu estiver, se voc fizer mais uma
dessas, eu saberei, e provavelmente vou chegar mais rpido da
prxima vez.... Agora suma, e avise aos seus companheiros sobre isso.
- o bruxo saiu correndo pelo corredor e ele virou-se para Bianca -
Cuidado. Procure no andar to sozinha por aqui.
- Muito difcil... ningum gosta de mim aqui. - ele deu um passo em
direo a ela e tocou seu rosto, sem falar nada. Ento disse:
- Como eu suspeitei, Voc est febril. Vou mandar um elfo levar um
cobertor em sua cela. - ele disse e virou-se, indo pela direo de
onde viera.
	Mais tarde, em sua cela, Bianca recordava o leve toque dos dedos dele
sobre sua pele... ele se enganara, ela no estava febril. Mas o
cobertor fora benvindo, e ele estava enrolada nele, pensando em como
seria abraar-se ao corpo dele, que parecia to quente.
	Do alto do rochedo, Luc se censurava por t-la tocado, num impulso.
"Existe sim, flores negras, algum aqui que gosta de voc.."

CAPTULO 4- A CRUZ GAMADIN

	"Vassoura.
	Voc vai gostar de Odessa,  uma cidade interessante. Achamos que o
Camaleo mudou um pouco o estilo ou j tem tanto dinheiro quanto
queria... agora ele parece que est atrs de objetos mgicos. No
ministrio da magia de Odessa, est guardada a cruz de Gamadin, um
objeto de poder antigo e perigoso, o ministro da magia de l pediu
nossa ajuda, porque um espio deles no submundo descobriu que um
bandido poderoso que ningum sabe quem  est atrs da cruz, e
contatou alguns dos piores bruxos para ajud-lo. S pode ser o nosso
amigo troca-pele, concorda?
	De qualquer forma, nos encontramos na escadaria de Odessa s 21
horas, vamos ter que trabalhar  noite. Sinto muito, Odessa no tem
Metr bruxo, v at So Petesburgo,  mais fcil aparatar de
l que de Moscou. A msica est em anexo. V agasalhado, Odessa,
mesmo no vero, no  um dos lugares mais quentes do mundo.
											Um abrao,
												Mr. Sandman"

	Harry chegou a So Petesburgo e comeou a procurara no mapa algum
lugar em Odessa para desaparatar. Havia um parque perto do porto, onde
ficava a tal escadaria. Ele preparou-se e desaparatou, pensando no tal
parque. Aparatou em frente a uma esttua grande, no centro de uma
praa no parque, que estava totalmente vazio quela hora. A
esttua era a representao de um homem, cercado por crianas
ele parecia lutar contra uma serpente que se enroscava ameaadora.
Harry no pde deixar de ler o nome da esttua: Lacoonte e seus
filhos. Olhou mais uma vez a esttua e saiu procurando no mapa a forma
mais rpida de chegar  escadaria, aparatou rapidamente atrs de
uma rvore prxima  escada, que descia uns cem metros em
direo ao porto, ele viu o mar negro, que no conhecia,
estendendo-se  sua frente at o horizonte. Estava realmente um
pouco frio para julho e ele ps as mos no bolso do sobretudo,
comeando automaticamente a cantar a msica que Mr. Sandman lhe
fornecera como senha daquela vez:
- See the stone set in your eyes See the thorn twist in your side I wait
for you  - comeou Harry, olhando em volta. Uma voz de adolescente
respondeu bem atrs dele:
- Sleight of hand and twist of fate On a bed of nails she makes me wait
.. And I wait without you With or without you With or without you ...
Ol, Vassoura!
- Voc adora msica trouxa, hein? Isso  uma banda irlandesa,
certo? - ele disse virando-se, para dar de cara  com um adolescente de
olhos verdes e cabelos pretos revoltos - Ei, que histria  essa de
pegar minha aparncia???
- Hahaha. Foi brincadeira - Mr. Sandman apontou a varinha pra si
prprio e transformou-se num adolescente completamente diferente em
questo de segundos - "como ele faz isso?" perguntou-se Harry. - Se eu
fosse voc, jamais chamaria Bono Vox de trouxa... eu o conheo
pessoalmente e posso te garantir que ele  um bruxo... O U2 faz
sucesso por causa disso, oras! - Mr. Sandman ajeitou os cabelos loiros e
disse: - que tal estou?
- Nrdico. Como voc faz isso?
- Segredo profissional, vassoura! Voc no veio transfigurado, mas
devia.
- No seja por isso - Harry rapidamente fez o cabelo crescer um pouco
e escureceu os olhos e a pele.
- Voc realmente no tem imaginao... - Mr. Sandman apontou a
varinha para Harry fazendo crescer nele uma grossa barba negra - assim
voc est mais... tpico. Vamos, Stoneheart nos espera.
	Eles foram andando e comearam a conversar sobre a misso.
- O que afinal de contas estamos fazendo?
- Vigiando a Cruz Gamadin. Tudo leva a crer que ele vai ser roubada esta
noite.
- E onde ela est guardada?
- Voc vai ver... por aqui.
- O que ela faz afinal?
-  um objeto de muito poder, mas no usado sozinho... o problema
 que achamos que o Camaleo vai tentar reunir alguns artefatos para
fazer alguma coisa.
- Que artefatos?
- Um  a cruz, ele j pegou o diamante Taylor...
- O diamante da maldio? Que foi roubado de Nova Iorque pouco antes
que eu comeasse minha misso?
- Exatamente.
- E o que mais?
- Cruz, diamante, pela lgica ele depois ir roubar um cetro, uma
coroa e um objeto de famlia, se ele for bruxo tradicional, da sua
prpria famlia, ou o objeto de uma famlia bruxa antiga e
poderosa do qual ele possa usurpar o poder. O ltimo que esteve com
objetos assim foi o que tentou convocar o corao das trevas e no
conseguiu, no sculo XII
- Eu j ouvi falar neste objeto... mas para invoc-lo...
- Exatamente, voc compareceu s aulas, hein? Tem que despertar o
sombrio para convocar o corao das trevas... At hoje, apenas uma
mulher conseguiu isso, e fez estragos suficientes...
- Mas o Sombrio no precisa de nada disso... ele pode convocar o
corao das trevas sozinho.
- Sim, mas para que ele se alie a algum, essa pessoa tem que ter um
poder especial, tudo indica que o Camaleo no  um bruxo
poderoso. Voldemort conseguiria aliar-se ao Sombrio sem precisar destes
objetos para tanto... o que me surpreende  que o Camaleo deve ser
um bruxo em atividade h pouco tempo, mas tem um raciocnio de
amealhar poder da forma certa; acredito que ele seja jovem, e deve ter
intenes terrveis...
- Um novo Voldemort?
- Talvez, mas provavelmente sem o talento nato dele... chegamos.
	Harry olhou para o alto. Estavam diante de uma construo antiga
grande e imponente, com uma abbada, de arquitetura neoclssica
- Vassoura, a pera de Odessa... hoje  dia de sinfonia... vamos
entrar, Stoneheart nos espera l dentro.
	Mr. Sandman deu a Harry uma entrada para o teatro e eles entraram. Em
vez de seguirem diretamente para o hall do teatro, Mr. Sandman fez que
Harry seguisse at atrs de uma coxia, ningum parecia not-los.
Mr. Sandman, ainda na pele do adolescente, perguntou qualquer coisa a um
homem que tomava conta de uma porta e os dois entraram, Stoneheart j
estava l dentro, usando o velho casaco camuflado surrado que Harry
j conhecia. Eles foram andando at o que parecia um cenrio de
ballet esquecido a um canto, Mr. Sandman fez que eles passassem por um
painel que representava uma porta, e que era uma porta mesmo, que mesmo
pintada de um lado, ao ser atravessada aparecia como uma porta real,
fechada do outro. Foram andando por um corredor sinalizado com uma placa
que dizia: "MINISTRIO DA MAGIA" - ENTRADA DA PERA
- H outras entradas?
- Mais de cem, infelizmente, mas eles fecharam a maioria delas... eles
precisavam usar muitas sadas e entradas na poca do comunismo.
Agora tm um ministrio desguarnecido... se o Camaleo conseguir
acessar uma das entradas, acabou-se o que era doce... ele leva a cruz
Gamadin. Por isso viemos peg-la e lev-la a onde vai ficar muito
segura... - repentinamente, Mr. Sandman parou. Ele notou que os guardas
do ministrio que estavam parados  porta alguns metros  frente
pareciam estranhos... - ABAIXEM-SE - Ele gritou, um segundo antes que os
dois guardas, sob feitio imperius os atingissem.
- Expelliarmus! - Harry e Stoneheart gritaram ao mesmo tempo, desarmando
os guardas, Sandman, abaixado, correu pelo corredor e viu um rapaz
fugindo do local. Ele chamou-os e os trs foram atrs do rapaz, que
realmente era bem jovem, de cabelos negros, que agitavam-se conforme ele
corria, Harry notou que ele mancava um pouco, talvez tivesse sido
atingido de alguma forma. Correu atrs dele, enquanto Sandman e
Stoneheart corriam rapidamente para a sala do ministro, onde
supostamente estaria o objeto mgico, Harry seguiu o rapaz, j
alcanando-o, por uma dezena de corredores estreitos, entrando por uma
porta, saindo por outra, at que chegou ao que parecia um beco sem
sada, hesitou por um segundo e correu em direo  parede,
atravessando-a, ele viu adiante que o rapaz continuava correndo, e foi
atrs dele, que agora tinha uma certa vantagem, viu que estava agora
em pleno porto de Odessa e o sujeito se dirigia rapidamente 
escadaria, aparatou para peg-lo de frente e preparou o feitio...
duas silhuetas se aproximaram e pde-se ouvir um grito simultneo:
- tonos!
	Quando ele voltou a si, viu que estava cado de costas sobre a
escadaria de Odessa. Mr. Sandman e Stoneheart o olhavam e ele no
entendia o que acontecera. Havia uma outra pessoa sendo socorrida l
embaixo das escadarias pelo auror japons Mishima Yamase... era um
sujeito alto, de cabelos negros. Harry ergueu-se rapidamente e disse:
- Ento?  Ns o pegamos? - Stoneheart e Sandman se olharam com uma
cara aborrecida e Stoneheart disse:
- No. No o pegamos...
- Mas... ele est l embaixo...
- No, aquele  Troy Adams.. o Camaleo fez vocs dois de
idiotas... e se ainda fosse s isso.
- Como assim?
- Ele desaparatou assim que te viu aqui em cima... quando Adams lanou
o feitio ao mesmo tempo que voc...
- Ns dois nos derrubamos e ele escapou... - disse Harry, revoltado
com Troy Adams, que sempre dava um jeito de estragar tudo. - Pelo menos
salvamos a cruz?
- No. E ele ainda matou o ministro da Magia Russo.
	Harry engoliu em seco, imaginando o momento em que fosse escrever o
relatrio para Avatar Fernandez.
- Escuta - comeou Sandman - voc no teve culpa... ns no
sabamos que o ministro daqui tinha convocado os outros dois... e
voc fez o que qualquer um que fosse inteligente faria...
- Mas eu devia ter visto que Adams vinha atrs dele.
- Por azar Adams escolheu uma transfigurao parecida com a dele...
voc no teve culpa, vassoura. Pode ficar tranqilo. V para
casa. Durma, Suma com essa barba... amanh voc ter um dia
melhor.
	Harry ergueu-se, voltando  aparncia antiga e ia subir o resto das
escadas, mas sentiu seu sangue ferver ao ver Troy no fim da escada, j
com sua aparncia normal. Desceu correndo e disse:
- Voc... saia do meu caminho! Voc j se meteu o suficiente nessa
histria... volte para sua terra e v fazer suas mgicas de circo.
- Ora, cale a boca, Potter, voc chegou atrasado, atrapalhou-me quando
eu tinha tudo sob controle e ainda quer tirar satisfao comigo?
Realmente, no d para entender.
- Seu imbecil. Voc me atrapalhou, de onde voc apareceu, hein? Eu
tenho certeza que persegui o Camaleo sozinho desde o Teatro. Onde
voc estava, Adams?
- Bem na sua frente, voc me perseguiu, pensando que era ele.
- Nada disso... ele estava mancando, eu vi.
- Ele no estava mancando. Eu estou. Ele me atingiu assim que eu o vi.
- No, no podia ser voc.
- Podia sim - disse Stoneheart logo atrs dele - lembre-se que os
guardas nos atrapalharam... Adams chegou por outro lado e foi atingido
pelo Camaleo na passagem... ele levantou-se e correu atrs dele, no
momento em que voc o viu, achou que era o camaleo... quando tomou
a dianteira, no percebeu a diferena.
	Harry olhou desconfiado para Troy, que mancava... aquela histria
realmente no o convenceu. Desaparatou para So Petesburgo sem dizer
nada e logo estava no metr bruxo, indo para casa. Quando chegou 
estao Shadow Cross e saiu pela West End, sentia-se muito chateado.
Olhou o relgio. Uma da manh. Pegou a moto estacionada perto de
estao e furioso consigo mesmo e com Troy, aparatou com a moto em
frente  sua casa. Sem pacincia, deixou-a do lado de fora, girando
a chave da casa, para entrar rpido. Foi para seu quarto, onde Willy
dormia a sono solto e atirou-se na cama de roupa e sapatos, como fazia
quando as coisas iam mal. Willy virou-se para ele e abriu um olho,
perguntando:
- Foi tudo bem?
- No muito - no adiantava mentir para ela, em dias a notcia
estaria no Profeta Dirio.
- O que houve?
- Adams. Ele estragou tudo.
- Esquea isso. Vamos dormir.
- Est bem - ele disse, levantando-se e livrando-se dos sapatos e
trocando o pijama rapidamente, enfiando-se sob as cobertas assim que
tirou os culos. - Me faa esquecer, Willy... me faa esquecer a
noite que tive - ela sorriu candidamente e o beijou.

CAPTULO 5 - O CETRO AMALIN

	No dia seguinte, Harry estava realmente muito aborrecido, mas
compareceu ainda assim logo cedo  sede do Conselho dos Aurors para
fazer o relatrio. Quem estava l pessoalmente era Avatar Fernandez,
que o aguardava com uma expresso severssima na cabea de leo
orgulhoso. O empertigado bruxo perguntou, assim que o viu chegar:
- Voc tem como provar que no tinha como  ter distinguido o jovem
Adams do Camaleo?
- Porque o senhor est me fazendo essa pergunta, Professor Fernandez?
- Porque ele entrou com uma queixa junto ao conselho contra voc
- Ele o qu?
- Isso que voc ouviu... Ele e o conselho Auror americano esto
dando queixa de voc... eles querem muito pegar o camaleo, nosso
ministrio e o dele esto em uma briga poltica... eu gostaria de
poder intervir, mas s voc pode esclarecer as coisas. Eu sou
presidente do conselho internacional.. terei que tomar uma deciso
- O que o Auror Japons disse? Ele no testemunhou?
- Yamase? Ele tem medo de Adams.
- Banana. Quanto tempo eu tenho para preparar a minha defesa?
- Dois dias. At l, voc e Adams esto afastados do caso.
Stoneheart vai a trs da pista do Camaleo sozinho. Parece que ele
voltou para a Amrica.

	Angus Stoneheart quela hora j estava a caminho de onde eles
achavam que o Camaleo atacaria: o museu bruxo da cidade de Carson,
Nevada, nos Estados Unidos. L estava guardado, agora sob a
proteo pessoal de Rudolph O'Hourke, o cetro Amalin, mas conhecido
como "o suporte da cruz". Stoneheart tinha um pressentimento ruim, mas
no tinha medo... ele achava que algo aconteceria, era uma grande
bobagem suspender Potter e Adams, porcaria de americano idiota, tinha
que dar queixa de uma coisa  toa? Passou a mo, ajeitando os
cabelos, ele estava comeando a ficar calvo. Olhou para uma bruxa que
viajava com duas crianas e pensou em sua mulher... decididamente ele
no iria morrer nessa misso. Se recusava terminantemente a deixar
duas crianas rfs.
	Em Nova Iorque, procurou um lugar seguro e desaparatou para uma cidade
no meio do caminho e de l para Carson... esperava estar ainda 
frente do Camaleo para guardar o cetro. Ele conhecia O'Hourke e
tambm o velho Tee, que antes de se dedicar ao Xamanismo fora
professor na escola onde ele estudara, na Irlanda. Eles trabalhavam com
feitios e invenes, mas juntos eram praticamente imbatveis, e
Tee conseguia saber para onde ia qualquer bruxo que desaparatava na sua
frente, era capaz de seguir qualquer bruxo at o inferno, e isso era
um dom raro, particular dos grandes Xams. Ele chegou ao por do sol e
junto com os dois, refugiou-se na Cmara de Cristal, que guardava o
artefato.
	O cetro era um basto de cerca de quarenta centmetros todo em
ouro, diziam que dentro dele havia a pena da asa do primeiro pgaso.
Quem o portasse com a cruz Gamadin conseguiria localizar qualquer pessoa
sobre a Terra... qualquer objeto... reis haviam disputado o cetro para
encontrar riquezas, e haviam matado por ele. At que o primeiro
guerreiro da Luz, que estivera na terra dos homens mil anos antes de
Luccas Lux chegar, havia separado para sempre as duas partes, levando
cada uma para um lado da terra. Um grande feiticeiro apagou da memria
dos trouxas a existncia do cetro e da cruz, e a humanidade trouxa
desconheceu o objeto por cinco mil anos. O fato dos pgasos estarem
para sempre extintos aumentava a fora do Cetro Amalin. Stonehert
temia pelo que aconteceria se o objeto fosse usado.
	Eles se revezavam vigiando... sabiam que o Camaleo iria tentar pegar
o objeto a qualquer preo, com certeza ele iria invadir o lugar... era
uma espera enervante, e ele achava que era isso que o Camaleo
queria... enerv-los a ponto de errar. Estavam metros abaixo da terra,
numa caverna de cristais onde no se podia aparatar e era impossvel
fazer certas classes de magia. A cada doze horas uma mulher vinha trazer
comida, eles a monitoravam, para saber se no se tratava de um
estranho. No fim da tarde do segundo dia, aconteceu.
	Stoneheart olhava o mapa que mostrava a mulher se aproximando.
Repentinamente ele viu um ponto vermelho no identificado no mapa e
mostrou para Tee e O'Hourke. O pior era que a mulher no se dava conta
da presena do Camaleo, que vinha bem atrs dela, provavelmente
envolto numa capa de invisibilidade. Ela corria perigo.
- Deixe-me ir atrs dele! - disse Stoneheart
- No! - O'Hourke falou. - Eu vou. Fique aqui e proteja o cetro. - ele
pegou a vassoura e a capa de invisibilidade que estavam ali para uma
emergncia e saiu correndo, de dentro da cmara, que Stoneheart
selou  sua passagem. O'Hourke cobriu seu imenso corpo com a capa e
desapareceu. Foi a ltima vez que Stoneheart o viu com vida.
	O'Hourke saiu voando da caverna e pegou a mulher no meio do caminho,
alando vo com ela, ele estava invisvel e ela no entendeu
nada. Ele soube que o Camaleo viria atrs dele, ouviu o som
inconfundvel do silvo de uma outra vassoura cortando o ar. Tinha que
pr a mulher a salvo, era uma bruxa inocente, ele proferiu um
feitio de teleportao e a enviou para casa, agora era entre o
camaleo e ele. Ambos invisveis voando ao por do sol do deserto,
tentando se atingir s cegas, um no sabendo onde o outro estava. A
varinha do Camaleo emitia um espectro verde, e O'Hourke, prestando
ateno, conseguiu finalmente desarm-lo, viu quando a varinha
caiu alm. Virou a vassoura e comeou a jogar feitios de perda de
conscincia ao lu. Na caverna, Stoneheart viu quando  Camaleo
atraiu O'Hourke para um despenhadeiro... na mesma hora soube: O
Camaleo estava armando algum plano. Sem titubear, correu para fora da
caverna, mesmo sob os protestos de Tee.
	Na beirada do despenhadeiro, O'Houke voava, emitindo raios na
direo onde achava que estava o Camaleo. Subitamente este saiu
da capa de invisibilidade e sorriu. Ele apenas fingira estar desarmado.
Trazia a varinha bem segura entre os dedos da mo esquerda. Estava na
pele de um rapaz jovem e disse:
	- Venha me pegar - sorriu e atirou um feitio na direo em que
O'Hourke estava. Na mesma hora sua capa de invisibilidade saiu voando e
caiu suavemente pelo precipcio. O Camaleo sorriu e por um segundo,
mostrou sua verdadeira face. O'Hourke parou a vassoura atnito por um
segundo, e voltando a aparncia de antes, o Camaleo atirou-lhe um
potente feitio Avada Kedavra.
	O corpo de Rudolph O'Hourke caiu no precipcio no exato instante em
que Stoneheart apareceu no fim da colina. Sem saber que ele estava
morto, Stoneheart tentou evitar a queda com um feitio de atrao.
Foi isso que fez com que o Camaleo conseguisse desacord-lo com um
feitio atordoante.
	Ele voltou  conscincia dentro da cmara de cristal. Estava
seguro pela nuca e uma lmina fria de punhal estava encostada no seu
pescoo. O Camaleo o segurava e ele estava totalmente amarrado. O
bruxo maligno falava com Tee.
- Ele vai morrer por sua causa, o que acha? Me d o cetro e ele
vive... no basta a voc ter perdido o patro?  Quer ver o homem
morto tambm?
- Meu patro disse que por nada esse cetro poderia cair nas suas
mos. Vai ter que matar ns dois para peg-lo - disse o ndio
decidido
- Isso para mim no  problema... mas antes, quero te mostrar uma
coisa. - ele tirou algo da veste e atirou na direo do ndio, que
empalideceu. Era uma jia de comunicao e Stoneheart no pde
ver o que havia dentro dela.
- Me d o cetro e ela vive. Espere mais um minuto, e eu dou a partida-
O ndio olhou o Camaleo e Stoneheart ficou quieto. Imaginava do que
se tratava. No censurou Tee mais tarde porque ele entregou o cetro
para o Camaleo. Tee viu pela jia sua nica filha amarrada ao
para choque de um carro trouxa, com o motor ligado, num lugar que
parecia uma estrada muito acidentada.
- L fora ento... e liberte o rapaz, deixe-o aqui.
	Minutos depois, Stoneheart conseguiu com sua fora descomunal romper
as cordas e saiu rapidamente da caverna. Viu o velho Xam  chorando
abraado  uma moa de seus 18 ou 19 anos de cabelos negros. O
Camaleo a havia libertado.
- Para onde ele foi, Tee?
- Aparatou para um lugar no deserto, a estrada do deserto, Km 66
- O que h nesse lugar?
- Algum que ele localizou pelo cetro. V depressa, ele no nos
matou apenas porque estava ansioso para alcanar o que ele viu pelo
cetro.

	O Camaleo observou o caf pelo lado de fora... finalmente. A chave
de tudo afinal estava ali.. ele demorara seis longos anos se preparando
para esse dia. O dia em que escravizaria o homem que havia sido o maior
bruxo negro do ltimo sculo.
	Havia pouca gente ali, ele sentou-se num mesa e devagar, comeou a
conjurar um feitio para que no sobrasse nenhum trouxa no local...
no queria chamar a ateno, no podiam haver muitos
assassinatos no deserto na mesma tarde. Aos poucos, os trouxas foram
deixando o caf at que ficaram s uma mulher, que era a dona do
caf, uma garonete e aquele que ele havia vindo buscar. Em pouco
tempo, a garonete aproximou-se da mulher e pediu para sair mais cedo,
no estava sentindo-se bem. O sol estava se pondo quando ele se
levantou.
- Tom Servolo Riddle... - ele disse e o velho olhou-o, sem entender o
que ele dizia. A mulher atrs do balco olhou-o apavorada. - 
voc, no ?
- Sou. Quem  voc?
- No vale a pena falar meu nome... Expelliarmos - ele disse
desarmando Igraine, que saa de trs do balco. Ele aproveitou
para conjurar cordas nos dois. O homem olhava-o apavorado.
- Quem  voc? - o homem disse
- No interessa a voc... por enquanto. Mas interessa a  ela. Veja
meu rosto, Igraine Fischer...  a ltima coisa que voc vai ver. -
ele postou-se diante dela, de costas para o homem que um dia fora Lord
Voldemort e rapidamente transfigurou-se. Ela olhou o rosto dele e
gritou.
- Avada Kedavra! - ele disse e a mulher tombou morta.
- Igraine? Igraine? O que ele te fez? - a voz do homem ecoou.
- Quem  voc, afinal? - a voz de Angus Stoneheart soou na porta do
bar e o Camaleo transfigurou-se depressa de volta, a nica coisa
que Stoneheart pde ver foi um cabelo loiro e liso, que em minutos
ficou preto, quando o Camaleo se voltou, j tinha outra face, a
mesma que ele j vira antes.
- Dois Avadas Kedavras so o suficiente para um dia s...   - ele
voltou-se e Angus Stoneheart lanou-lhe um feitio de impedimento,
mas ele usava algo que impedia esses feitios banais... uma veste
protetora como a de Harry Potter.
- Caminos Aeros! Ele apontou e Tom Riddle desapareceu - Riu para
Stoneheart e disse:
- Vamos, homem bom... me mate, lance um Avada Kedavra
- Eu no vou fazer isso! Desanguio! -ele gritou fazendo o teto desabar
sobre o Camaleo, mas este desviou-se do pequeno desabamento e
conjurou uma serpente bem no peito de Stoneheart. A serpente mordeu o
bruxo nem bem surgiu. O Camaleo se aproximou do homem, que agonizava
e disse:
- Agora, voc vai ter o privilgio daqueles que morrem pelas minhas
mos... eu vou lhe mostrar meu rosto - ele apontou a varinha para o
rosto e ouviu uma voz atrs de si, antes que pudesse se transfigurar.
- Mostre-o a mim tambm.
	Ele virou-se para ver um bruxo velho de cabelos e barbas prateadas,
nariz torto e com uma veste totalmente branca, de pele de urso polar.
Era Alvo Dumbledore, que sabe-se l como aparatara naquele momento
ali, com uma Fnix no ombro, Fawkes.
- No  uma boa idia - O Camaleo desaparatou rapidamente e a
Fnix voou do ombro de Dumbledore, que fizera a serpente desaparecer.
Fawkes pousou no peito de Stoneheart e comeou a chorar sobre ele. Em
poucos minutos, Stoneheart levantou-se e olhou para ele srio.
- Como... voc no  um Xam. Como soube que ele estava aqui?
	Dumbledore apontou para a mulher morta e mostrou na palma de sua mo
uma pequea pedra que reluzia em vermelho vivo. Stoneheart viu que
Igraine apertava algo no pulso, era outra pedra idntica.
- Eu dei essa jia de alarme a ela. Ela era minha protegida. Disse que
se um dia precisasse de mim, chamasse. Ela deixou para fazer isso na
hora da morte. Uma pena, ela era filha de um dos meus melhores amigos.
- E porque ele levou aquele homem?
- No queira saber o que voc no pode, Angus Stoneheart...
contente-se em ter sido salvo. Ele matou mais algum?
- Rudolph O'Hourke
- Sabe o que isso significa?
- O qu?
- Que eu devo retornar a ativa... acabaram-se minhas frias.

	No dia seguinte, Angus Stoneheart entrou decidido na reunio do
conselho, e Harry pde ver a famosa carranca do auror quando ele
chegou prximo  mesa diretora e pediu a palavra, antes que Troy
Adams ou Harry falassem sobre seu caso.
	- Enquanto este conselho manteve dois dos melhores Aurors desta nova
gerao suspensos, o Camaleo matou dois bruxos, sendo que um dele
era um dos melhores que eu j conheci. Harry Potter e Troy Adams so
culpados por se comportarem como dois idiotas e atrapalharem o trabalho
um do outro. Proponho que ambos sejam obrigados a trabalharem em
cooperao, ou vo acabar se matando acidentalmente. Enquanto eles
competem entre si, o Camaleo amealha poder e faz vtimas. Eu sou o
parceiro de Harry Potter e sei seu valor, e j vi Troy Adams em
ao, e no o acho menos eficiente. Proponho uma colaborao
total j, antes que o Camaleo termine de fazer o que deseja.
	Um silncio mortal pairou pela pavilho negro. A proposta de Angus
Stoneheart acabara de ser aceita.

CAPTULO 6 - AS FOTOS DO PORO

	Nem Harry nem Troy estavam em posio de negociar. O ataque do
Camaleo a Rudolph O'Hourke causara uma comoo na comunidade
bruxa, ele era um dos mais importantes bruxos da Amrica, sua morte
para muitos era sinal que havia finalmente uma fora das trevas
realmente preocupante crescendo e tomando fora. Mas Harry, naquele
momento diante do conselho, no pensava nisso. Ele pensava em Willy.
	Foi ele que recebeu a notcia das duas mortes e teve que contar a
ela. " terrivel v-la sofrer e no ter o que fazer, o que
dizer... pior... ter que ir para o conselho por causa de um inqurito
movido pelo imbecil do Adams... francamente." - ele pensava, enquanto
seguia na moto pelas ruas de Paris rumo ao Pavilho Negro. Naquela
mesma tarde teriam que seguir para a Amrica, Willy precisava enterrar
a av e queria estar nos funerais de seu patro. Ele foi obrigado a
pedir ajuda s nicas pessoas em quem confiava para cuidar de Willy,
e naquela manh, Hermione e Sheeba amanheceram na sua casa para tentar
consol-la de alguma forma.
	Ao v-las, Willy desabou, como ainda no fizera na presena de
Harry. Por algum motivo que ele no compreendia, ela queria parecer
forte para ele, mas diante das amigas no conseguiu se conter. Sheeba
a consolava:
- Calma, calma, Willy... tudo vai ficar bem, voc vai ver.
- Minha av, Sheeba... depois de meu pai, minha me... mas porque
minha av? Porqu? E ainda seqestraram meu tio Tom
- Tio?
- , ele morava l com minha av h alguns anos, na verdade ela
me disse que era um amigo de muitos anos... ele teve problemas e ela o
ajudava. Ele era inofensivo, no fazia mal a uma mosca. - quando ela
disse isso, Sheeba foi assaltada por uma viso, mas ficou calada. Ela
por acaso tirara as luvas e tocara Willy sem elas. Era a primeira vez
que fazia isso desde que ela voltara. No era possvel. Ela nunca
havia visto o que acabara de descobrir sobre Willy.
Enquanto elas estavam na sala, Hermione conversava com Harry e o
explicava porque o Camaleo era to difcil de monitorar:
- Harry... eu acho que ele tem algum objeto que obscurece sua energia.
H um consenso geral que ele  muito esperto, mas pouco poderoso.
Veja o que ele disse para Stoneheart: "Dois Avada Kedavras so
suficientes para um dia s..." ele no tinha fora para repetir o
feitio, e foi a sorte de Stoneheart, pois Dumbledore chegou a tempo
de salv-lo
- Uma coisa eu no entendo. Porque Dumbledore protegia Igraine
Fischer?
- No sei, Harry,  muito estranho isso. E depois de salvar seu
amigo, ele desapareceu novamente, dizendo que estava voltando a ativa
- Porque ele no aparece? Dumbledore sempre teve seu jeito particular
de fazer as coisas, mas eu achava que ele iria aparecer de novo, quando
soube que ele ressurgira. Mas ele sumiu to logo os outros chegaram
 estrada do deserto, e novamente ningum sabe onde ele est. Ele
deve ter algum motivo para fazer isso.

A mamba negra  a cobra mais feroz do mundo. Chegando a quase dois
metros de comprimento, seu corpo negro e escamoso  temido por todos
os nativos da regio sul da frica, onde ela desliza pelas
plancies semidesrticas... uma mamba negra estava adormecida
naquela manh em sua toca, quando sentiu-se puxada de dentro de l,
ela tentou virar-se e morder a mo que a pegava, mas suas mandbulas
estavam presas e ela tentou sibilar furiosa, mas no conseguia.
- Eu fiz bem em te marcar, Nagini. - disse o homem, um velho homem de
barba branca, que rapidamente ps a cobra numa cesta que fechou
firmemente  - vou precisar dar um jeito de guardar voc sem que
ningum possa te localizar. Acho que sei o que posso fazer.

O Camaleo estava furioso. Para que prender Lord Voldemort se ele
no se lembrava mais quem era? E pior, ficava apenas repetindo que ele
no deveria ter matado Igraine... ele tinha razo em suas
convices, o amor realmente era uma coisa intil... Se ao menos
ele soubesse como trazer de volta  lembrana do homem seu passado.
Ele s lembrava do dia que fora levado de Hogwarts em diante, e da
maldita mulher. Nunca se lembraria como libertar o sombrio, nunca. O
Camaleo amaldioou sua prpria falta de talento, ele tinha que
saber desfazer um feitio de memria, no podia ser to simples
assim... quem sabe se ele o torturasse? Mas no podia se arriscar, se
Voldemort voltasse a ser o mesmo de antes e sentisse raiva dele, ele
estaria perdido, porque sabia que no era preo para ele, estando
ele velho ou no.era preciso trazer de volta as lembranas dele e
descobrir o que fora feito do poder dele... por mais que perguntasse ao
cetro, este permanecia mudo. Talvez Voldemort tivesse side derrotado
realmente para sempre e no tivesse mais poder algum, o que de uma
certa forma era bom, ele no queria competir pelo poder com ele e
muito menos dividir o lugar de maior bruxo das trevas. Era preciso tomar
uma deciso rpido. E foi o que ele fez.

	Harry chegou em casa ao meio dia e contou o que acontecera no conselho
para Sheeba, Hermione e Willy, que pareceu no ligar muito. Sheeba
comentou a deciso:
-  melhor que seja realmente assim, Harry, assim vocs dois
resolvem de uma vez isso
- Eu no quero assunto com aquele idiota.
- Voc tambm no queria assunto com Draco Malfoy e se no me
engano vocs hoje em dia so quase amigos...
- Draco mudou, ele sentiu a perda dos pais e se tornou uma pessoa menos
insuportvel. Mas Adams no vai mudar nunca, Sheeba. Ele me odeia,
conforme-se...  mais ou menos da forma que Snape e Sirius se
relacionam, s que com um pouco mais de formalidade, se no fosse o
conselho j teramos sado no tapa, Sheeba.
- Escute, Harry... esquea esse rapaz e pense no seu inimigo real...
esse Camaleo, ele te odeia,e eu sei que vocs esto envolvidos
num combate terrvel muito perto, em Hogwarts. Voc no est
mais sob feitio de confuso, mas ele est. Quantos dias o
conselho te deu?
- Trs dias. Vamos hoje para Nevada, depois dos funerais, voltamos e
eu estarei  disposio da Ordem.
- Posso te pedir uma coisa?
- O que, Sheeba?
- Deixe Willy na minha casa quando voltar. Ela vai precisar de mim.
- Mas...
- Por favor, Harry. Quando voc estiver no deserto, mexendo nas coisas
de Igraine Fischer, entender porque. Agora, cuide dela... e leve os
luons com voc, ela vai precisar de algo que a anime, tem uma caixa
cheia deles no armrio de vassouras. E no aparate com Willy, v
voando de moto at Nova Iorque, de l vocs podem desaparatar.
- Vem c, no tem mais nada no? - Hermione, que observava a
conversa calada comeou a rir, realmente, quando Sheeba achava que
estava fazendo a coisa certa se tornava mais mandona que ela.
- Bem, na verdade, tem sim. No tire sua roupa protetora nem por um
minuto sem estar num lugar isolado. E no deixe que Willy fique sem
comer, ela est anmica.
	Harry olhou para Hermione, que tentava no rir... Sheeba continuava a
mesma, sempre querendo alimentar todo mundo.

	Enquanto voava sobre o Atlntico com Willy na garupa, abraada a
ele, ia pensando no grande quebra cabea que era o Camaleo: Ele
podia fazer uma transfigurao total, mas no tinha fora para
fazer mais que dois Avada Kedavras no mesmo dia... ele estava amealhando
poder, mas fazia coisas sem sentido: para que seqestrar um bruxo
velho que todos diziam que era meio maluco? Finalmente: porque ele
juntara tanto dinheiro assassinando trouxas, se queria despertar o
corao das trevas? Se soltasse o Sombrio, dificilmente haveria
alguma diferena entre ser rico e pobre, a no ser que ele quisesse
adquirir algo antes de libertar o Sombrio.

- Muito bem, senhor  Ouif, fechamos ento... com certeza eu vou
comemorar. No  todos os dias que eu fecho a venda de um castelo.
- Certamente, no -  sorriu o homem, um velho de aparncia estranha,
cabelos muito brancos e rosto meio cado e assimtrico. - Muito
menos pagando em dinheiro vivo...
- Realmente... - o corretor disse, examinando a pasta que continha dois
milhes de dlares em dinheiro vivo - o senhor gostou mesmo do
lugar... - ele  no via graa nenhuma num castelo meio arruinado
s margens de uma floresta gelada e a alguns quilmetros de um
povoado onde no havia sequer eletricidade e as pessoas tinham fama de
bruxas.
- Eu posso transformar este castelo em um lugar... encantador, pode ter
certeza. Onde eu assino?
- Aqui.
- timo - ele disse e assinou: Camyllo Ouif - O senhor no imagina
meus planos para este castelo.

	Os funerais foram para Harry extremamente tristes e maantes. Qual
no foi sua surpresa ao constatar que Dumbledore comparecera a ambos,
que foram em dias diferentes, mas nos dois funerais, desapareceu antes
que Harry pudesse sequer se aproximar, apenas o cumprimentou de longe.
Aquilo intrigou-o demais. No era do feitio de Dumbledore aparecer e
sumir sem ao menos trocar algumas palavras com ele. Aquilo era muito
estranho, muito estranho mesmo.

	No final do segundo dia, quando finalmente tudo terminara, ele e Willy
estavam juntando coisas que ela iria levar, e coisas que ela daria. Para
ela parecia doloroso, mas aos poucos, ela ia se conformando e pensando
na av com amor e saudade. Ela foi mostrando a ele as fotografias
(Igraine parecia adorar fotografias, havia dzias delas no poro da
casa,  em caixas e lbuns, de Hogwarts,  da poca em que ela
estivera sumida do mundo bruxo, de quando se radicara na Amrica,
havia fotos dela com Rudolph O'Hourke, e Willy disse que o Sr. O'Hourke,
que era um solteiro, provavelmente amara Igraine no passado, mas
no fora correspondido certamente:
- Quando ele vinha aqui em casa - ela sorriu - ficava olhando para minha
av com um olhar lnguido, assim - ela olhou-o com uma cara
engraada e ele riu - Josie chamava de "olhar de Marshmallow"...
Josie, pena que ela foi embora h tanto tempo, teria previsto o que
aconteceu... tinha o toque de cassandra.
- Eu sei. E quem era o tal tio Tom?
- Eu no sei... mas acho que h muito tempo eles foram namorados.
Ele chegou aqui um dia, eu estava na escola e no sei como foi, s
sei que minha av disse que ele era um amigo, que tivera problemas e
estava doente e que algum pedira para ela cuidar dele. Veja: eu que
tirei essa foto dele - ela tentou mostrar a foto para ele, mas sem que
houvessem percebido, havia escurecido, o sol fora embora. Ela ia
levantar-se para iluminar o ambiente quando ele abriu uma caixa e cerca
de sessenta luons flutuaram em volta dela, pousando-lhe nos cabelos
longos. Ela sorriu, os olhos cheios de lgrimas. - S voc, Harry.
- Agradea a Sheeba,  - ele disse ternamente - ela me  intimou a
traz-los. Willy, isso se reproduz?
- No... com o tempo eles vo evaporando, mas eu fiz muitos na
ltima semana, eu fao a poo e cristalizo, depois ela se solta
e eles aparecem... tem uns quinhentos l em casa.
-  to bonito v-la assim, com os cabelos iluminados...
- Veja, Harry, eles esto iluminando a foto. Tio Tom no tinha um
rosto bondoso? - ela apontou a foto e ele finalmente olhou direito para
o rosto do bruxo. Ele lembrava algum, mas ele no sabia quem. Era
apenas mais um velho. Quando Harry a levara embora h uma ano
lembrava-se dele vagamente, ela o apresentara, mas eles haviam escapado
to rpido que ele nem notara direito o velho... ele tinha cabelos
bem grisalhos e era meio calvo, as faces encovadas e um nariz reto, fino
e comprido.Decididamente lembrava-lhe algum, mas parecia uma pessoa
abobada se mexendo na foto, at onde lembrava dele, tinha o mesmo ar
ingnuo pessoalmente.
- , ele tinha um rosto bondoso - ele disse e ela sorriu, os luons
flutuando sorridentes  sua volta. Pareciam risinhos luminosos e a
faziam mais linda. Estavam ambos sentados como crianas no cho do
poro da casa de Igraine Fischer, havia fotos por todos os lados, a
pouca luz de fora  entrava por uma minscula janela no alto. Ele a
abraou com fora e beijou, e amaram-se naquele momento mais que
nunca, com os luons flutuando ao redor, iluminando tudo  sua volta.
	Muito tempo depois, ela sussurou que precisavam terminar de arrumar as
coisas e  iria iluminar a casa, ele no deixou, abraando-a e
prendendo-a ao seu lado. Ela finalmente o convenceu que era preciso que
comessem alguma coisa e saiu para o pavimento trreo da casa, enquanto
ele ficava ali, iluminado pelos sorrisos dos luons. Comeou
preguiosamente a mexer nas fotografias, at que abriu uma caixa que
parecia bem antiga. Havia dentro dela fotos de bruxos com ares obscuros,
deviam ser as recordaes de Igraine do tempo em que servira s
trevas.
	Foi tirando fotos e fotos, numa curiosidade sem fim, algumas fotos
tinham legendas: Ismenia Zabini, Ebenezer Crabble (seria um parente do
Crabble de Hogwarts?), Lucila Miles Malfoy (ser a av de Draco?),
Griphus Malfoy III (esse com certeza era parente de Draco, com aquela
cara comprida)... engraado, no havia foto alguma de Voldemort, e
estava chegando ao fim da caixa, estava olhando a foto de Zaratustra
Goyle (quem em s conscincia pode chamar o filho de Zaratustra?),
Marshall Bulstrode... no. Nenhuma fotografia de Voldemort... ele ia
guardar as fotos na caixa(t vendo a baguna que voc fez, Harry?
Arrume isso antes que Willy veja), quando percebeu que na verdade a
caixa parecia ter um fundo falso e forou um pouco, fazendo-a ceder.
	Caram algumas fotos e ele as examinou curioso. Na primeira, Igraine,
jovem estava brincando com um menino que devia ter seus quatro anos
(Atlantis!), havia uma dedicatria: "Minha filha, perdoe-me se nunca
pude fazer isso com voc. Espero ser para seu filho o que no fui
para voc, seu pai..."
	- Aristteles Hemerinos! - murmurou Harry, atnito - ento, ele
no era pai de Atlantis afinal, mas de Igraine... Hemerinos era o
bisav de Willy.
	Ele sentiu uma agitao no peito quando pegou a fotografia
seguinte...Igraine olhava para a lente com um olhar assustado, s
vezes olhava ao redor, apavorada, havia uma coisa escrita atrs:
"Lembrana dos tempos de medo que vivi, graas ao pai de meu
filho..." Igraine escrevera isso e Harry reparou que na fotografia ela
estava grvida. Ele pegou outra foto, a sensao desagradvel
aumentando  medida que ia examinando-as. Era agora a foto de um bruxo
de perfil, srio, que quando ele pegou, virou-se para ele com um olhar
severo, rindo maliciosamente em seguida... era um homem entre 20 e 30
anos... mas ele o conhecia... virou a foto apenas para confirmar, havia
uma dedicatria que era quase uma ameaa: "Para voc Igraine, uma
lembrana do nico homem que voc vai amar em sua vida. Tom Riddle
- 1960". Harry sentiu o cho fugir, ao ligar os fatos. Mecanicamente
pegou a ltima foto, que mostrava Igraine e o bruxo sorrindo, ele j
tinha o ar mau, parecia com a lembrana que Harry enfrentara doze anos
antes em Hogwarts... "Amor clandestino, Igraine e Tom, Itlia, 1957".
	Harry ps as fotografias de volta no fundo falso e o lacrou,
lembrando-se de frases que escutara e que agora subitamente faziam
sentido:
	"Meu nico herdeiro homem est morto"
	"Eu nunca soube quem era meu pai... minha me no hesitou em jogar
um feitio de memria em mim para que no soubesse..."
	"Ele est com algum que tem afeto por ele" "Algum tem afeto por
Voldemort?" "No, algum que amou Tom Riddle.."
	"Tio Tom." Tom Srvolo Riddle... Lord Voldemort. Seus olhos se
arregalaram e ele saiu do estado de semi entendimento que mergulhara...
Willy era neta de Lord Voldemort!

CAPTULO 7 - UMA PAUSA NAS INVESTIGAES.

	Harry no sabia o que fazer com o que descobrira. Foi muito difcil
esconder de Willy o quanto isso o abalara. Agora ele se pegava olhando
para ela e pensando "Ela  neta de Voldemort! Como vou dizer isso para
ela?"
- Harry? - a voz de Willy fez ele dar um salto, estavam jantando no bar,
agora fechado, ela preparara qualquer coisa para eles comerem
- H?
- Harry, onde voc est? Eu estava te dizendo que agora vai haver
uma grande modificao na Organizao onde trabalho e voc
ficou olhando pra ontem... o que est acontecendo? De repente voc
ficou esquisito.
- Nada, eu estava pensando no que fazer quando voltarmos. Eu vou te
deixar com Sheeba e Sirius.
- Porqu? Eu estou triste mas vou ficar bem.
- No  isso - ele mentiu - eu no sei porque o Camaleo
seqestrou seu...tio e ele pode estar atrs de voc. Sirius e
Sheeba esto de frias, as aulas no comeam antes de Setembro,
se voc preferir, eu levo a nossa casa para Hogsmeade. Voc vai
estar mais segura l.
- Pensando bem... acho que ser melhor assim.
- Claro, em algumas semanas Hermione e Rony vo estar l, voc
sabe que vo comear o filme sobre a minha vida... acho que 
melhor, enquanto eu estou envolvido neste caso que voc fique perto de
pessoas que eu confio.
- Est bem. Vamos amanh?
- Assim que voc se reunir com seu novo chefe. Eu preciso estar em
Londres na sexta-feira, vou me reunir com a "comisso"  agora somos
quatro, o Japons pediu dispensa, mas vou ter a colaborao do seu
amiguinho.
- Ah, Harry, no comece. Venha.
- O qu? - ela o puxou e levou-o para o lado de fora, estava uma noite
lmpida, a lua minguante e uma quantidade imensa de estrelas num cu
arroxeado e luminoso. Os luons haviam ido atrs deles e cintilavam
sorridentes  sua volta.
- Esse  o cu mais bonito do mundo, no ?
Harry olhou primeiro para o cu, depois para ela. Era o cu mais
lindo que j vira realmente. E agora? Ele contava para ela ou a
deixava sem saber de nada? Os luons punham luzes e sombras no rosto
dela, e ele lembrou-se novamente de uma noite h tanto tempo atrs,
quando ela lhe roubara um beijo. Sorriu. Naquele dia ele achava que ela
era filha de um Comensal da Morte, e isso no importara. Agora,
tambm no importava se ela era neta de Voldemort. Ela a abraou e
decidiu que no contaria nada. Era melhor assim.

Dois dias depois, ele estava interno num esconderijo desativado desde a
poca em que Voldemort estivera no poder pela primeira vez. Cinco
Aurors discutiam sobre as ltimas descobertas sobre o camaleo.
Olho tonto Moody descobrira que ele passara primeiro ano em que surgira
sediado na Frana, mais exatamente no submundo de Paris, ali
comeara sua carreira de assassino. Em um ano seu preo subira
absurdamente. Ele usava vrios nomes, mas suas contas em bancos
trouxas estavam em nome de Camyllo Ouif. Espalhou fotos com as
aparncias que ele normalmente usava sobre a mesa. Eles olharam
curiosos. Realmente, quando resolvia sair de seu ostracismo para
trabalhar, Moody era muito eficiente.
Stoneheart mostrou a aparncia que ele assumira quando matara Hourke,
que aparentemente era a mais usada: um jovem branco de olhos e cabelos
negros, Troy confirmou que era a mesma que ele usara em Odessa. Moody
disse que para isso ele provavelmente teria que possuir um determinado
objeto bem raro, j que todas as comisses de investigao
haviam concludo que ele no dominava a arte da transfigurao
total. Moody tirou uma figura de dentro de sua pasta, ela fora retirada
de um livro antigo. Parecia um pndulo, com uma pedra azulada na ponta
"A PEDRA DE LIMOGES", dizia a legenda.
- Eu tenho para mim - comeou Moody - que ele tem uma destas. Eu fiz
um levantamento, no comeo ele andava encapuzado, e lidava somente com
trouxas, fazendo pequenos crimes. Da conclumos que ele no
poderia fazer transfigurao total. De alguma forma ele conseguiu
uma pedra de limoges como essa e comeou a us-la.
- E como ele conseguiria uma pedra de limoges? - perguntou Troy com um
olhar cnico - elas esto banidas. Matam quem as usa por muito
tempo.
- No  bem assim - disse Moody - elas matam a quem pertencem.
Pedras de maldio... mas muitas famlias ainda tem pedras de
limoges escondidas em seus stos e pores... elas valem muito
dinheiro, mas s so consideradas de algum se a compra 
atestada por um registro no brevirio de famlia. Ele pode ter
roubado a pedra de algum, que deve estar doente por causa disso...
Uma luz acendeu-se na cabea de Harry... Draco, ele estava doente e a
famlia dele era famosa por ter alguns objetos proibidos. Mas havia
apenas um ano que estava doente, e o camaleo vinha usando a pedra
h pelo menos cinco anos, no. No podia ser Draco.
- Quanto tempo ser que demora para uma pessoa ficar doente por usar a
pedra? - perguntou Harry, pensando ainda em Draco.
- Depende da pessoa. Alguns podem adoecer gravemente logo, outros
desenvolvem doenas por anos e anos.
- E para desfazer a maldio  preciso um feitio?
- Sim, ou o dano permanece para sempre... mas  necessrio destruir
a pedra primeiro, depois que ela comea a sugar a vida da pessoa, s
passa com um feitio muito potente. Uma contramaldio poderosa.
- E o que ns vamos fazer agora?
- Vamos para Paris - disse Moody - descobrir como o Camaleo se tornou
quem ...
Harry permaneceu calado, olhando para Troy, Moody, Stoneheart e Mr.
Sandman. Era melhor no pensar em Draco por aquele momento.

Em Paris, Moody os abandonou e eles se separaram. Estavam todos
transfigurados de forma completamente diferente, ele como seu alter ego
"Joe" e Stoneheart como "Jack"... Troy fez uma minuciosa
transformao de cabelo e pele, mas teve srios problemas quando
tentou mudar a forma do prprio nariz e acabou desistindo. Mr. Sandman
disse que os encontraria num bar dentro de uma semana depois e deu a
eles a misso de vasculhar o submundo de Paris em busca de indcios
da vida do Camaleo entre os trouxas antes de se tornar quem fora.
Descobriram muito pouco, no dava para investigar sem parecer
suspeito, mesmo usando plulas de francs para falar sem nenhum
sotaque.
Ao final do quarto dia, Harry estava muito desanimado, sentado num
caf prximo ao centro de Paris. Fazia mais de uma semana que no
via Willy, e no podia mandar nenhuma coruja para ela tambm, porque
realmente tinha que ficar incgnito por ali. No haviam avanado
sequer um milmetro na investigao sobre o Camaleo. Sabiam que
ele fizera contatos espordicos no submundo de Paris h pouco mais
de cinco anos, e logo cometera o primeiro crime, matando um juiz
parisiense. Esse crime, que passou por acidente de carro, deu-lhe fama
entre os assassinos de aluguel. De alguma forma, os trouxas interessados
em matar algum sempre chegavam a ele.
Ele tivera um intermedirio por dois anos, um trouxa chamado apenas de
Reubens, que desaparecera por completo. E isso era tudo que eles sabiam.
Faltavam pedras demais nesse quebra cabea. Porque afinal de contas
ele se tornara um assassino profissional de trouxas? Pelos clculos
dele (que entendia mais de dinheiro trouxa que qualquer um outro pelo
tempo que vivera entre eles) ele j amealhara uma fortuna de cerca de
seis milhes de Libras, o que dava uns dez milhes de dlares e
cerca de um milho de galees. Era bvio que ele matava por
dinheiro, e matar sem deixar marcas como um bruxo sabia fazer era muito
valioso. Mas para que um Bruxo ia querer dinheiro trouxa?
Passou  mo no rosto para espantar os maus pensamentos. Depois
comeou a pensar em como seria  bom dar uma desaparatada rpida para
passar pelo menos um dia em casa, mas no podia estragar o seu
disfarce, eram estes disfarces que impediam que aurores como ela
acabassem com a cara como a de Olho Tonto Moody. Sentia falta de seus
amigos, Rony, Hermione... quase no os via, e isso era chato. Suas
vidas haviam se separado depois de sua formatura, os interessas de cada
um haviam mudado. Por onde andariam Simmas Finningan, Dino Thomas,
Lil Brown? Estes realmente ele no tinha notcias h anos...
at dos dois chatos irmos Creevey, Colin e Dnis ele sentia
alguma saudade. Mas sentia mais saudades era da poca que vivera em
Hogwarts, com todos os problemas terrveis que passara por l.
No que a vida atual fosse ruim: tinha uma boa casa, tinha um bom
trabalho, continuava trocando corujas com os amigos mais prximos,
ainda via Sirius com uma boa freqncia, e sabia que o padrinho
agora se sentia um tanto frustrado, talvez fosse a crise dos quarenta,
ele no sabia ao certo. Mas sabia que embora Sirius amasse Hogwarts
tanto quanto ele e gostasse de ser professor de defesa contra as artes
das trevas (o primeiro que durara mais que um ano em muito tempo!),
sentia falta de algo mais em sua vida. Algo que nem Sheeba e as
crianas conseguiam lhe oferecer.
"Ser que ningum est satisfeito? Isso  que  afinal ser um
bruxo adulto?" Ele pretendia quem sabe passar mais uns anos como auror e
depois licenciar-se e tentar at ser professor de Hogwarts, mas no
professor de defesa contra as artes das trevas ou outra coisa
complicada... no. Queria ser professor de vo. Seria muito mais
divertido, com certeza. s vezes se pegava pensando se no tinha
sido um idiota ao recusar-se a ser jogador de quadribol profissional,
ele teria sido grande e sabia disso "melhor que o imbecil do Adams, com
certeza"... agora era tarde, ningum comeava uma carreira no
quadribol aos 24 anos. Victor Krum aos 28 j estava pensado em
aposentar-se, ele sabia porque s vezes o blgaro lhe mandava um
carto os pases que visitara. No momento ele estava na frica, e
disse que pensava em abrir uma escola de Quadribol por l.
Mas tudo isso ele pensava para evitar pensar na sua recente descoberta
sobre Willy. Um dia eles teriam filhos. E seu sangue se misturaria ao
sangue de Voldemort... ao sangue de Slyterin. Imaginava um filho ou
filha dele mandando uma coruja: "Papai, entrei pra Sonserina, no 
legal?" No, decididamente, no era legal imaginar que podia ter um
filho na Sonserina. Era engraado como ele nunca pensara nisso quando
Willy era da Sonserina. Parecia para ele na poca muito incoerente que
ela fosse da Sonserina, ela era to...boa.
S os anos mostraram a ele que afinal isso no tinha a ver com
bondade ou maldade, mas sim com as qualidades principais de um
Sonserino: a ambio e a ousadia, e Willy tinha as duas coisas: ela
era incansvel ao trabalhar oito horas por dia nas suas invenes
e ele sabia que o que ela queria era inventar algo que fosse importante.
Isso era ambio. A ousadia ela sempre soubera que ela tinha, desde
o dia que a vira entrar no campo de quadribol arrastando uma vassoura
descabelada e enfiada numa veste grande demais pra ela.
E ela tinha o sangue de Voldemort... Atlantis tambm tivera, mas fora
bom a ponto de morrer para libertar Luc.  E agora, maquinando, ele
imaginava se ele no fizera isso justamente porque Voldemort se
revelara como pai de Atlantis. Mas agora Atlantis no estava mais ali
para dizer nada a ele. Era uma pena. Imaginava que grande av no
seria Atlantis, que era tambm um do homens mais justos e inteligentes
que ele j conhecera. Ser que ele e Willy teriam filhos bons?
- Se juntarmos a coragem de um grifnrio  ousadia e ambio de
um sonserino... provavelmente teremos um bruxo que ningum vai querer
ter como inimigo, sabia? - uma voz falou baixo bem prxima a ele.
Harry deu um pulo e encarou uma pessoa que ele no vira sentar-se ao
seu lado. Arregalou os olhos para encarar um velhinho de cabelos longos
e barba idem muito prateadas,  sentado bem ao seu lado com uma xcara
de chocolate quente  frente. Dumbledore! Ele usava uma veste longa e
uma capa discreta (para padres "dumbledorianos") ambas de um azul
muito escuro. A capa tinha um capuz.
- Professor.. desde quando o senhor l pensamentos e aparece assim do
nada?
- Eu no apareo do nada, Harry - Dumbledore sorriu - nem muito
menos leio pensamentos. Mas sou bom em tirar concluses. Quando
Igraine foi morta eu imaginei que voc acabasse descobrindo que Willy
era neta de Tom Riddle. E me inteirei de seu paradeiro com Mr. Sandman,
ele  um bom amigo e me disse que voc andava meio calado... Quando
eu te achei aqui e vi voc olhando para o nada... bem, eu conclu
que voc s podia estar pensando sobre voc e Willy. E obviamente,
no futuro com os filhos que voc pretende um dia ter. Acertei?
- Em cem por cento - sorriu Harry
- Bem, est na hora ento de esclarecer algumas coisas. Venha comigo
- Ele o levou at um lugar deserto e disse: Vamos desaparatar juntos,
pense: "Seguirei Dumbledore".
	Harry seguiu as ordens do professor e o seguiu. Aparataram em um
cemitrio deserto e pequeno, ambos acenderam as varinhas. Eram as
primeiras horas de uma madrugada de Segunda feira e no se via nada
muito alm dali. Dumbledore andou com ele pelo cemitrio at
chegar em frente a dois tmulos idnticos, com pedras cobertas de
hera e lpides iguais, escritas em baixo relevo. Harry teve um choque.
Era a primeira vez na vida que visitava o tmulo dos pais. Ele olhou
para Dumbledore.
- Onde estamos?
- No Cemitrio de Goodrich's Hollow. Eu no venho aqui desde o
enterro deles, Harry. Mas tenho pago algum para cuidar que seus
tmulos estejam sempre bem.
- O que eles tem a ver com isso?
- Voc lembra quando eu disse a voc que Riddle era o ltimo
Slyterin?
- Lembro. E no era.
- Mas era o ltimo que sabia ser um deles. Sabe, Harry, eu fui muito
amigo de Aristteles Hemerinos... quando ele era presidente da
fundao cometeu um deslize.. ele era casado, mas no tinha
filhos. Ele teve um romance com uma bruxa... desse romance nasceu
Igraine.
- A av de Willy.
- Sim. Hemerinos no a assumiu. A bruxa que era me dela a criou
sozinha, mas Hemerinos pediu que eu olhasse por Igraine, e na poca
certa, ela foi para Hogwarts. Igraine foi uma menina inteligente e
rebelde... exatamente como Willy. Quando ela estava em Hogwarts, seu pai
ficou vivo e tentou se aproximar dela. Ela no quis saber dele.
Estava revoltada por nunca ter sido ajudada pelo pai... Ningum sabia
do romance dela com o jovem fenmeno Riddle, apenas eu.
- Desde que ele entrara para a escola eu o observava. Eu sabia que ele
era especial e podia desvirtuar-se muito facilmente. Um gnio. Qual
no foi minha surpresa quando notei que ele e Igraine estavam se
apaixonando um pelo outro. Por algum tempo, achei que esse romance o
salvaria. Ento ele desapareceu, e deixou-a para trs. Ela se tornou
uma bruxa do mesmo tipo que fora sua me. E cinco anos depois de
formada, desapareceu tambm, sucumbiu  tentao de seguir
Riddle para o lado das trevas.
- Quando ela reapareceu me procurando e pedindo proteo, estava
grvida e temia pela prpria vida. Eu a levei para que seu velho pai
cuidasse dela, mas ela me escondeu a histria da garra da sombra, eu
no sabia que ela a possuia.Tudo foi bem at ela resolver abandonar
a fundao. E da em diante, voc j sabe a histria. Em
todos esses anos, imaginei que ela ainda amasse Tom Riddle, e estava
certo.
- Ento, quando Atlantis contou sua histria... o senhor j sabia
que ele era filho de Voldemort?
- Sim. Quando eu vi voc e Willy entrando na minha sala arrastados por
Snape no dia em que comearam a namorar - ele riu e Harry no pde
deixar de rir tambm - eu lembrei de uma velha histria... quando os
fundadores iniciaram Hogwarts, Slyterin ainda no era um bruxo das
trevas, mas j no ia muito com a cara de Griffndor. E era
correspondido nesta antipatia. Rowena Ravenclaw, que tinha o toque de
Prometeu...
- Como Sheeba!
- Exatamente... tradicionalmente as bruxas pitonisas sempre acabam na
Corvinal por isso. Bem, Rowena fez uma previso que exasperou muito
Slyterin e Griffndor. Ela disse que no adiantava eles brigarem, pois
um dia teriam um descendente em comum. Curioso. Demorou mil anos para
que isso acontecesse.
- O senhor est dizendo... que eu sou um descendente de Griffndor? -
Dumbledore apenas assentiu com a cabea.
- Foi por isso que Voldemort quis te matar, Harry. Historicamente, os
descendentes de Griffndor sempre derrotaram os descendentes de Slyterin
que desviavam-se para o lado das trevas... ele quis derrotar seu pai e
no deixar sequer um nico Griffndor vivo. Por isso quase poupou sua
me.
	Harry digeriu as informaes por alguns segundos e ento encarou
Dumbledore. Realmente. O velho bruxo continuava com o dom de
surpreend-lo.

CAPTULO 8 - O BREVIRIO MALFOY
(no fim da fic, alguns esclarecimentos sobre os fantasmas que aparecem
neste captulo)

- Desculpe, Harry, se demorei anos para te dizer isso... mas acho que as
coisas devem ser reveladas sempre no momento certo, e achei que
finalmente este era o momento. O nome Griffndor sumiu na areia do
tempo... mas eu sempre soube que a famlia Potter era descendente
direta da linhagem de Godrich Griffndor. Se nunca te contei, foi porque
voc no precisava saber. Agora, que  adulto e pensa em ter
filhos,  bom que saiba sobre Griffndor e Slyteryn e tudo que fizeram,
para o bem ou para o mal, para poder entender os filhos que voc e
Willy ho de ter - o velho sorriu;
- Professor... eu sei que o senhor no est envolvido nisso, mas eu
queria saber sua opinio sobre o caso do Camaleo - o rosto de
Dumbledore se tornou grave e ele encarou Harry antes de comear a
falar:
- Bem, eu nunca imaginei que algum fosse descobrir onde eu havia
deixado Riddle. E nem muito menos que ele sem poderes nem memria
pudesse interessar a algum. Se voc quer a minha opinio, este
Camaleo  um bruxo com uma dose muito grande de frustrao.
Veja o que ele vem obtendo: dinheiro e poder... para qu? Sandman me
disse que ele pretende despertar o sombrio, e acredito que ele no
saiba muito bem o que est fazendo... o Sombrio pode se aliar a um
mortal, mas jamais vai se deixar escravizar...
- E o que Voldemort tem a ver com isso?
- Ele  o nico que sabe os detalhes do ritual que liberta o
sombrio... mas sua memria foi para sempre afetada, duvido que o
Camaleo consiga reverter totalmente o feitio que fiz. Eu tomei
algumas providncias. Eu tenho certeza que o Camaleo est
interessado nos poderes que Voldemort possuiu, embora no possa
us-los ou retir-los do portador, ele deve com certeza querer
us-los como moeda de troca com Voldemort... por isso escondi a
portadora num lugar onde nem o Cetro Amalin pode descobri-la. Ganhamos
tempo para descobrir quem ele  afinal de contas...
- Professor... eu tenho uma desconfiana - Harry comeou a falar das
concluses que Moody chegara e da pedra de limoges, finalmente, de sua
desconfiana sobre Draco, que parecia cada vez mais doente. Citou
inclusive a histria suscitada no dia de seu aniversrio de que
Draco estaria preparando-se para executar um feitio do filho
salvador.
-  uma possibilidade - ponderou Dumbledore - e uma possibilidade bem
considervel. Voc tem que descobrir ento onde anda o brevirio
da famlia Malfoy e l, descobrir se eles tem uma pedra de limoges
registrada, e em nome de quem ela est.
- E como vamos achar o brevirio Malfoy? - Harry sabia o que era um
brevirio de famlia desde os 18 anos, quando Dumbledore aparecera
na escola Alem e lhe entregara o de sua famlia. Era uma espcie
de dirio onde estavam registrados todos os objetos mgicos que uma
famlia possua e as relaes e acordos. Examinando o
brevirio da famlia Potter, que datava de 1309, Harry descobrira
por exemplo que a origem da fortuna que estava depositada no Gringotes
remontava do grande renascimento bruxo, no sculo XV, onde um
ancestral seu havia desenvolvido feitios preciosos e poes
milagrosas... tambm fora um Potter que inventara as capas de
invisibilidade. Ele guardava seu brevirio no Gringotes, onde ser
que os Malfoy guardavam o deles?
- Se voc quer minha opinio - comeou Dumbledore - creio que o
brevirio Malfoy no est com nenhum dos irmos de Lcio, que
era o mais velho, nem com Draco... provavelmente os Malfoy guardam o
brevirio da maneira mais antiga.
- Que maneira  essa?
- Sob a guarda de um fantasma ancestral.  uma forma de garantir que o
brevirio no cair em mos estranhas.
- E como vamos conseguir descobrir onde ele est?
- Vamos voltar para Paris, Harry... eu tenho uma vaga idia. Mas
voc vai execut-la sozinho, j o ajudei demais.
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- No sei porque, mas acho que isso no vai dar certo. Vamos ter que
fuar cada cemitrio de Paris, e no temos tempo para isso.
- Ora, Angus, voc tem idia melhor? Dumbledore me disse que a
origem dos Malfoy  francesa. Eles esto na Inglaterra h menos de
cem anos, antes moravam em Paris.  muito mais provvel que o
Brevirio esteja aqui.
- Isso  procurar uma agulha num palheiro - disse Troy de mau humor -
e alm do mais quem te garante se o Camaleo est usando realmente
a pedra de limoges e que ela pertence aos Malfoy?
- Adams, eu no sei se voc teve essa aula na escola de Aurors que
voc freqentou... mas eu aprendi que devemos CHECAR TODAS AS
POSSIBILIDADES, entende? - disse Harry mau humorado.
- Que divertido... vamos entrar em todos os cemitrios de Paris e
procurar onde est o tal brevirio... divertidssimo. - disse
Troy, com uma cara muito contrariada.
- Se  assim, fique aqui e espere Mr. Sandman voltar de mos
abanando... ele vai adorar saber que voc no descobriu nada... -
Stoneheart disse - e eu acho que vai ser uma tima desculpa para nos
livrarmos de voc. Acho que voc tem razo, Potter. Basta checar
os registros e descobrir se temos um Malfoy enterrado l.
Na prtica, a coisa foi um pouco mais complicada. Todos os
cemitrios de Paris eram muito antigos, e havia um pelo menos um
Malfoy enterrado em cada um deles. Eles usavam um espectrmetro
detector de fantasmas, coisa de auror. Mas no encontraram um nico
espectro da famlia Malfoy at o anoitecer, quando faltavam apenas
dois cemitrios para visitar: Montmartre e Pre Lachaise.
- Ou essa famlia resolve muito bem seus assuntos na terra ou eles
assombram algum castelo em vez de ficar perto das suas tumbas - disse o
eternamente mau humorado Stoneheart quando saam do cemitrio de
Montmartre - acho que estamos realmente chegando a lugar nenhum... onde
vamos agora -perguntou olhando para Harry
- Para o Hotel, no? - perguntou Troy - j est de noite. No
d para consultar nenhum registro. A secretaria de qualquer
cemitrio fecha...
- Mas ns no precisamos de registro - disse Harry, decidido - se
queremos um fantasma, tudo que precisamos  consultar o
espectmetro. Voc tem medo de fantasmas, Adams?
- No seja ridculo, Potter. S no quero perder tempo com
inutilidades. No vamos encontrar nada em um cemitrio  noite.
- Bem, se voc no quiser ir conosco, volte para o hotel - disse
Stoneheart, encerrando o assunto.
 Minutos depois, os trs aparatavam s portas do cemitrio Pre
Lachaise. O ponteiro do espectmetro fantasma deu um salto.
- Nossa! - disse Harry - eu nunca vi um lugar com tantos fantasmas!
- Excelente - disse Stoneheart. Um deles deve ser o tal Malfoy que
procuramos.
Eles entraram no cemitrio, que era antigo, cercado por grades altas.
De todos os que haviam visitado, era o mais lgubre e sombrio. A lua
no cu emprestava um ar mais fantasmagrico s tumbas de pedra. O
espectmetro parecia louco, mas at chegarem ao meio da alia
principal, no viram nenhum. Stoneheart comentou:
- Creio que os fantasmas daqui sejam muito tmidos para aparecer...
- Este  o fim... meu nico amigo, o fim... - disse uma voz bem
atrs deles. Eles viraram-se para encarar um fantasma de um homem de
no mximo 30 anos, cabelos longos e costeletas, que usava uma estranha
cala do que parecia couro, apertada e uma camisa aberta que deixava
ver seu peito. Ele sorriu de uma forma meio estpida e ficou de ponta
cabea quando eles olharam para ele - Oi... eu sou o Jim.
- No liguem para ele... morreu de overdose, vai passar o resto da
eternidade doido - disse outra voz e eles se viraram para encarar
outro fantasma, este mais velho e mais gordo, com uma cara meio
entediada e grandes olhos claros, usando uma casaca de modelo antigo.
Tinha um dos braos atravessado diante do corpo e com a mo oposta
segurava o queixo examinando-os atentamente. - Normalmente basta essa
nossa apario para espantar visitantes inoportunos... mas parece
que eles no tem medo da gente, Jim.
- E da? - disse Jim, que danava de cabea para baixo - quantas
vezes eu tenho dizer pra voc, Oscar, que na verdade eu morri de
ataque cardaco?
- Quem morre de ataque cardaco no v passarinos azuis chilreando
sobre seu tmulo todas as manhs... Meu Deus... eles no se
assustam mesmo, Jim! Vocs so exorcistas ou coisa parecida?
- Bruxos - disse Harry calmamente - e vocs?
- Muito prazer - O fantasma mais gordo estendeu uma mo branca - Oscar
Wilde, o maior poeta de todos os tempos
- Ei! Eu sou o maior poeta de todos os tempos! - disse Jim, que parara
de danar e flutuava deitado sobre a cabea de Troy, que no
parecia nada satisfeito com isso - Jim Morrinson, muito prazer...
vocs devem me conhecer.
- Nunca ouvi falar... - disse Stoneheart bem insatisfeito
- Ah! Bem feito - disse Oscar - eu sempre digo que voc no 
to imortal quanto pensa, Jim Morri-son!
-  Morrinson! - gritou Jim contrariado - porque no me enterraram
na California? Eu poderia visitar Elvis de vez em quando...
- Voc sabe muito bem que Elvis no morreu, Jim.
- Tudo bem... - disse Harry, tentando no se irritar com a discusso
dos fantasmas - vocs parecem ser fantasmas legais. Ser que
poderiam nos ajudar?
- Legais? Voc me chamou de legal? - Oscar disse, num tom ofendido que
lembrava a Murta que geme - Ns somos...geniais! Voc est em
Pre Lachaise! A maior concentrao de gnios desencarnados que
o mundo j viu
- Oscar, ser que dava para voc fazer silncio? - um fantasma
magricelo e alto cruzou o ar tossindo um pouco - estou tentando fazer
uma composio post mortem! - ele tinha uma pena apoiada na orelha e
uma aparncia realmente doente.
- Frederic! Que bom te ver - disse Oscar com um ar malicioso - Esses
senhores nunca ouviram falar em Jim Morrinson!
- Eu te disse, Jim, voc no  to popular quanto pensa - disse
Frederic, bem satisfeito - com certeza j ouviram falar em Chopin! -
sorriu o fantasma meio envaidecido
- Na verdade no viemos aqui para conhecer celebridades - disse
Stoneheart bem contrariado - estamos fazendo uma investigao e
somos bruxos. Se vocs no colaborarem eu prometo que fao um
feitio para prender os trs no tmulo por uns seiscentos anos-
Harry olhou para ele sem aprovar muito, sabia que fantasmas so muito
sensveis. Os trs fantasmas ficaram encarando-os um tantinho
contrariados e Harry tentou consertar
- O que meu amigo quis dizer  que seria timo se pudssemos ser
ajudados por fantasmas to... clebres. Ser que existe por aqui
algum fantasma de um bruxo chamado Malfoy?
- Malfoy, Malfoy... Frederic, voc conhece algum Malfoy?
- No me lembro - Chopin disse, coando a cabea com a pena - Jim?
- Well - disse Jim, que girava pelo ar - eu acho que tem um l na ala
norte, ele no  muito amigvel... mas acho que Isadora conhece
ele.
- Novidade - disse Oscar contrariado - quem Isadora no conhece?
- Voc tem inveja dela, seu enrustido - disse Chopin com um sorriso
maldoso - Isadora  maravilhosa.
- Demais, com aquele pescoo deslocado - disse Oscar pondo a lngua
para fora e imitando a cara de um enforcado - no h jeito
ento... melhor cham-la. Isadora Duncan! Onde voc est?
O fantasma de uma mulher de cabelos longos emergiu lentamente de um
tmulo, danando. Tirando o fato de seu pescoo deslocado pender
para o lado, totalmente quebrado, ela era bastante bonita, usava uma
roupa difana e uma longa echrpe, que enrolou no corpo quando
pousou delicadamente diante deles.
- Boa noite, meus amigos... Oscar, voc continua um dndi muito mal
comportado - ela disse, fazendo beicinho.
- No ligue para ele, mon amour - disse Chopin, pegando a mo da
fantasma e levando aos lbios. Quando vai danar para minha
msica?
- Ahn... assim que puder. Oh, ol Jim. - Jim Morrinson abriu um
sorriso enorme para a fantasma e disse:
- Come on, Baby, light my fire... ser que voc pode ajudar esses
carinhas primeiro? Eles so meio vivos, mas acho que no tem
problema, n, baby? - Isadora finalmente tomou conhecimento da
presena dos trs bruxos e sorriu:
- Bruxos? - eles olharam a fantasma espantada - conhecia muitos bruxos
quando era...h, viva.- sorriu - em que posso ajudar.
- Voc sabe se aqui tem algum bruxo chamado Malfoy? Um fantasma para
ser mais exato? - Harry perguntou. Ela deu um grande sorriso
- Para algum vivo voc  bem bonito... eu adoro olhos verdes! -
ela acariciou a cara de Harry, com sua mo fantasmagrica gelada e
ele ficou embaraado - Sim, mon amour, eu conheo um bruxo chamado
Malfoy... e acho que s eu me dou com ele por aqui
- Ela se d com todo mundo - disse Oscar azedamente.
- Eu levo voc at ele, mon chrie - disse a fantasma, passando
por Harry com sua longa echrpe o atravessando. Eles a seguiram, com
Stoneheart e Troy reprimindo um riso. Foram andando pelo cemitrio
cheio de fantasmas ilustres, a quem Isadora ia cumprimentando:
- Aqueles so Rosseau e Victor Hugo - ela acenou para dois fantasmas
que jogavam cartas - esto h cem anos disputando pquer...
Mondigliani, mon joujou! - u, fantasma alto e magro jogou a ela um beijo
- ele foi pintor,  italiano... muito temperamental. Oh! Ol Mata
(ela foi uma espi, dizem que foi das boas, talvez meio azarada) - ela
cumprimentou uma fantasma muito bonita com a parte da frente da roupa
toda destruda por tiros -  E aquela  Sarah Bernardt, levando sua
perna amputada pra passear. Alexandre Dumas pai e filho... vo passar
a eternidade discutindo problemas familiares, ol Edit! - ela apontou
uma fantasma que cantava para uma pequena platia de almas penadas
sobre um tmulo - nem a morte destri a voz de Piaf! Chegamos, mes
amis! Mausolu Malfoy.
Era um mausolu grande e negro, com duas esculturas de grgulas 
porta, e sobre a porta em arco uma inscrio: MALFOY MALEFICIO. A
fantasma entrou direto pela porta fechada e eles ficaram do lado de
fora, pois ele estava fechado a cadeado. Ela ps a cabea do lado de
fora e disse:
- Esqueci que vocs esto vivos... acho melhor no tentarem passar
sem a autorizao dele... eu vou tentar conseguir traz-lo para
fora - ela sorriu e  sumiu novamente tmulo a dentro. Depois do que
pareceu uma eternidade, em que toda hora um fantasma curioso vinha
espi-los, ela saiu de l trazendo o fantasma de um rapaz
assustadoramente parecido com Draco Malfoy, s que de cabelos
compridos e trajado  moda do sculo XVIII. Harry e Troy arregalaram
os olhos.
- O que vocs querem comigo - a voz dele tambm era igual a de Draco
e tinha o mesmo tom entediado e arrastado que ele usava na poca de
Hogwarts.
- Ele  muito parecido com Draco -disse Troy para Harry.
- Draco  meu gmeo... voc no pode conhec-lo, ele morreu
h cento e oitenta anos - disse o fantasma olhando Troy com desprezo
da cabea aos ps. - Meu nome  Griphus.
- Muito prazer - disse Harry - o que meu amigo quis dizer  que voc
tem um ancestral muito parecido com voc.
- E ele se chama Draco? Porque toda glria sempre foi para ele? Draco
era meu irmo mais idiota.
- Na verdade... precisamos de sua ajuda.
- Minha ajuda? E quem disse que eu ajudaria algum vivo? Eu estou
morto h duzentos anos e no apareceu nenhum vivo para me ajudar -
, era a velha filosofia Malfoy... Harry tentou achar algum argumento
que o dissuadisse. Olhando a aparncia doente dele e concluindo que
ele era jovem ao morrer, teve uma sbita idia.
- Por acaso... voc morreu por causa de uma pedra de Limoges? - o
fantasma perdeu (mais) a cor. Pareceu ficar bem chateado.
- Sim, porqu? Mas no fui eu que usei a pedra... ela apenas estava
no meu nome, foi o idiota do Draco. Ele acabou comigo.
- Muito triste - disse Isadora abraando o fantasma que esboou um
sorriso.
- Voc no gostaria que isso acontecesse de novo, no  mesmo?
- Com algum da minha famlia? Eles bem que merecem, ningum se
preocupou em me salvar quando eu morri.
-  voc que guarda o brevirio da famlia?
- Sou - o fantasma parecia cada vez mais irritado - e o que voc tem a
ver com isso? J no basta eu ter que guardar esse dirio idiota?
 muito chato quando todos os seus parentes acabam levados por
demnios com quem fizeram acordos... eu sou o nico fantasma na
famlia.
- Escute, Gripus... ns achamos que algum roubou a pedra de sua
famlia. Precisamos saber qual a ltima vez que o brevirio foi
modificado, e em nome de quem est a pedra.
- E o que eu ganharia dizendo? - nesse momento Isadora cochichou alguma
coisa no ouvido dele e ele abriu um grande sorriso. Ela deu uma
piscadinha discreta para Harry, por trs dele.
- Ento? - perguntou Harry
- H um ano - disse o fantasma - Numa segunda feira. Um jovem veio e
modificou. Ele era um Malfoy, sem dvida alguma - o fantasma fez um
gesto e a porta do mausolu se abriu. Um livro veio voando l de
dentro e pousou nas mos de Harry - pode ver o registro - disse
Griphus Malfoy.
Harry olhou a ltima pgina, o ltimo registro:
"A partir desta data, a pedra de Limoges da famlia Malfoy pertence a
Draco Malfoy."
- Se quer minha opinio - disse o fantasma - ele fez uma grande
burrice. Ele j no parecia muito saudvel na poca.
- Temos que ir - disse Harry aos outros - Muito obrigada, Griphus,
obrigada, Isadora - ele soltou o livro, que voou de volta para o
interior do mausolu - Draco passou a pedra para o nome dele. Temos
que descobrir porque ele fez isso!
Os trs Aurors saram correndo pelo cemitrio. Harry lembrou-se de
agradecer tambm aos outros fantasmas, que estavam parados no mesmo
lugar. Ao v-los sair, Jim comentou:
- Eles so legais... mas pessoas so estranhas, quando voc  um
estranho - disse, recomeando sua estranha dana. Oscar comentou:
- Porque no me enterraram em Montmartre?


CAPTULO 9 - ETERNA PRIMESSENCIA

	Enquanto Harry procurava o Camaleo, em Azkaban Luc continuava a se
torturar pela presena de Bianca. Ele agora a evitava mais e mais, mas
ao mesmo tempo se sentia obcecado por ela, no passava um minuto de
seu dia sem saber onde estava a jovem bruxa, sem vigiar o que ela estava
fazendo... estava descuidando da priso e ficava cada vez mais
difcil desempenhar as tarefas simples. Ele estava irritadio e
cansado,  e pela primeira vez desde que despertara, comeava a sentir
a necessidade de uma  noite de sono.
	Alm de no precisar dormir, toda vez que o fazia ele sonhava com
seu irmo, Abel, que viera dois mil anos antes dele para o mundo dos
homens, quando ele ainda era um menino. Ele nunca mais vira Abel, nem
sabia o que fora feito dele, sabia apenas que por causa dele, que
segundo os mais velhos, havia sido atraioado,  que o mundo dos
Guerreiros da Luz havia dado as costas totalmente para o mundo dos
homens, pois Abel jamais voltara.
	Em seu lugar, veio o sombrio. Ele cresceu com medo do sombrio, um ser
obscuro e terrvel que fez seu mundo mergulhar num reinado de mais de
dois mil anos de escurido. At que sob o custo da prpria vida, o
mais velho dos guerreiros o expulsou como vingana para o mundo dos
homens. Intimamente Luc achou aquilo muito injusto. Ningum tinha
provas que haviam sido os homens que haviam mandado o sombrio ou feito
Abel desaparecer. Quando um bruxo abriu um portal e suplicou pela
piedade de um guerreiro da luz, ele se viu impelido a segu-lo.
	Sair de seu mundo foi como sentir mil agulhas furarem seus olhos, a
ltima coisa que viu foi a densa plancie das terras da luz e o
rosto de sua me, a pitonisa que sabia que perderia dois filhos para o
mundo dos homens. E ela lhe dissera que um dia havia de iniciar uma nova
raa com uma mulher mortal, e disse a ele que um dia ele encontraria
Abel... isso fora h tempo demais. Com o tempo ele perdeu a
esperana de encontrar Abel, ele realmente sumira de forma
inexplicada. Depois de prender o Sombrio, ele vivera dois milnios no
mundo dos homens procurando, at que perdeu a esperana e resolveu
adormecer... e de seu sono s despertou para matar os errantes.
	Agora, sentindo a brisa do mar que entrava pela pequena janela de seu
quarto, pensava no perfume das flores negras, o perfume que no sentia
desde que deixara o seu mundo. O perfume de Bianca Fall.

	Bianca por sua vez, sentia cada dia mais crescer a atrao
irresistvel pelo Guerreiro. Era impressionante como podia sentir algo
to forte por algum com quem no trocara mais que algumas
palavras, todas elas sem o menor significado sentimental. Ela sabia que
se ele deixasse, ela o amaria muito mais que amara Harry, com mais
intensidade e calor. Porque pela primeira vez, desde que Harry entrara
em sua vida, ele no era mais nada, apenas um pequeno espectro
esquecido no passado. Nem sequer pensava mais nele.
	Ela sempre comparara os homens que conhecera com Harry, desde que se
lembrava de t-lo conhecido... e eles sempre saam perdendo. Quando
seus olhos viram Luccas Lux pela primeira vez e ela ouviu sua voz calma
e baixa, ela no pensou em mais nada, nem se lembrou que um dia
conhecera Harry Potter. Ela dali em diante s conseguia sentir,
primeiro uma curiosidade intensa, depois, uma ansiedade por v-lo, por
olhar para aquele rosto via de regra srio e calado.
	E era triste constatar que ele a ignorava, ou antes a evitava. Ela
chegara a concluso que era muita pretenso achar que um dia o
Guerreiro sasse de sua posio para sequer prestar ateno em
uma condenada como ela. E aos poucos aquilo foi deprimindo-a, ela foi
sentindo-se morrer por dentro. Uma tarde, achou que as coisas mudariam
um pouco. Acabara de concluir uma bela bailarina mgica, que tocava
uma msica delicada, um brinquedo suave e difano que segurava na
palma da mo. A bailarina danava delicadamente e sorria para ela.
Ele passava reto pelo salo de trabalho quando se deteve e veio na
direo dela, sem hesitao.
- Eu gostaria de examinar esse brinquedo - ele disse, srio. Ela
passou s mos dele a pequena bailarina, feita com madeira mgica
e tecidos magicamente conjurados, que ela precisara manipular com luvas
para no afetar os braceletes. A bailarina danou ao som de sua
msica nas mos dele, que no pde deixar de sorrir.
- Parabns - ele disse, ficando srio novamente - ningum nesta
ala trabalha como voc.
	Ela sentiu uma alegria enorme com esse elogio, mas nada alm disso
aconteceu. Os dias se passaram e ela voltou a ficar triste. Ela no
sabia o quanto ele se censurava por ter feito aquilo, por ter se
aproximado dela novamente. "Eu no posso, eu no posso..." ele
pensava furiosamente. Mas ela no lhe saa mais do pensamento, e
eram as noites, quando ele se aplicava em ouvir-lhe a respirao
durante o sono, quando o perfume dela adormecida lhe chegava mais
fortemente s narinas e os suspiros dela durante o sono o enlouqueciam
 que ele se culpava mais e mais pelo que sentia.
	Uma noite, ele estava deitado em seu catre, como fazia agora cada vez
mais freqentemente, porque perdera o prazer de sentir o ar da noite,
porque no conseguia mais nem sentar em seu rochedo em paz e no
queria afastar-se mais ainda dela, ele levantou-se de um salto. Ouvira
um rudo inconfundvel, e esse rudo vinha direto do quarto de
Bianca, que adormecida, no sentia que uma aranha grande e mortal
patinhava horrivelmente prxima  sua mo, cada do leito onde
estava deitada de bruos. Ele saiu correndo do quarto, sempre atento
ao som da aranha... ele tinha que chegar antes que acontecesse algo, ele
imaginava que pelo som, a aranha estava muito prxima a ela...
	Quando ele estava perto da porta da cela, ele ouviu que Bianca se mexia
no sono e ouviu o barulho terrvel das presas da aranha cravando-se
nos dedos dela. Correu os metros que faltavam e abriu a porta da cela
num repelo, ouvindo do leito a respirao j agonizante dela.
Ele aproximou-se e com uma mo, esmagou a aranha que estava grudada
 mo dela, atirando-a  longe. Rapidamente ps-se a sugar pela
ferida o veneno da aranha, mas sentia pelo calor febril que irradiava do
brao dela que j era quase tarde demais.... ela ia morrer.
	- No! - ele disse rouco e espalmando a mo direita sobre o
corao. Agora, no pensando sequer no que fazia, ele simplesmente
gritou: - Eterna Primessencia! - ele no se lembrava em seu mundo ou
nesse de ter sentido de uma vez tanta dor. Seu corao parou de
bater e ele sentiu que parte da vida era arrancada violentamente do seu
corpo. Ento, seu corao voltou a bater, e sobre sua mo ele
sentia um calor vivo e pulsante, que depositou sobre os lbios dela,
que achou tateando seu rosto. Aproximou seu rosto do dela, e ,
tocando-lhe os lbios com os seus, soprou a batida de seu corao
para ela... um violento espasmo sacudiu seu corpo, e ele sentiu que ela
voltava  vida... - Viva... por favor, viva. - ele murmurou junto aos
lbios dela, imediatamente encostando o ouvido no seu peito para
ouvir-lhe o corao, que agora batia no mesmo compasso que o seu.
Ele sorriu e perdeu a conscincia.
	No soube quanto tempo passou at que voltou a si, com ela lhe
acariciando os cabelos e dizendo palavras tristes e desencontradas,
chorado uma tristeza que ele ficou ouvindo calado.
	- Porque? Porque voc me deixou viver? Era realmente melhor que eu
morresse! Agora, como vou viver? Como vou viver te vendo e to
distante, depois que voc esteve perto de mim? To perto de mim?
	Ele ergueu-se e ela se sobressaltou. Ele ficou um segundo hesitante,
sentindo a respirao dela, sentindo o calor do corpo dela prximo
ao dele. No, agora no tinha mais volta... agora ele j a
escolhera. Ele estendeu a mo para ela sem dizer nada e disse:
- Venha comigo. - Ergueu-se e levou-a pela mo at o rochedo mais
alto de Azkaban. A noite ia alta, ainda era pouco mais de meia noite, um
vento frio soprava pelo o oceano, varrendo a superfcie com ondas que
quebravam ruidosamente nos penhascos l embaixo. Ele tocou com a ponta
dos dedos os grilhes dela, que desapareceram na mesma hora, assim
como a gargantilha. Ento, ele deu um alto assobio e Fidias surgiu,
vindo de sua caverna. Bianca ficou boquiaberta com a beleza daquele
drago luminoso como a lua. Ele subiu na cela e estendeu-lhe a mo,
ordenando:
- Suba.  - ele permaneceu com a mo estendida que ela hesitante
segurou, ento ele puxou-a e sentou-a na sua frente, atravessada na
cela do dorso do drago, abraando-a com firmeza antes de dizer a
Fdias - vamos. - O drago alou vo e ele ficou um minuto
sentindo-a em seus braos sem dizer absolutamente nada. Ela tambm
ia muda, o corao aos saltos, sem saber dizer o que pensava. Ele
comeou a falar:
- Desde que voc chegou eu sabia que era voc... Eu senti seu
perfume de flores negras horas antes de voc chegar, quando voc
ainda estava a quilmetros daqui... eu estive fugindo disso desde que
voc chegou, eu estive me enganando e me escondendo at esta noite.
O destino me obrigou a fazer uma escolha, Bianca Fall... ou eu te perdia
ou te fazia quase igual a mim... e eu no posso ficar sem seu perfume,
eu no posso ficar sem sua voz, porque eu te amo como eu nunca amei
ningum, e eu te amo porque eu te espero desde que cheguei neste
mundo, h quatro mil anos...eu te amo, Flores Negras.
	Ele a beijou com fora e paixo, e ela agarrou-se a ele, sentindo o
ar da noite que escapava por entra as asas do drago, ele a queria
tanto quanto ela a ele, e para ela aquilo era a felicidade como nunca
sentira, era mais importante que estar condenada, que estar em Azkaban,
que ter perdido toda vida que vivera antes. Era a redeno, era o
amor, que finalmente chegava a ela na mesma intensidade que ela sentia.
Ele ento a abraou e mostrou a ela por onde ele e Fdias voavam
quando ele saa de Azkaban, falando no seu ouvido o que ele ouvia e
sentia para cada paisagem que ela via, e ela falava para ele o que via
para cada perfume que ele sentia, e eles riram muito, suas risadas
ecoando no silncio da noite sobre o mar. E foi muito depois que eles
voltaram a Azkaban e ele a levou para seu quarto, prometendo que dali
ela no sairia mais.
	Mas quando o dia amanheceu, ela levantou-se e disse
- Eu no posso ficar aqui. Isso prejudicaria voc. Devo voltar 
minha cela. Devolva meus grilhes.
- Mas...
- No, Luc. Devolva. Eu sou uma condenada. No posso te
prejudicar... eu continuarei te amando em segredo, mas temos que fingir
at minha pena acabar.
- Tem algo que voc no sabe, Flores Negras.
- O qu?
- Quando eu te salvei... eu no apenas te salvei.
- Como assim
- Eu te fiz imortal, Flores Negras. Neste mundo voc jamais morrer,
assim como eu.
	Bianca sentiu o baque da informao. Abriu a boca, mas no
conseguiu dizer nada. Ele ficou mudo, pensando se fizera o certo, at
que ela disse:
- Ento, por mim est bom... mas ningum pode saber disso por
enquanto. Para quem  eterno, quatorze anos devem passar mais
depressa.
	Ele sorriu. Naquele momento ele teve certeza que era por ela mesmo que
esperara durante quatro mil anos.

	Durante o dia, eram estranhos,  noite, amavam-se como nunca duas
pessoas haviam se amado dentro dos limites daquele rochedo. Os elfos
guardies protegiam esse amor: quando s oito e meia soava o toque
de recolher, e eles a acompanhavam e a cobriam com uma capa de
invisibilidade, levando-a at ele, que a esperava ansioso e feliz. E
nunca se viu o guerreiro da luz to feliz quanto nestes dias em que
ele e sua "Flores Negras" se amaram.
	Ela descobriu que no sentia mais necessidade de dormir, que em muito
seu corpo se modificara como o dele, necessitando de cada vez mais menos
sono, ele dissera a ela que em alguns anos ela seria como ele, capaz de
ficar meio decnio sem dormir. E as noites eram deles, que voavam
livres no drago, indo cada vez mais longe, alm doa mares, acima de
onde os homens podiam v-los, e essa liberdade era melhor para Bianca
que a que jamais tivera.
	Conforme se conheciam, o inevitvel aconteceu: Ele perguntou a ela
porque afinal ela estava ali. E sentindo seu peito se esvaziar de
angstias, ela contou a ele toda sua vida, desde o momento em que
descobrira que seu pai fizera brinquedos perigosos ao  momento em que
fora presa em Hogsmeade. Ele no a julgou ou repreendeu, mas sentiu-se
triste por ela ter se sacrificado de tal forma.
	- Hoje eu vejo que era esse meu destino.. - ela disse, os lbios
colados ao ouvido dele - jamais teria te conhecido se no tivesse
vindo para c... estaria mais infeliz que estou presa...
	Ele ento decidiu contar a ela sua histria, e falou de Abel, seu
irmo, de como ele desaparecera sem explicao ou vestgio e de
como o Sombrio ocupara seu mundo, tentando apagar a luz perene de seus
campos para governar e escravizar os Guerreiros da Luz. E como o lder
deles morrera abrindo um portal para que o Sombrio fosse solto no mundo
dos homens, onde espalhou uma era de trevas e medo, que ele veio
finalizar.
- E como voc o venceu? - perguntou Bianca, olhando os olhos cegos
dele que ainda assim fascavam de raiva quando falava no inimigo de
seu povo.
- Quando cheguei a esse mundo, eu estava desorientado... cheguei s e
desarmado para lutar contra um ser mau e poderoso... o grande feiticeiro
que me trouxe conjurou armas do metal roubado dos elfos superiores, e eu
sentia o poder delas, mas era pouco... Eu havia trazido comigo apenas um
bem do reino da luz: o ovo de um drago da luz, escondido nas minhas
vestes. Mas mesmo que fosse um Drago adulto, seria impossvel
enfrentar o Sombrio em p de igualdade. Ento confiei o ovo ao bruxo
e resolvi aprender a me mover neste mundo sem contar com minha viso,
que ficara no meu mundo... e em um ano, eu sabia sentir quem se
aproximava, aprendi a escutar o corao de uma ave a milhas de
distcia, a ouvir o suspiro de uma mulher mesmo estando de costas para
ela - ela sorriu - a sentir o calor, o frio, e todas as sensaes
que antes apenas eram sensaes, e agora eram ferramentas de
sobrevivncia.
- No dia que atravessei uma floresta desconhecida sem tropear e
sabendo onde sair com mais segurana, eu soube que estava pronto. Era
hora de enfrent-lo... e eu o desafiei.
- Como ele era?
- Frio, gelado... como se estivesse morto. Quem o viu disse que ele
escondia o rosto sob uma mscara. Ele no falava, nem em meu mundo
ele nunca disse nada, apenas obrigava quem estava em seu caminho a fazer
o que ele queria, ele possua um artefato mgico capaz de  parar o
corao de qualquer ser mortal, tornando-o um morto vivo, um escravo
do sombrio, e ele tinha mais de quinhentos deles... o artefato no
podia me atingir, mas de alguma forma, a bruxa que se aliou a ele sabia
meus pontos fracos.
- Voc tem pontos fracos?
- Tenho. O canto do corvo me ensurdece... o cheiro de enxofre queimado
me desorienta, torna meu sentido de olfato intil... e fazer com que
eu leve  morte um mortal pode me deixar vulnervel...  a nica
forma de poder me matar neste mundo: cravar em mim uma arma que eu tenha
usado contra um mortal. Ela usou as duas primeiras coisas contra mim, e
desorientado, me ps diante de um mortal, fazendo-me acreditar que era
o sombrio... no ltimo segundo, porm, recuperei minha audio e
ouvi a respirao dele...  eu fugi e resolvi me preparar melhor.
- Como?
- Eu no era preo em fora para ele sozinho, quanto mais sendo
ajudado por uma bruxa trevosa. Com a minha mgica, tornei o bruxo que
me trouxera temporariamente invulnervel com um escudo, ele ento a
desarmou e prendeu. O Sombrio avanou para ns, eu corri at uma
armadilha que eu havia preparado, com ele em meu encalo, atirei-me em
um buraco que levava ao fundo de um lago subterrneo num caverna, que
se ligava atraves de canais ao lago da plancie, e assim que ele
entrou atrs de mim, o bruxo selou a entrada, que ficava sob o
pavilho onde a bruxa criava seus corvos.  Eu corria pelos corredores
da caverna com ele atrs de mim, tentando chegar rapidamente 
gua. Acontece que desde a poca em que ele estivera em meu mundo,
eu sabia que o Sombrio no enfrenta duas coisas diretamente: o sol e a
gua. Eu atirei-me na gua e nadei, pelos canais subterrneos
at sair no lago da plancie onde quase mil anos mais tarde ergueram
Hogwarts.  E ele ficou preso entre a gua e a tampa mgica protegida
por sete feitios secretos que meu amigo conjurou. E l est at
hoje. Meu conhecimento sobre o sombrio valeu mais que minha fora. E
depois dele, nunca mais enfrentei ningum que fosse to poderoso.
Naquele mesmo ano, eu comecei a treinar Fdias, que era um filhote,
nunca houve um drago como ele aqui, nem no meu mundo. E eu lutei
at cansar de lutar, por mil anos... ento, quando me deparei com os
errantes, me prontifiquei a proteger a plancie mgica deles... e
estive morto para o mundo por mil e duzentos anos - ele sorriu - mil e
duzentos anos de sono sem sonhos.
- E agora?
- Agora... s o agora importa - ele disse, abraando-a, mas ao mesmo
tempo prestando ateno no movimento que comeava a sentir em
algum lugar ao leste, onde uma fora maligna comeava a se
mobilizar.



CAPTULO 10 - UMA FOLGA E UM PROBLEMA.
	
	Enquanto Troy foi deslocado para Nova Iorque e Stoneheart para Londres,
ambos para investigar o caso da pedra e de Draco, Harry recebeu uma
folga merecida, afinal ele no via Willy h mais de duas semanas e
nesse meio tempo Troy e Stoneheart j tinham recebido suas folgas. Ele
aparatou com motocachorro em Hogsmeade ao anoitecer de uma Sexta feira,
teria que voltar a Londres num Domingo.
	Willy tinha passado a gostar de ficar ali, estava pensando em pedir a
ele que ficassem definitivamente no povoado, s se mudando quando
realmente ele tivesse que ficar um tempo muito longo fora. Ela recebera
da professora McGonnagal uma sala para pesquisar em Hogwarts, e matava
as saudades da sua escola favorita todos os dias de oito s seis da
tarde, ir para um trabalho em vez de ficar trancada trabalhando em casa
a estimulava muito. Ela j o esperava, tendo trado a paisagem
conjurada da janela para v-lo chegando. Viu rindo ele lutando para
enfiar a moto dentro da garagem, desta vez levando a melhor. Ele entrou
pela porta da garagem sorrindo e os dois se abraaram.
- Ento? Sentiu minha falta?
- Desde que voc saiu... - ele fez uma cara de criana - como foi?
	Ele contou sua ida a Paris, omitindo o encontro com Dumbledore, e a
estranha visita a Pre Lachaise e o encontro com o fantasma de Griphus
Malfoy. Ela suspirou:
	- Minha famlia no tem brevirio... quer dizer, a famlia de
minha me tem, mas a de meu pai... minha av disse que ramos uma
longa linhagem de bastardos.
	Mais uma vez Harry se viu no dilema entre contar a Willy sua origem e
dizer a ela que ela era descendente de Sliteryn e neta de Voldemort...
no tinha realmente o direito de omitir isso dela naquele momento...
passou a mo nos longos cabelos dela e disse:
- Voc gostaria realmente de saber mais sobre sua famlia? - ela
acenou a cabea, pensativa, estava comeando a escurecer. - Willy,
encontrei Dumbledore em Paris... eu estava num dilema e ele me ajudou,
uma vez ele disse que a verdade  sempre melhor. Tem umas coisas que
eu descobri que acho que voc deveria saber. - ele levantou-se e foi
at onde ele guardara sob feitio as fotos que achara na caixa de
fundo falso, e voltando, mostrou-as a ela, examinando seu rosto para
tentar descobrir o que pensava. Ela franziu a testa e olhou para ele,
boquiaberta.
- Harry... esse ...? - Harry balanou a cabea em assentimento.
Ela comeou a respirar forte e rpido como um bichinho
- Ento... ele esteve esses anos todos l em casa, com minha
av... Harry, ele  meu av? Eu sou neta de Voldemort? Ele que era
o pai de meu pai?
- Exatamente... eu te contei porque acho que voc tem o direito de
saber.
- Mas ele  seu inimigo! - ela afastou-se dele - Harry... ser que ?
- Isso sem dvida no importa. No foi com ele que eu me casei,
foi com a neta dele. E seu pai nada tinha a ver com o pai dele. E voc
tem ainda o sangue de sua me... no v, Willy? Nada disso mais
importa.
- Importa se ele voltar... parece que tudo conspira para juntar o
destino de vocs dois!
- Talvez conspire - Harry disse calmamente - eu tenho uma histria
para te contar.
	Ele repetiu para ela a histria dos fundadores de Hogwarts e da
profecia de Rowena Ravenclaw, feita bem antes de Slyterin se tornar um
mago das trevas... e de como era irnico que afinal de contas, ele, o
ltimo Griffindor acabasse casado com ela, a ltima Slyterin. Ela
ento sorriu.
- Mil anos para cumprir uma profecia...
- Por mim, nem mais um minuto - ele a abraou e eles se beijaram
longamente, rolando despreocupados pelo tapete da sala, que tinha muitos
centmetros de espessura. Comeou a cair um intenso temporal l
fora e esfriou um pouco, mas quem ligava? Harry apontou a varinha para a
lareira e disse: - incendio! - e chamas alegres apareceram nela,
estalando alto de vez em quando. Ele fez um gesto com a varinha e disse
"Accio", pensando numa garrafa de vinho toda especial que ele guardara
na adega e esta tinha acabado de chegar s suas mos quando a
lareira comeou a dar uma srie de estalos que ele conhecia bem. Ele
fez uma cara aborrecida e disse:
- Quer ver como  algum problema? O que , Stoneheart? - a cabea
de Angus Stoneheart apareceu no meio das chamas e ele estava srio
como sempre.
- Malfoy desapareceu.
- O qu?
- Sumiu. A mulher dele no sabe onde ele foi, Adams no o achou, ele
no est em Londres, nem em Nova Iorque... em lugar algum.
- Essa no... j experimentaram Frana e Portugal? A Famlia
Malfoy tem vinhedos nos dois pases.
- Negativo, ele no est em nenhuma das propriedades deles. Disse
 mulher que vinha no Metr mundial para Londres passar um dia e
desapareceu. Sabe o que  mais estranho? Ele estava licenciado, no
estava a servio do ministrio. Mas disse  mulher que iria
visitar o ministrio Londrino para descobrir o que havia acontecido.
- Isso  muito estranho. O que eu devo fazer, quais as instrues?
- No vamos tir-lo da hoje - Stoneheart deu uma olhada
significativa para a garrafa nas mos dele, que corou ligeiramente -
Mr. Sandman mandou isso para voc - uma carta flutuou da lareira at
Harry, que a pegou - as instrues esto a. - Sinto muito,
Sr Potter - Willy fez um gesto resignado - vamos ver se descobrimos o
que aconteceu com ele. At amanh, Potter
- At amanh, Stoneheart - ele disse e viu a lareira estalar e o
rosto do bruxo desaparecer. - Droga.
- Pelo menos temos uma noite juntos
- ... - disse ele, usando a varinha para desarrolhar o vinho - onde
ser que Draco se enfiou? - disse, mais para si mesmo que para ela.
	Ele no calculava como Draco estava perto deles.

	A menos de cinco quilmetros de Hogsmeade, o Camaleo torturava Tom
Riddle. O velho bruxo estava imobilizado, amarrado numa pedra no salo
principal do castelo que ele comprara... era divertido torturar o velho
Voldemort... mestre das trevas, pois sim... ele era o novo mestre das
trevas, quando descobrisse os trs desarmes necessrio para quebrar
os trs feitios que libertavam o sombrio, dos sete conjurados, ele
sabia os quatro primeiros... quando soubesse os trs ultimos, ele se
livraria para sempre daquele estorvo. Mas antes, tinha que quebrar o
maldito feitio de memria, e tentava fazer isso despertando no
bruxo o dio, e comeava a conseguir seu intento, ele ainda no
lembrava quem era, mas o dio j tinha superado algumas barreiras, e
o bruxo j lembrava do antigo poder.
- Crucio - Riddle berrou de dor - ento...  bom sentir dor,
Voldemort? Voc no  mais Voldemort, no  mesmo? Perdeu seus
poderes... que tal a dor?
- Quando eu me libertar daqui vou te matar com as minhas mos... eu
no vou precisar de poder nenhum, maldito...
- Isso... maldito, maldio, maldade... reencontre sua verdadeira
essncia, meu lord, traga ela para mim... eu quero ver voc
ressurgir com o mesmo dio, mas a meu servio.
- Eu jamais servirei a voc, patife!
- Servir, como servir... quando voc se lembrar quem , vai
servir a mim, ,esmo contra sua vontade. Eu preciso do que est a
dentro, eu preciso recuperar sua memria para libertar o sombrio...
depois darei a voc o mesmo que voc deu queles que voc
descartou.
	Voldemort perdeu a conscincia, a dor fora demais. Era tarde da
noite, ele precisava dormir. Da masmorra do castelo ele ouvia o grito de
seus cativos... aqueles que usaria para libertar o sombrio. Tossiu
brevemente. Ele sabia que no estava bem... mas em breve ficaria, em
breve ficaria muito bem.

	Choviam gotas finas pela manh, quando Harry se despediu de Willy em
Hogsmeade. Eles se beijaram longamente e ele disse:
- Ah, vou te levar at Hogwarts, depois eu desaparato at Londres...
meia horinha de atraso no vai fazer diferena.  - vou pegar a moto.
- Harry, eu queria ficar aqui para sempre - ela disse, quando a moto
embicou em direo a Hogwarts - eu gosto de fazer pesquisa em
Hogwarts, talvez eles queiram que eu chefie uma nova Organizao
baseada aqui... o que voc acha?
- Eu? Eu adoro Hogsmeade, adoro Hogwarts. Depende apenas da gente se
adaptar... voc sabe, eu tenho que viajar, cada hora num lugar. Mas a
gente d um jeito, Willhemina Fischer Potter...
- Eu j te disse que Fischer Potter  horrvel. Diga s Potter
- T bem, "S Potter" - Chegamos, Hogwarts. Ol Hagrid - ele
acenou para o ex-guarda caa, que atravessava o jardim com seu imenso
guarda chuva aberto - Mande lembranas a Sirius e Sheeba... - ele deu
um breve beijo nela - quando eu voltar, a gente pensa no nosso futuro. E
no primeiro Sliteryn-Griffndor.
- Bobo! - ela sorriu para ele, que virou a moto e correu pela alameda
at os portes, que se abriram magicamente para a moto passar, pouco
alm, ela desaparatou. Ela subiu as escadas rindo, sem saber que o
primeiro Sliteryn-Griffndor j estava a caminho...

	Hora do almoo, num pequeno caf ingls. Harry entra e procura
algum indcio de Mr. Sandman, mas quem ele viu foi Angus Stoneheart,
disfarado como trouxa, sentado a um canto, com seu casaco camuflado
de sempre.
- Ento... o que est acontecendo afinal? Parece que temos uma
histeria
- Histeria  pouco, Potter... depois do Malfoy, mais alguns bruxos
desapareceram... isso lembra muito outros tempos difceis, acho que
voc sabe a que me refiro
- Sei, sei (ele evitou falar o nome de Voldemort... ridculo que
depois de derrotado h tanto tempo ele ainda provocasse medo) - E o
que vamos fazer?
- Bem, eu vou prosseguir investigando os desaparecimentos, voc tem
uma misso essa noite com Sandman, e por mais algumas noites.
- Qual misso
- Est nesta carta... - ele passou um pequeno bilhete a Harry -
Enquanto eu e Adams nos concentramos na busca aos desaparecidos, vocs
dois vo proteger a coroa que imaginamos que interesse ao Camaleo.
Essa noite vocs vo transport-la para um lugar seguro. Ela 
parte da trade do poder. Agora que ele sabemos que ele tem a pedra de
limoges,  o nico item que falta  sua listinha. Leia as
instrues. Te vejo quando for necessrio.
	Ele saiu e Harry abriu a carta, quando viu a msica de contato  e o
endereo do ponto de encontro daquela noite, teve um mal
pressentimento.

	Bem mais tarde, ele entrou numa boate muito movimentada, onde trouxas
cantavam e danavam e dirigiu-se ao bar. Fazia uma zoeira
ensurdecedora. Ele pensou se daria para Mr. Sandman escutar alguma coisa
no meio daquela balbrdia, mas j o conhecia o suficiente para no
duvidar de sua capacidade de ser doido, Tomou coragem e comeou a
cantar:
- At first I was afraid, I was petrified  Kept thinkin' I could never
live without you by my side ...
-  ...But then I spent so many nights thinking how you did me wrong .
And I grew strong
And I learned how to get along  - uma voz esganiada e extremamente
espalhafatosa respondeu bem atrs dele, que virou-se como se um balde
de gua fria tivesse sido jogado sobre suas costas.
- Eu - odeio - quando - voc - faz - isso!!! - Mr. Sandman surgira
imediatamente atrs dele transfigurado numa espalhafatosa drag queen,
que ele j conhecia muitssimo bem - porque essa sua cisma com essa
coisa de se vestir de "Iguana"?
- Ah, Vassoura, desencana - disse ele, com trejeitos realmente de fazer
qualquer um se encolher debaixo da cadeira -  s uma forma de
passar desapercebido...
- Desapercebido? Tem certeza? Vestido desse jeito?
- Mas realmente temos algo srio a fazer - ele disse - Siga-me - e
dissera isso num tom que fazia sua caracterizao totalmente
estranha. - Harry o seguiu at o banheiro, com um pressentimento de
que o pior ainda viria.
	Eles entraram no banheiro e Mr. Sandman jogou um feitio para
espantar qualquer um que tentasse entrar ali. Ele virou-se para Harry e
disse:
- Muito bem... esse  o modelo, ok?
- Como assim? - Harry perguntou pensando se ele estava insinuando o que
imaginava.
- Esse, Drag... sua transfigurao.
- O QU?? EU NO VOU ME TRANSFIGURAR...assim, mas sem chance!
-  necessrio!
- Mas de jeito nenhum! O que voc pensa que eu sou?
- Um Auror, dos que trabalham transfigurados, e meu subordinado, lembra?
- Pra voc  fcil! Voc muda a cara, o corpo, o que voc
quiser, eu no mximo mudo cabelo e a cor dos olhos e da pele... e se
algum me reconhecer?? Como eu fico?
- Se  esse o problema, eu te transfiguro.
- No!
-  necessrio!
- Prove!
- Muito bem, eu provo: Ns vamos transportar a coroa Amadin, que junto
com a cruz Gamadin e o cetro Amalin forma a trade do poder, certo?
- Certo.
- Bem, esta coroa, embora seja um objeto mgico, estava sob a posse de
um trouxa.
- Continuo no entendendo a necessidade de virar travesti por causa
disso.
- Calma, escute. Esse trouxa , como diria, um tanto "lfico" e
muito rico, extravagante, excntrico.
- Sim.
- Ele tem uma dessas casa noturnas voltadas para este pblico... como
os trouxas chamam os "lficos"?
- Gays.
- Isso. A coroa adorna um enfeite na boate que esse sujeito tem, mas o
ministrio a comprou dele, explicando apenas que  um objeto de
interesse artstico, e pagou bem caro por sinal, mas pediram para
fingir que ainda estava com a coroa. Ele pediu para que ns
buscssemos essa noite, e vamos troc-la por uma rplica. Imagine
dois sujeitos de capa no meio de dezenas de lficos... gays. amos
chamar muita ateno. Mas, se voc preferir, pode ir assim mesmo,
de brao dado comigo - Mr. Sandman  deu um sorriso diablico e Harry
disse:
- Ok, pode me transfigurar. Mas eu quero ficar completamente
irreconhecvel!
O bruxo apontou sua varinha para Harry, que fechou os olhos. Quando os
abriu e olhou no espelho, o choque foi inevitvel.
	Rosa. Ele estava todo de cor de rosa choque. Incluindo-se a os olhos
e os cabelos, que haviam mudado para um corte "chanel" e estavam lisos e
escorridos. Seu rosto tambm estava diferente, o nariz se alongara e a
boca estava maior, pintada com batom purpurinado rosa. E alm disso
tudo ele ainda estava de culos, s que culos de gatinho!!! Com
pedrinhas cor de rosa a toda volta. Ele se sentiu realmente pssimo, e
quando deu o primeiro passo e tropeou nos altssimos sapatos de
plataforma, ainda comentou:
- Realmente, voc me odeia!
- No, meu querido, estou te tornando invulnervel... o que no te
mata te faz mais forte, lembra? Tome, um feiticinho bsico pra no
tropear - ele apontou a varinha para os ps de Harry, que passou a
andar perfeitamente bem sobre os saltos, mas ainda sentindo-se
miservel a ponto de correr para uma toca de rato.
Saram andando pela rua rumo  boate, que ficava a alguns
quarteires dali, as pessoas os olhando e fazendo Harry sentir-se
ainda pior. Repentinamente, ele sentiu o cho sumir sob seus ps
quando viu um grupo de pessoas vindo conversando pela mesma calada,
na direo oposta. Eram os Dursley.
Duda vinha de brao dado com uma garota magricela e positivamente
horrorosa, quase tanto quanto tia Petnia. Ele agora estava parecendo
um clone aumentado de Tio Vlter, com os mesmos bigodes que o pai, que
por sinal vinha de brao dado com a mulher ao seu lado, haviam sado
da pera que tinha sido encenada ali num teatro ao lado, e tanto Duda
quanto Tio Vlter, vestiam fraques engomados e igualmente medonhos.
Harry pensou que s podia ser realmente muito azar encontrar os
parentes naquele estado, ento lembrou-se que eles na verdade no
podiam reconhec-lo. E resolveu ter uma pequena vinganazinha , em
nome dos velhos tempos:
- Duda, meu amor! - ele disse ao passar por eles - voc nunca mais me
ligou! - Os Dursleys ficaram mudos e brancos, olhando para o filho, que
replicou:
- Eu... nunca vi esse... esse...
- Drag, meu amooor ! - disse Harry - ah, como voc  ingrato, partiu
meu corao! Vamos, Iguana! - ele deu o brao a Mr. Sandman, que o
olhava  como se ele tivesse duas cabeas, e arrastou-o at a
esquina, onde ainda pde ver Duda tentando convencer os pais e a
provvel noiva que nunca tinha visto aquele travesti na vida.
- Voc pode me dizer porque resolveu dar uma de engraado? - Mr.
Sandman o encarava serssimo, enquanto ele se apoiava rindo numa
parede, lgrimas de riso escorrendo pelo canto dos olhos.
- Aqueles... so meus parentes... haha desculpa, eu no resisti!
Voc viu a cara do Duda?
- Potter.. realmente eu no esperava isso de voc, vamos.
E isso foi o que ocorreu de mais significativo na misso. Eles
entraram na boite, conversaram com o dono, um sujeito extravagante mas
simptico e educado, que inclusive elogiou o figurino dos dois,
dizendo que nunca vira duas Drag Queens to bem "montadas" e
finalmente fizeram a troca, saindo dali rapidamente.
- Onde vamos guardar a coroa? - perguntou Harry, a quem tambm
ocorrera que era melhor mudarem logo de aparncia, pois ele no se
imaginava entrando no Gringotes ou na fundao daquele jeito
- Vamos lev-la para Hogwarts. E voc vai ficar responsvel por
guard-la nos prximos meses.
- Ento eu vou voltar para Hogwarts?
- Perfeitamente. E agora.
- timo... mas antes desfaa essa horrvel transfigurao, por
favor.
- Ah! Vc vai ter que se virar sozinho... eu no vou fazer, hehe
- O que?
- Isso que vc ouviu... Te vejo amanh de manh em Hogwarts... com
outra aparncia! - dizendo isso, Mr. Sandman desaparatou, deixando
Harry sozinho no centro de Londres, transfigurado em Drag Queen cor de
rosa.
Duas horas depois ele conseguiu desfazer finalmente a
transfigurao, dentro do banheiro do hotel onde estava, ele
aparatara para dentro do quarto para evitar perguntas. Olhou-se no
espelho para ver se desta vez no tinha ficado com o nariz torto ou os
lbios invertidos, se todo o reflexo cor de rosa finalmente sara do
cabelo, e os olhos realmente estavam verdes, no violetas nem azuis e
deu um suspiro aliviado, que durou at ele ver que suas unhas ainda
estavam pintadas de cor de rosa, o que ele desfez raivosamente,
pensando: "Eu juro que eu pego esse cara". Finalmente reconhecendo-se no
espelho, ele desceu e pagou a conta, correndo para sua moto. Depois de
uma noite to horrvel ele queria pelo menos dormir em casa.

CAPTULO 11 - EM HOGWARTS, NOVAMENTE.

	Desde que assumira suas funes como Auror, Harry no se lembrava
de ter vivido dois meses to tranqilos quanto aqueles... guardar a
coroa em Hogwarts era realmente muito fcil. Ele continuava recebendo
corujas dos outros, que davam  conta que, embora os desaparecimentos
misteriosos tivessem cessado, as pessoas no haviam reaparecido e o
Camaleo tambm no dava sinal de vida. Ele pensava se isso no
seria um truque dele para dar uma sensao de segurana falsa.
	Na verdade ele no estava ali apenas pela coroa. Esta estava muito
bem guardada em algum lugar da torre norte e alguns feitios haviam
sido conjurados para proteg-la, e para falar a verdade, se fosse s
por isso, ele no precisaria estar ali. Mas acontece que uma das
pessoas desaparecidas sumira exatamente de Hogsmeade, a menos de dois
quilmetros de Hogwarts, e a Professora McGonnagal pedira ao
ministrio medidas de segurana. Por sugesto dela mesma, eles
haviam designado Harry para patrulhar Hogwarts.
	 importante dizer que ele ficava quase o tempo todo do lado de fora
do castelo, e agora que as aulas haviam comeado, era novamente alvo
de curiosidade entre outras coisas porque dentro de alguns dias
comeariam a filmar a histria de como ele salvara a pedra
filosofal, e o ator que o interpretaria era um estudante de Hogwarts,
que ele mesmo achara que nada tinha a ver com ele. Os alunos mais novos
s conheciam ele de ouvir falar, os que agora estavam no ltimo ano
eram do primeiro quando ele se formara. O tempo realmente havia passado.
	Rony chegaria dentro da alguns dias, junto com o filho e Hermione, que
pedira um ms de frias no ministrio para acompanhar o marido a
Hogwarts, Rony dera saltos de alegria ao saber que Harry estaria l
para v-lo interpretar no filme o papel de Severo Snape, o que era sem
dvida uma grande ironia.
	E em Hogwarts as coisas haviam mudado bastante desde que eles haviam se
formado. Agora, a professora Minerva era a diretora, dando nfase 
disciplina, mas procurando no afastar-se muito dos ideais de
Dumbledore, que apesar de maluco havia sido seu mentor. Desde que Madame
Sprout se aposentara, Hagrid se tornara o chefe da Lufa-lufa, e Harry
nunca imaginara que ele estudara l. H alguns anos ele fora
considerado apto a ser bruxo e recebera uma varinha, numa cerimnia em
que derramara lgrimas enormes sobre sua imensa barba. Sirius assumira
a chefia da Grifnria desde que Dumbledore se aposentara, e por falta
de outro professor mais antigo, Simon Bravestar assumira a Sonserina no
lugar de Snape, que abandonara a escola no mesmo ano em que Bravestar
entrara como professor de feitios substituindo Flictchwik, que se
aposentara deixando a chefia da Corvinal com Sheeba.
	Diga-se de passagem que a Corvinal vinha de uma srie de quatro anos
seguidos de vitrias no campeonato de casas, deixando para trs a
Grifnria e a Sonserina, que disputavam o segundo lugar, e isso tinha
dois motivos: o primeiro era uma menina do quinto ano chamada Paulla
Jokers, que era a melhor apanhadora de Quadribol da escola no momento, o
outro era o jovem Bernardo Fall, que no sexto ano era j monitor chefe
e o primeiro aluno da escola. Os alunos torciam para o prximo torneio
tribruxo, marcado para Beauxbattons no demorar e ser logo no ano
seguinte, onde com certeza o menino seria o campeo da escola.
	O pobre Simon Bravestar tivera que amargar um ltimo lugar no seu
primeiro ano  frente da Sonserina, ele que era mais tico que
Severo Snape e no hesitava em tirar pontos da Sonserina por
indisciplina, coitado... acostumados que estavam com as velhas
injustias de Snape, os Sonserinos tinham agora que aprender
dolorosamente a controlar sua tendncia a achar que nada ia acontecer
com eles.
Sirius, por sua vez,  sentia-se indignado por estar perdendo h quatro
anos... principalmente porque nos dois ltimos anos tivera que
agentar Sheeba implicando com ele por causa disso. Ela fazia isso
porque descobrira que competir era uma forma de faz-lo superar a
crise dos quarenta, que ela achava extremamente chata, mas compreendia,
afinal, amava o marido acima de tudo, mesmo achando-o um idiota completo
por se achar velho aos 44 anos... e era no quadribol que a temperatura
entre eles subia realmente. Desde que o pequeno Claudius entrara em
idade escolar e juntara-se aos irmos na escola comunal integral de
Hogsmeade, Sheeba pudera se dedicar mais a treinar o time de quadribol
da Corvinal, que era sem dvida muito bom... o que matava Sirius de
raiva.
	No dia da primeiro treino que ela marcara, descobriu contrariadssima
que teria que dividir o campo com Sirius, que levara todo time da
Grifnria  para treinar especificamente o novo apanhador da casa, um
menino muito habilidoso de treze anos. Sheeba pde v-lo em ao
e no conseguiu deixar de admitir que esse ano a taa podia estar
ameaada... e no evitou as alfinetadas do marido:
- Seu reinado est para acabar, Pitonisa Sabe Tudo...
- Ora, eu j fui ameaada por este Cachorro Arrogante outras
vezes... e ficou s na ameaa.  - Sheeba riu - Vamos ganhar pela
quinta vez...esqueceu que eu prevejo o futuro?- ela cartou
- Nem vem que no tem, que esse  o seu futuro e voc no pode
prev-lo, pensa que me engana, ?
- Vamos ver... acredite no que quiser, Sr Black.
- Acredito que esse ano teremos uma determinada chatinha chorando no fim
do ano porque perdeu para a Grifnria...
E assim foi durante todo treino, at o fim da tarde, quando eles
recolheram as vassouras dos alunos e foram, discutindo como nos velhos
tempos, rumo  sala dos professores, para guardar as vassouras dos
dois times, que levavam nos ombros. Sheeba como sempre recusara a ajuda
dele.
- Voc viu? A pequena Paulla continua tima... quero ver na partida,
ser que esse ano voc chega  final, Sr Black?
- Ora ora ora... vamos ver quanto tempo essa empfia sobrevive quando
o meu apanhador estiver em campo 100% em forma senhora Black - estavam
to distrados se provocando, que iam fazendo as mesmas coisas em
gestos automticos: deixaram as varinhas em cima da mesa e com a mo
livre, pegaram ch no bule, ainda se provocando, um de frente para o
outro. A sala dos professores estava vazia, mas eles iam rindo, e quando
acabaram o ch, eles foram guardar as vassouras, e sem perceber,
entraram juntos no armrio, que era grande e cheio de vassouras,
praticamente um cmodo embutido na parede.
"Blam!" - a porta do armrio se fechou com um estrondo atrs deles
nem bem entraram.
- Droga, eu sempre esqueo que esse armrio gosta de trancar gente
aqui dentro - Sheeba disse - outro dia Gina ficou trs horas trancada
aqui at que algum aparecesse...
- Essa no... t escuro aqui, no estou vendo nada, Sheeba.
- bvio, Sirius, no entra luz aqui, lembra? Lu... - ah, no.
Esquecemos as varinhas l fora.
-  mesmo... e esse armrio no abre por dentro.
- Mas que droga!
- Nossa Sheeba, seu cabelo est spero
- Isso  uma vassoura, idiota, eu estou bem do seu lado.
- Ah, j te achei... apertado aqui, n?
- Costuma ser grande, mas com cinqenta vassouras, eu e voc fica
meio cheio...
- Sabe o que eu estava lembrando?
- O qu?
- O que aconteceu na ltima vez que a gente se trancou num armrio
aqui em Hogwarts... claro que daquela vez foi de propsito...
- Sirius, tire a mo da!
- Engraado, foi exatamente isso que voc falou da ltima vez...
- Sirius Black, voc no presta!
- Agora conte-me uma coisa que eu no saiba, Sheeba Amapoulos Black...
- ela deu uma risadinha:
- Eu nem lembrava da histria do armrio...
- Isso  um comentrio nostlgico ou  um "vamos nessa?"
- Hum,  um "vamos nessa" nostlgico...
Sheeba sentiu que Sirius a encostava na parede e a beijava. A
temperatura dentro do armrio de vassouras comeava a subir, e as
risadinhas dos dois j eram audveis do lado de fora...
repentinamente, um barulho de tecido rasgado.
- Sirius, essa  minha melhor capa!
- Ah, no reclame, voc sabe fazer feitios de consertar roupas
desde o segundo ano da escola... e quem manda voc usar essas roupas
cheias de botes? - mais barulho de tecido rasgado e ela disse:
- Seu cachorro!
- Hehe... quer que eu d uns latidos, querida?
	"Cleck!" - eles sentiram, apavorados, que a porta estava se abrindo, a
luz invadiu o armrio subitamente e quando seus olhos acostumaram 
claridade, viram Simon Bravestar, que dera de cara com Sirius segurando
a manga rasgada da veste de Sheeba, expondo o ombro dela, que por sua
vez estava com as mos... melhor no dizer onde estavam as mos de
Sheeba. Seguiu-se um instante do mais constrangedor silncio, at
que Simon disse:
- Eu juro que achei que fosse surpreender um casal de alunos... - Simon
olhava de um para outro, esperando que o casal paralisado tomasse uma
atitude. Sirius o encarou e comeou a falar:
- Ns ficamos presos aqui e..
- No se preocupe, vocs tem mais de sete anos de casados... devem
querer variar de vez em quando. No h nada demais nisso...eu
entendo
- No foi nada disso - disse Sheeba, recolhendo o que restara de sua
capa e tentando pr a manga da veste no lugar. -Estvamos
tentando...
- Forar a porta - completou Sirius, constrangido.
- , isso - completou Sheeba, sustentando a cabea com dignidade -
ento eu quase ca e Sirius... me segurou.
- Muito bem, segura, eu notei... - respondeu Simon, muito srio.
- Bem, obrigado por ter nos soltado - disse Sirius, arrastando Sheeba
para fora do armrio notando que conforme a perplexidade ia passando,
Simon chegava cada vez mais perto de uma grande gargalhada. Sheeba pegou
a varinha sobre a mesa e num gesto apressado, consertou as vestes e a
capa (a manga ficou meio torta e os muitos botes da capa pareciam
meio bambos, mas em casa ela ajeitava isso), e antes que Simon dissesse
qualquer coisa, eles haviam sumido porta a fora.
	Quando chegaram do lado de fora, finalmente ouviram a gargalhada
altssima que o professor roqueiro deu, acelerando o passo para
ficarem o mais longe o possvel do alcance daquele som. Simon por sua
vez, ficou mais ou menos meia hora rindo degustando a fala que ainda
escutara antes de abrir a porta:
- "Quer que eu d um latido, querida? Au!" Ele repetiu, caindo
novamente na gargalhada. Nesse momento, Neville entrou na sala e olhou-o
muito srio.
- Boa tarde - ele disse. Neville agora usava uma eterna veste preta e
deixara os cabelos crescerem um pouco. Lutava contra a tendncia a
ganhar peso e se tornara uma espcie de Snape de cabelo mais limpo e
rosto mais cheio. E decididamente no gostava daquele cabeludo que
lecionava feitios. - posso saber o que  to engraado?
- Uma piada que o Black me contou, Longbotton... mas acho que voc
no iria achar a mnima graa - ele sorriu, os dentes grandes e
brancos iluminando sua cara no muito bonita mas extremamente
simptica, ele sabia porque Neville no gostava dele, mas fingia
ignorar - voc  amigo do Potter?
- Sou. - Neville quase sempre era monossilbico com Simon.
- Diga a ele que a mulher dele no parece bem... eu a vi hoje de
manh correndo para o banheiro, acho que estava passando mal, e est
escondendo isso dele. - Neville olhou-o impaciente e assentiu com a
cabea. Nesse momento, Gina apareceu  porta e ambos olharam para
ela. Neville srio, Simon, rindo de orelha a orelha:
- Simon, meu horrio j acabou. - ela disse evitando olhar para
Neville
- timo... vamos dar um pulo no trs vassouras. Quer ir, Longbotton?
- No, obrigado. Neville viu os dois saindo contrariado. No
acreditava que Gina o houvesse trocado por aquele cabeludo exibido.
Decidiu procurar Harry.
	Encontrou-o  porta da escola, espalhando os feitios de
deteco de estranhos que sempre punha na escola durante a noite.
No havia sinal de Willy. Decidiu comear o assunto de forma menos
direta.
- Al, Harry.
- Afaste-se um, instantinho s, Neville. Harry disse enquanto armava
um feitio que brilhou por um instante depois desapareceu. Era uma
gaiola de uma noite, se algum estranho passasse por ali aquela noite,
ficaria preso numa gaiola gritadora at a manh seguinte. Harry
punha estes feitios todo fim de tarde por ali, eles se desfaziam
sozinhos quando o sol nascia. Eram feitios especiais de Auror,
incapazes de prender qualquer aluno, professor ou funcionrio da
escola, mas implacveis com estranhos. - Pronto, esse  o ltimo.
- Harry sorriu - tudo bem, Neville?
- Tudo... mais ou menos. - Willy vinha chegando, parecia bem e sorriu
para ambos. Em seguida convidou Neville para jantar com eles, desde que
Harry chegara a Hogwarts, tinham tido muito poucas oportunidades de
conversar, e alm de tudo, aquela noite Hermione e Rony chegariam, iam
ficar hospedados na casa de Harry enquanto filmavam.
	Mais tarde, chegou um trem movimentadssimo a Hogsmeade. Era o trem
da produo do filme. Eram pessoas estranhssimas, mesmo para
bruxos. O diretor era um sujeito de seus cinqenta anos bem largo
chamado Daniel Dubois, e havia uma serie de consultores, desenhistas e
figurinistas com ele, Cmeras mgicas que funcionavam sozinhas e
saam andando, documentavam a chegada da equipe para o making off do
filme, atores, todos eles com ares entediados, e nenhum sinal de Rony...
subitamente um homem de cabelos negros  oleosos saiu do trem e Harry
arregalou os olhos... no podia ser, estava muito perfeito!
- Rony?
- No, Potter.  - era Snape, que olhou-o com uma cara bem antiptica
- eu fui contratado como consultor... seu amigo est l dentro,
irritantemente transfigurado como eu - ele saiu pisando duro e Harry
perguntou-se o que na vida tinha feito para ser to detestado...
- Ol Harry - Rony apareceu, realmente transfigurado como um Snape, um
pouco mais jovem do que Snape era no primeiro ao deles na escola, mas
ainda assim muito parecido, Hermione o seguia com o pequeno afilhado de
Harry no colo, um beb de pouco mais de seis meses.
- Voc precisa andar assim o tempo todo?
- No! - Rony transfigurou-se de volta rindo e eles se abraaram -
Ento, viu quem faz parte da equipe?
- O que ele est fazendo aqui...
- Insistiu em participar da produo e forneceu detalhes tcnicos
para o roteiro... Dubois adora ele...
- Essa no, ele vai colocar coisas terrveis sobre mim.
- No, no vai no... eu li o roteiro, est timo, bem fiel
mesmo... claro que voc est , mais herico e menos ano que na
poca... e o diretor cismou em no colocar a cicatriz no meio da
testa... mas isso  quase irrelevante. Ento,  o que conta de novo?
- Onde est Willy? - Hermione perguntou
- Em casa, preparando o jantar especial... nossa casa cozinha sozinha,
mas ela resolveu ajudar esta noite.
- timo... no agento mais comer comida de hotel. - disse Rony
dando-lhe uma pancadinha no ombro
	Eles foram andando at a casa de Harry, no alto de uma colina ao lado
da casa de Sirius e Sheeba, sem saber que naquele momento eram
observados pelo transfigurado Camaleo.

CAPTULO 12 - O QUARTO SIGNO SINISTRO

	O jantar que Willy preparava parecia um jantar da velha Hogwarts... uma
quantidade estpida de comida, s que apenas as crianas beberiam
suco de abbora... para os adultos havia uma boa quantidade de cerveja
amanteigada, que Sirius trouxera num barrilzinho do trs vassouras.
Era realmente como estar em casa e Harry at esqueceu que estava muito
preocupado com a estranha calmaria do Camaleo. Neville cumprimentou
Rony e Hermione de uma forma discreta, ele estava reservado mesmo com os
amigos desde que assumira a vaga de Snape, e Rony no pde deixar de
pensar se no era ridculo que o velho Neville tivesse virado um
discpulo de Snape. Logo depois de Sirius, Sheeba chegou com seus
filhos, Claudius e Celsus vinham se socando quando ela os separou e
disse para ficarem quietos. A pequena Hope, agora com oito anos, usava
luvinhas refletoras de bons pressentimentos, que Sheeba tinha que olhar
de vez em quando para ver se no estavam furadas, porque a garota
adorava surpreender os outros com previses. J fora inclusive
advertida nas escola integral para parar de amedrontar a pequena Amelia
Parkinson, a quem dizia que as orelhas iriam se transformar em repolhos.
	Willy tinha subido para se arrumar e desceu um pouco depois, usando uma
veste de tecido mgico dos que Silvia Spring ajudara ela a inventar, e
tinha espalhado luons que cintilavam pela casa... ela sabia como fazer
algo simples parecer especial. Os filhos de Sheeba, que agora a
adoravam, pularam sobre ela e ela riu muito. Ento Hope disse:
- Tia Willy, porque voc no fala logo para tio Harry que vocs
vo ter um beb?
- Hope! - Sheeba falou alto.
	Harry estava de boca aberta, sem saber o que dizer. Ento era isso
que ela parecia esconder h alguns dias... Sirius e Rony deram uns
socos amigveis em seus ombros, enquanto o sacudiam,  bestificado,
olhava para ela que sorriu e disse:
- Era para ser surpresa... - ele ento pareceu sair do estado de
choque e deu um berro alto de felicidade, fazendo todos por ali rirem
muito, at mesmo Neville, que atualmente quase no ria. Aquilo
melhorou mais ainda o clima de alegria no jantar, que transcorreu em
meio a recordaes dos timos tempos de Hogwarts, com eles
lembrando de coisas boas que haviam acontecido nos seus anos de
estudante, e s vezes de coisas ruins... Harry levantou a taa como
fazia s vezes e disse:
- Ainda brindo  memria de Cedric, mesmo dez anos depois da sua
morte... ele realmente no precisava ter morrido - disse quase
melanclico.
- Pelo menos a Murta agora tem companhia... - disse Willy, e era
verdade, desde que ele morrera, seu fantasma fora avistado algumas vezes
no castelo, muito poucas porque ele era por demais discreto para
assustar os outros. - eu tambm gosto de brindar a meu pai...
	Para espantar o clima ruim que ameaava pairar sobre eles, Sirius
comeou a contar histrias engraadas do seu tempo de estudante, e
as traquinagens que ele fazia com os outros marotos, e de como eles
vrias vezes roubavam coisas de Snape e punham a culpa em Lcio
Malfoy, de como Atlantis era um grande piadista na poca de Hogwarts e
grande cantor, ao contrrio de Sirius, que perguntou se eles queriam
uma amostra de seu talento vocal, o que foi terminantemente recusado por
todos. Hermione tinha seu filhinho quase adormecido nos braos, e s
vezes sorria para Rony, e Harry, lembrando-se das coisas que faziam
tambm quando eram o trio mais unido da escola.
	Sheeba olhava Sirius rindo quando ele comeava a contar alguma coisa
realmente engraada, como as que ela tambm fazia, principalmente as
peas que pregava em Sibila Trelawney, "a tonta", como Sheeba a
chamava. Ento ele disse:
- E  claro, existem histrias que nunca chegaro a pblico...
dessas que se passam dentro de armrios - ele disse candidamente
olhando para Sheeba, que ficou sria e o fuzilou com um olhar.
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	Enquanto eles estavam neste clima de total descontrao, a alguns
quilmetros dali, o Cameleo estava perversamente feliz porque Tom
Riddle acabava de lembrar-se que era Lord Voldemort. O velho bruxo agora
tinha a face encovada transfigurada por um dio frio e surdo, os
cabelos grisalhos colados  cabea pelo suor e sujeira dos meses de
terror que passara, os pulsos magros em carne viva dos grilhes que o
prendiam  parede... comeara novamente, para o jbilo do
Camaleo... mas agora seria diferente, acostumado a ser mestre,
Voldemort agora seria servo dele... ele no tinha escolha. Mas antes,
ele queria avisar o objeto de sua vingana que ela finalmente
comearia.
	Agora seria mais fcil, como Hogwarts movimentada, cheia de alunos e
a equipe de filmagem... ele tinha o cetro Amalin e a a cruz Gamadin,
s faltava agora o terceiro item da trade do poder... o diamante da
maldio, retirado da coroa um milnio antes e responsvel pela
morte e desgraa de dezenas de trouxas que o haviam possudo
esperava para ser novamente engastado em seu lugar... ento, ele poria
a coroa sobre a cabea e despertaria o sombrio, e seria o novo mestre
das trevas, com o maior de todos os tempos parado a seus ps... era
bom demais para ele antever esses momentos de Glria... ento ele
tiraria de seu caminho aqueles que podiam atrapalh-lo.
	Vagarosamente ele dobrou o pergaminho que tinha nas mos e ps no
envelope, sentindo a garganta arranhar um pouco. Reprimiu um ataque de
tosse e riu. Podia estar doente... mas Harry Potter em breve estaria
morto. Ele assobiou e uma coruja negra pousou no seu brao, ele
amarrou uma carta em sua pata e disse a ela quase carinhosamente:
	- Encontre Potter...
	 A coruja levantou vo e ele riu, se achando totalmente
exibido...queria que Potter soubesse que iria morrer... queria que ele
soubesse. Os gritos dos cativos das masmorras chegavam at ele, que
subiu a escadas do castelo, gritando para baixo:
- Sosseguem, em breve vocs participaro do meu momento de glria.
	A risada alta transformou-se num acesso de tosse quando ele chegou ao
terceiro pavimento.
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A coruja chegou em alguns minutos  casa de Harry, onde ele e os
amigos estavam aproveitando os momentos aps o jantar para conversar e
falar sobre o filme, cujas gravaes comeariam no dia seguinte.
Sheeba explicava para Hermione e Willy em um canto porque afinal de
contas Gina dera o fora em Neville:
- O que aconteceu foi muito simples... Neville queria proibir Gina de
dar aulas, queria que ela se tornasse uma dona de casa depois do
casamento... vocs conhecem Gina, podem imaginar a reao dela -
ela disse baixinho, dando olhares furtivos para Neville, para ver se o
rapaz no podia realmente escutar o que diziam.
- Eu nunca imaginei que tivesse sido por isso - murmurou Hermione.
- Deve ser por causa - Sheeba deu uma nova olhada na direo onde
estavam os homens - do que aconteceu aos pais dele... - ela ento viu
que a paisagem conjurada oscilava mostrou a Willy, que a desativou. Eles
puderam ver uma coruja grande batendo no vidro da janela, uma coruja
negra de olhos amarelos furiosos. Harry teve um mau pressentimento:
conhecia aquela coruja. Ele andou at a janela e a abriu, deixando que
a coruja entrasse e largasse sobre ele a carta, antes de sumir noite
adentro. Ele foi para seu gabinete abrir o bilhete, mas no conseguiu
evitar o olhar da madrinha, que o encarava sria. Sirius o seguiu.
- Um signo sinistro - ele disse a Sirius calmamente - eu sabia que ele
estava quieto demais...
- Harry - Sirius fechou rapidamente a porta do gabinete, olhando-o
srio - quantos desse voc j recebeu?
- Esse  o quarto - Harry sabia o que viria pela frente, sabia o que
Sheeba previra.
- Acho que voc vai ter que pedir reforo. Sabe o que Sheeba previu
sobre o quarto signo?
- Sirius, eu no sou mais um estudante, voc sabia? Agora eu tenho
vinte e quatro anos, sou um auror.
- E vai ser pai, e se no se cuidar, nem vai ver o prprio filho
nascer. Mande uma coruja agora para seus superiores...
- Sirius, eu sei me cuidar, ser possvel?
- Harry, voc no entende? Por acaso voc quer morrer?
- No, mas eu tenho que enfrentar o perigo, no tenho?
- NO SOZINHO, HARRY!
	Nesse instante, Sheeba entrou no gabinete e disse a Harry:
- Vai deixar seus convidados sozinho, Harry?
- Bem, no...
- Venha, no  educado deixar as pessoas sozinhas - ela fez um gesto
significativo para Sirius, que queria dizer: "Depois ns resolvemos
isso", ento, Sirius se calou e ficou observando Harry sair esperando
que ela dissesse alguma coisa. Mas a verdade era que a reunio estava
arruinada. Em pouco tempo, todos foram embora, Hermione e Rony
recolheram-se para o segundo piso da casa. Sheeba pediu a Sirius que
levasse as crianas. Ele ps os adormecidos Claudius e Celsus nos
ombros e Hope o seguiu, depois de dar um significativo olhar para a
me, que significava que ela queria v-la prever o futuro do "tio
Harry". Sheeba olhou sria para a menina que seguiu o pai sem dizer
nada. Sheeba olhou Harry e Willy de frente, dizendo:
- Vocs querem minha ajuda?
- Sheeba, eu...
- Harry... era o quarto signo no era?
- Era.
- Voc obviamente sabe que agora o perigo  real...
- Sei.
- Quer ou no ajuda? - Willy pegou resoluta as mos do marido e
ps entre as mos desenluvadas de Sheeba, dizendo:
- Harry, ela pode nos ajudar, no banque o bobo.
- Est bem...  - Sheeba fechou por uns segundos os olhos, ento
comeou a dizer:
- Harry... eu vejo um castelo. Um castelo no muito longe, eu posso
ver uma montanha de Hogwarts atrs deste castelo, ele  muito perto
daqui... voc est nele. E est lutando com o Camaleo... ele
tem vrios rostos que eu no consigo ver, gelo de confuso... eu
vejo voc e Troy Adams entrando no castelo, eu vejo Willy envolta em
luons... e Neville preso no poro deste castelo - ela abriu os olhos
subitamente - Harry, v atrs de Neville, agora!
	Harry disparou porta afora e Sheeba olhou diretamente para Willy:
- Eu vi uma outra coisa, Willy. Vou te ajudar a fazer mais luons...
vamos precisar de muitos deles.

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	Harry correu velozmente at o trs vassouras, ele olhou para dentro
e viu que Neville no estava l, embora o pub estivesse cheio e
barulhento, Simon Bravestar estava sem camisa no centro do bar tocando
sua guitarra e cantando, para delrio da platia, Harry ento
ergueu sua varinha e disse:
	- Accio, Firebolt - em alguns segundos a vassoura saa de sua casa
por uma janela e vinha s suas mos, Harry subiu nela e voou sobre a
aldeia, usando um feitio iluminatrio na ponta da varinha, mas nada
de encontrar Neville. Ele sobrevoou todo o caminho at Hogwarts, e
ento, impuslionou bem alto a vassoura, para ir at a torre norte.
Ele olhou por uma janela e viu que a porta que conduzia a Cmara onde
estava a coroa estava muito bem segura, ento, retornou a Hogsmeade.
Precisava comunicar seus superiores que acontecera mais um
desaparecimento.

-----

	Demorou mais ou menos meia hora para que Angus Stoneheart aparatasse
junto com Troy Adams no centro de Hogsmeade. Depois de algumas perguntas
a Harry, finalmente Stoneheart resolveu falar claramente:
- Temos que saber onde o Camaleo pegou o sujeito... o ministrio
no vai ficar nada satisfeito,  o segundo bruxo a desaparecer aqui,
e era pressuposto que voc estivesse tomando conta do povoado.
- Espere um segundo - disse Sirius, que representava  Hogwarts naquele
momento - Harr estava em seu horrio de folga, e o prprio
ministrio no pediu que ele vigiasse a aldeia em perodo noturno,
apenas sondasse movimento suspeito.
- Sirius, deixe-me argumentar por mim - disse Harry exasperado -
Stoneheart, ningum calculava que ele estivesse to perto. -
Stoneheart deu uma olhada insatisfeita para Sheeba. Com uma simples
premonio ela desacreditara todas as dedues que ele e Troy
haviam preparado nos ltimos dois meses de que o Camaleo estivesse
bem longe de Hogwarts preparando o plano perfeito para roubar a coroa...
no, ele estava perto, ela dizia,  ridiculamente perto e ningum o
enxergava.
- Minha senhora - comeou Stonehearts - sem querer duvidar de seus
poderes... como ele pode estar num castelo to perto de Hogwarts e
ns no o vermos?
-  uma propriedade trouxa, que devia estar vazia h muitos anos, o
senhor sabe a popularidade que castelos perto de lugares bruxos adquirem
junto aos trouxas... e provavelmente deve estar em runas.
- H umas dez runas perto daqui - disse Troy Adams - como vamos
saber em qual delas ele est? Ns sabemos que ele sacou um bom
dinheiro de uma das suas contas trouxas h pouco tempo... ele
provavelmente comprou algum castelo aqui perto. Mas porque ele
compraria?
- Isso realmente no  importante agora - interrompeu Harry, nervoso
- precisamos achar onde ele est, antes que ele suma com mais
algum.
- E precisamos tambm ficar de olho na coroa.
- Isso no  problema - ningum soube como aquele homem apareceu
na sala da casa de Harry, nem mesmo ele... mas  ele sabia que s podia
ser uma pessoa, s uma pessoa se disfarava de velho e parecia to
pouco um velho:
- Mr. Sandman? - o velho sorriu
- Deixem a coroa comigo... vo atrs do sujeito entes que ele mate
algum.

CAPTULO 13 - OS CATIVOS, O CASTELO

	 No havia como ir atras do Camaleo quela hora... pelo menos a
coroa estava segura no castelo, e ele no agiria enquanto no
tivesse a coroa. Assim, mesmo angustiados, eles se ajeitaram aquela
noite para dormir... era mais reconfortante imaginar que achariam o
castelo onde o Camaleo se escondia durante o dia, quando ele estaria
impossibilitado de fazer despertar o sombrio, que s podia ser
libertado durante a noite, quando era possvel quebrar os sete
feitios secretos e perdidos que prendiam o sombrio sob o pavilho
dos corvos, feitios h tanto tempo feitos que poucas pessoas
saberiam desfazer.
	Lord Voldemort passara um bom tempo de sua vida descobrindo que
feitios seriam estes, e s descobrira depois de uma exaustiva
pesquisa em brevirios muito antigos que ele roubara ainda na sua
poca de estudante. Para ter certeza que ningum mais descobriria,
ele destruiu todos os brevirios e memorizou passo a passo todos os
feitios... sabia que de sete, trs eram mortais, e que nenhum deles
poderia ser conjurado pelo mesmo bruxo... da a necessidade do
Camaleo de conseguir sete cativos, sete bruxos e bruxas que
conjurariam por ele os feitios que libertavam o monstruoso ser preso
h mais de trs mil anos sob aquele estranho pavilho baixo
dominado pelos corvos... e ele tinha certeza que se seu plano
funcionasse, ele teria o ltimo elemento no dia seguinte, antes do
pr do sol.

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	Naquela noite, Luccas Lux ergueu-se subitamente do rochedo mais alto de
Azkaban, assustando Bianca. Ele abraou-a mudo e calmo, mas ela sabia
que algo no estava bem... no vinha bem desde muito tempo, ele s
vezes parecia quieto e estranhamente preocupado... estava escondendo
dela alguma coisa. Ele a segurou pelos ombros e deu nela um beijo longo
e profundo, com uma terrvel aparncia de despedida, ento
comeou a falar:
- Flores Negras... eu vim para este mundo numa misso. A primeira
parte eu cumpri h trs mil anos... chegou a hora de cumprir a
segunda. Eu sei que h um bruxo das trevas neste momento planejando
libertar o sombrio... eu sei que ele tem tudo para conseguir. Eu escuto
sua respirao difcil entremeada de dio.. eu sei que mesmo que
ele morra, vai conseguir libertar meu inimigo, e isso seria o fim da
raa dos homens. Eu tenho que ir, Flores Negras... s eu posso lutar
contra o Sombrio... s a mim ele no pode transformar em morto vivo.
- Luc... meu amor, deixe-me ir contigo.
- No. Voc fica aqui, exatamente aqui... e me espera, quando isso
tudo acabar, eu volto para voc, eu te prometo isso, e nunca houve um
Guerreiro da Luz que deixasse de cumprir sua promessa.
- No... e se voc morrer?
- Se eu morrer? - ele riu - eu no vou morrer, pelo menos no sem
levar o sombrio junto comigo... e se eu por acaso morrer, algo de mim
fica contigo para sempre. No insista. - ele conjurou os grilhes e
a gargantilha fortemente nela e disse - estes no so como os
antigos... estes a prendero aqui. Por favor, no me siga. - ele deu
um assobio alto e Fdias veio at onde estavam, Bianca implorou para
ir junto, mas ele apenas disse: - Eu volto - sorriu, os primeiros raios
da aurora iluminaram seu rosto e ela pde ver que havia uma nica
lgrima pairando teimosamente num de seus olhos. O drago levantou
vo e Bianca caiu ao cho, chorando lgrimas quentes sobre a fria
rocha do topo de Azkaban.

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	Nem bem amanheceu, os Aurors saram em misso pela plancie no
entorno de Hogsmeade, iriam procurar o castelo onde o Camaleo
mantinha seus cativos, e no sabiam naquele momento o quanto seria
difcil encontr-lo, e como seria tarde para alguns dos cativos
quando o encontrassem.
	Mr. Sandman desaparecera to logo aparecer, mas se ele estava ali
eles sabiam que iria guardar a coroa com a prpria vida se possvel,
embora no soubessem onde ele estava, sabiam que nada entraria em
Hogwarts com ele por perto.
	O que eles no imaginavam, era que o Camaleo desistira daquela
coroa que estava em Hogwarts... precisava sim de um objeto mgico...
uma coroa que completasse a trade do poder, feita de ouro macio,
com 250 diamantes 450 rubis e 600 esmeraldas de pequeno tamanho, e com
um diamante de maldio a pairar sobre a fronte como um olho de
cclope... ele tinha o mais importante: o projeto desta coroa e um
joalheiro mgico entre seus cativos, fazendo-a dia e noite desde que
ele chegara ao castelo, sob o feitio imperius.
	Ele ria da prpria idiotice dos Aurors... ningum imaginara que ele
estivera juntando dinheiro para comprar com trouxas ouro e pedras
preciosas... era mais fcil comprar do que roubar, ele s precisara
tomar os cuidados necessrios, agora, a coroa estava quase pronta e
esta noite ele a poria na cabea... se achava um gnio.
	
	Neville retornou  conscincia aos poucos. Ele lembrava-se apenas
de ter sado da casa de Harry e ter visto Gina na penumbra, ento a
chamara e ela no respondera, depois ele fora at ela e tudo havia
ficado escuro. Sentiu que estava num lugar frio e mido. Estava muito
escuro, ele no conseguia ver nada, apenas sabia que em algum lugar
havia uma luz avermelhada, ele se mexeu e teve conscincia que estava
preso ao cho... procurou mexer o que dava para mexer, e percebeu que
podia pelo menos sentar-se. Foi quando ele percebeu que no estava
sozinho.  Mais adiante, ouvira um rudo rouco e surdo, uma tosse. E
esbarrou em algo ou algum, que se mexeu da mesma forma, seus olhos se
acostumaram a pouca luz do lugar e ele viu que havia mais algumas
pessoas ali, todas elas presas ao cho como ele. Apenas uma pessoa, o
homem que tossia, estava deitado no cho, longe demais para que ele
visse seu rosto. Ele contou oito pessoas ali, e procurou tentar falar
algo para o homem ao seu lado... era um homem, esfarrapado, sujo, ele
sentia o cheiro terrvel que todos ali emanavam, torturados por muito
tempo com certeza. Disse alguma coisa e o homem no pareceu escutar...
ento, uma voz o respondeu do canto em que ouvira a tosse:
- No adianta dizer nada... ningum aqui pode escut-lo, apenas
eu. Todos os outros esto sob feitio congelante por metade do
dia... a outra metade os deixa gritando, quer acabar com a sanidade
mental de todos, e com a minha tambm, ele sabe que isso no me
afetaria, portanto acha mais produtivo me deixar consciente. Se ele
no te congelou,  porque vai voltar logo. Ele  louco, fala
coisas sobre glria e poder... e eu acho que est cada vez pior,
s espero que eu morra antes que ele consiga atingir o poder... toda
noite eu acho que ser a ltima, mas no dia seguinte ainda estou
vivo... eu daria tudo para morrer agora.
	Neville engoliu em seco, e teve medo do que o esperava.

------
	Na casa de Harry, Sheeba, Hermione e Willy preparavam luons, e Willy
s vezes olhava de rabo de olho para Sheeba, enquanto fazia a
poo, pois no conseguia imaginar como seus pequenos brinquedos
poderiam ser teis. Hermione aprendera a no fazer perguntas que
Sheeba no queria responder, e apenas seguia as instrues de
Willy, Sheeba por sua vez, murmurava baixinho algumas coisas que nenhuma
das duas conseguia compreender. Ela estava um tanto chateada porque
naquela manh, Sirius dissera a ela com todas as letras que se
sentiria morto se no se juntasse a Harry e aos outros para procurar o
castelo do Camaleo... ela sabia que ele no seria mais o mesmo
depois disso, e temia pelo fim da paz que ela tanto sonhara para os
dois. Piscou os olhos nervosa e disse para Willy:
- No se preocupe... eu sei o que estou fazendo. Apenas continue.

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	Em Hogwarts, muito bem disfarado, Mr. Sandman acabara de ter uma
idia. Olhou o sol, que se aproximava do znite e se perguntou se
realmente o Camaleo estava interessado em pegar a coroa. Uma idia
comeou a tomar conta de sua mente... ele se dirigiu aos portes e
rapidamente saiu, rumo  runa dos corvos... precisava estar l
antes do meio dia.
	Foi mais ou menos nessa hora que Gina Weasley chamou seu irmo e o
namorado para almoar no trs vassouras.

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	Harry seguira em patrulha junto com Troy Adams, eles se ignoravam
educadamente agora, precisavam estar juntos, Harry carregava junto ao
corpo uma jia de alarme que avisaria Sirius e Stoneheart se
estivessem em perigo. Eles iam andando pela floresta, com um mapa de
cada runa que havia no entorno de Hogsmeade, todos castelos de uma
poca morta em que bruxos e trouxas conviviam bem, era sempre igual,
andavam por um trecho de bosque calados, se orientando com o mapa e
feitios de apontamento, ento subitamente a floresta se abria numa
clareira onde havia uma runa... faltavam quatro runas das que
tinham mapeadas. Eles chegaram a mais uma, e ela parecia perfeitamente
normal, deserta, era a mais decadente de todas, parecia estar demolida
at quase os alicerces. Harry ia suspirando conformado, quando viu uma
coisa no rosto de Troy: uma desconfiana premente, ele mostrou uma
coisa a Harry: no alto do que seria a cumieira do castelo, uma coruja
entrava naquele momento atravs do que parecia uma janela. Troy e
Harry se olharam e Harry usou a varinha na direo dos olhos
dizendo:
- Dilusionis. - ele se espantou. Na sua frente se erguia agora um
castelo imenso e negro de granito, com duas esculturas de drago dos
lados.  Ele encarou Troy que fizera o mesmo. Era bvio que no seria
fcil entrar naquele castelo

----
	Neville olhou para os lados, procurando distinguir algum na
penumbra, ele via os rostos encovados e mal iluminados de homens e
mulheres petrificados, se perguntando intimamente quem seriam, seu
companheiro falante cessara seus comentrios e passara a tossir alto,
um barulho afiltivo e agonianate. A pouca luz que entrava pela pequena
grade na porta da cela, permitia divisar apenas at alguns
centmetros adiante, ele via o rosto de um homem que achava ser
familiar.
	Foi nesse momento que a luz se ampliou e a silhueta negra de um homem
apareceu na porta da cela... contra luz, Neville via apenas que era alto
e parecia magro, seus cabelos louros tinham um brilho estranho contra a
luz avermelhada, ele podia jurar que j o conhecia. Ento ele disse:
- Finite incantatem - um coro de vozes desesperadas encheu a cela,
Neville permaneceu mudo olhando para eles, ento distinguiu algum
que no vira at ento... Gina, ela era tambm uma das
cativas.... como ento ela podia estar ali? Ela parecia estar ali h
um bom tempo... estava magra e plida, parecia doente - olhou para a
silhueta na porta e viu que o homem mudara novamente a aparncia,
agora estava de cabelos negros, ombros um pouco mais largos. Ento ele
falou, e sua voz era como a de Harry Potter:
-  hora... vamos transformar dia em noite, chegou o momento de usar
vocs, meus cativos - Neville sentiu uma fora estranha o impelir
 frente, as correntes que o prendiam ao cho enrolaram-se nos
braos do homem que estava ao seu lado, e todos em breve estavam assim
tambm enrolados, em p e amarrados uns aos outros por correntes -
Apenas um de vocs fica... esperando que eu volte, quanto aos outros,
Imperio! - o homem disse, e sentindo o feitio apoderar-se dele,
Neville comeou a andar.

---

	Neste momento, Mr. Sandman chegou  runa dos corvos... que estava
deserta e sem um nico corvo. Ele olhou em volta, achando tudo muito
estranho, algum saiu de trs de uma pilastra, dirigindo-se
diretamente a ele:
- Voc entendeu antes dos outros, se veio para c sabe o que ele vai
fazer... voc  esperto...  - um rapaz veio andando na sua
direo, usava uma cota de malha, espada e escudo. Era o Guerreiro
da Luz. - Voc quer impedi-lo, certo?
- Voc...
- Eu mesmo. Lembra-se de mim? Eu me lembro de voc - sorriu  - voc
mudou alguma coisa...
- Estou sob outra aparncia.
- Seu segredo est guardado comigo. Voc no deve impedir que o
trevoso liberte o sombrio.
- Porque no? Ele vai sacrificar pelo menos trs inocentes para isso
- Mr. Sandman no entendia o que o Guerreiro podia pretender.
- Sob a terra ele j est desperto desde o dia que eu fui
libertado... ele j rompeu trs dos sete feitios que o prendem...
 claro que apenas eu sei disso, pois estive escutando-o sob a terra
desde do dia em que acordei...  uma vantagem ser mais que mortal. O
homem que pensa que ser aliado dele, no perde por esperar... ele
no quer aliados... ele quer a mim.
- Mas...
- Siga para o Norte, v pela floresta. Alerte o homem que cheira como
co ao relento e o grande pedao de rocha que o acompanha... sigam
ento para o oeste, l voc vai encontrar o meu amigo escama...
ele agora j est sob grande perigo... esperem dentro do castelo,
leve isso - ele tirou do pescoo um amuleto - isso far com que
evitem a grande armadilha no castelo. Procurem no castelo por aquele que
deve ser libertado... deixe o sombrio comigo. Agora no h mais
corvos aqui, nem haver.
- Como voc os espantou?
- Muito simples... um feitio, mesmo criaturas mgicas aprendem com
feiticeiros... agora v, antes que seja tarde para escama.

- Quantos temos, Willy? - Sheeba, Willy e Hermione estavam desde o
amanhecer fazendo luons, agora eles estavam se soltando da poo e
comeavam a flutuar em volta delas, mas no sorriam, estavam
srios e Willy achava aquilo tudo muito estranho, Sheeba mal falara
desde que haviam comeado com aquilo.
- No sei, talvez uns dois mil... fizemos muita poo, quando eles
acabarem de se soltar talvez sejam cinco mil, seis mil...
- Ento basta... eles vo demorar muito a se soltar?
- Talvez meia hora
- timo... meia hora  tempo suficiente. Hermione, v agora ao
trs vassouras e estupore Gina.
- O qu., Sheeba?
- Estupore-a... ela no  Gina.  uma impostora, v agora.
- Mas... eu
- Voc olhou os olhos dela desde que chegou aqui?
- Na verdade - Hermione tomou sbita conscincia disse - eu no a
vi desde que cheguei, apenas de longe... ela no foi  estao.
- Corra. - Hermione saiu porta a fora e Sheeba virou-se para Willy:
- Agora eu vou explicar-lhe para que serviro estes luons... mas
primeiro, procure entre as coisas de sua av uma pedra vermelha
redonda e traga-a aqui.
	Hermione entrou no trs vassouras e viu Gina de costas conversando
com Rony... ela viu que Simon Bravestar estava com eles, os trs
riam... ela ainda teve dvida por um segundo, ento chamou a
cunhada, que virou-se rindo e ela viu nos olhos dela o que afinal de
contas estava escondido sob aquela aparncia falsa:
- Estupefaa - Gina caiu desacordada para espanto de todos que estavam
no bar. Hermione aproximou-se com um olhar duro e conjurou nela cordas
fortes que a imobilizaram.
- Hermione... o que foi isso? - Rony disse, olhando-a de frente
espantado.
Essa no  sua irm... ela queria algo que ele tem - apontou Simon
Bravestar, cujo queixo caiu de espanto. - Algo que tem a ver com
msica. Foi nessa hora que para  espanto de todos, escureceu como se a
noite tivesse cado ao meio dia.

	

	
CAPTULO 14 - A LONGA NOITE

	Harry e Troy tentavam entrar no castelo quando os portes se abriram
e os jogaram em direo a duas rvores que os prenderam com galhos
firmes como braos. Uma procisso de gente maltrapilha e esfarrapada
saiu de dentro do castelo, Harry viu horrorizado que Gina e Neville
estavam entre eles, mais algumas das pessoas que estiveram
desaparecidas, pareciam caminhar sob feitio imperius. No viu
porm sinal de Voldemort ou de Draco Malfoy... eram sete pessoas
alinhadas e acorrentadas, atrs de todos vinha o Camaleo...
transfigurado com a aparncia de Harry.
	- Que tal, Potter? Uma homenagem... eu imaginei que algum viria me
visitar... cerquei o castelo com feitios, como as bobagens que voc
ps em volta de sua escolinha adorada... agora de nada adianta, veja,
que beleza - ele abriu uma pequena caixa que carregava e de dentro dela
tirou uma coroa ricamente adornada, com um diamante azulado gigantesco
bem em cima da fronte - a nova coroa... eu fiz um joelheiro mgico
conjur-la... claro que isso custou a vida dele, pode por esta na
conta das minhas mortes... destes aqui, alguns devem perder a vida....
mas o que  a morte seno parte da vida? - ele ps a coroa sobre a
cabea e uma ventania sacudiu o castelo, os dois drages ao lado
dele tornaram-se vivos e comearam a cuspir chamas - Poder... - disse
o Camaleo inebriado - deixo vocs na companhia das minhas
sentinelas.... rezem para que elas no sintam fome. - Vamos! Ele fez
um feitio breve e desapareceu com os sete cativos. Subitamente o dia
virou noite, Harry olhou para cima e viu um grande escudo tapando o
sol... o Camaleo provavelmente o conjurara. Os drages comearam
a vir na direo deles.
-----
	Mr. Sandman encontrou Stoneheart e Sirius em alguns minutos e explicou
brevemente o que o Guerreiro havia lhes dito, eles ento aparataram
perto da runa mais a oeste de Hogsmeade e correram na direo que
o mapa apontava. Neste momento a escurido cobriu tudo e Mr. Sandman
disse:
- Ele conseguiu.... ativou a trade do poder com uma coroa fabricada.
	Eles chegaram  clareira onde havia o Castelo, e portando o amuleto
que o Guerreiro lhe dera, Mr. Sandman podia ver que no era apenas uma
runa, e podia ver os dois drages que avanavam para Harry e
Troy, sem que ningum lhe dissesse o que fazer ele ergueu o medalho
que emitiu uma luz intensa por um segundo, paralisando os drages e
transformando-os novamente em pedra... o amuleto tambm desfez o
feitio que ocultava o castelo, e todas as trancas externas deste se
abriram... porm o poder do medalho teve um efeito colateral e
Sirius pde ver a verdadeira face de Mr. Sandman, que o deixou de
queixo cado. Durou apenas um segundo, e apenas Sirius pde ver,
Stoneheart estava mais  frente, de costas, perto de onde Harry e Troy
estavam presos. Sirius ficou calado, apenas murmurando: "como pode ser?"
	- Eu explico depois... - Mr. Sandman disse srio para ele. - Agora,
vamos libertar seu afilhado.
	As rvores j tinham soltado Harry e Troy, seus galhos pendiam
soltos agora e eles dois tinham folhas nos cabelos. Harry olhou srio
para Troy e disse:
- Essa foi por muito pouco, no  mesmo? - Troy no pde deixar
de rir. Mr. Sandman deu breves explicaes do que Luc havia dito e
falou que eles teriam que entrar no castelo, porque o Camaleo
retornaria em breve. Conhecendo como conhecia o Guerreiro da Luz, Harry
no tinha motivo algum para duvidar. Olhando para o castelo, os seis
se dirigiram para os portes escancarados.

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	Na runa, o Camaleo preparava-se para  comear a usar os bruxos
cativos para desfazer os feitios quando ouviu uma voz dizer bem
atrs dele:
- Se voc libert-lo ser seu fim - ele virou-se para ver a figura
do Guerreiro da luz, ao lado de seu Drago imenso e encilhado, ambos
em posio de combate
- Voc vai me matar? Eu tenho refns... se algo acontecer comigo,
todos eles morrem.
- Eles quem? Eu sou cego... nada posso ver.
- No banque o idiota... eu sei muito sobre voc, Guerreiro... eu
sei que pode sentir o cheiro e saber quantas pessoas esto sob meu
poder.
- Realmente... e tambm posso ouvir longe, eu ouo voc desde que
chegou  plancie... eu vigio esta plancie sempre, eu amo este
lugar... eu sei mais sobre aquele que est sob a terra que voc.
Neste momento ele est me esperando, no poder se aliar a voc,
a menos que me derrote... o dio dele por mim  mais forte que
qualquer coisa.. ele iria atrs de mim se eu estivesse do outro lado
do mundo. Porque no fazemos um acordo?
- Um acordo?
- Sim... liberte os seus cativos, que eu liberto o sombrio...
- No confio em voc.
- Posso provar o que digo... eu sozinho posso desfazer cada um dos
feitios que prende o sombrio. Para cada feitio, voc liberta um
refm... que tal? Mas preste ateno... quando chegar ao quarto
feitio, voc vai libertar todos os refns... porque o sombrio
j desfez trs dos sete feitios... feito?
- Porque eu faria acordo com voc?
- Porque voc na verdade est morrendo de medo do sombrio... chegou
muito longe, no ?
- Isso no  verdade... eu tenho a trade do poder
- Ser que tem? Se eu sei que essa coroa no  a real, ele
tambm vai saber... imagine o quanto ele vai se aborrecer com isso.
Vamos, liberte um refm, eu desfao um feitio..
- Est bem - disse o Camaleo, apontando para uma bruxa magra e
velha, no fim da fila com sua varinha - pode ir, voc - a bruxa
disparou pela porta da runa. Luc comeou a falar:
- O primeiro feitio  uma transfigurao... tumba de pedra,
transforme-se em areia! - com um gesto do Guerreiro, a tampa negra que
cobria o tmulo escavado no cho no cetro do pavilho central
desfez-se em areia branca e fina. - O Camaleo olhou surpreso e disse:

- Ento, voc pode fazer mgica sem uma varinha?
- Isso no  para ser impressionante... liberte outro refm - o
Camaleo fez um gesto quase automtico com a varinha, e um bruxo
flcido que antes de ser seqestrado provavelmente fora muito gordo
saiu disparado porta a fora sem olhar para trs. - bem, - Luc
continuou-, agora, uma feitio ridiculamente simples... mas fatal -
surja o que est oculto na areia! - Uma grande planta surgiu da areia,
Neville arregalou os olhos ao reconhece-la, era uma planta extinta, uma
papoula devoradora, que ergueu sua imensa cpula no ar e abocanhou de
uma vez s o Guerreiro da luz. Ele ficou impassvel, enquanto o seu
drago, eu estava um pouco mais atrs, imenso contra a parede,
soltou um jato de chama azulada que fez a planta gritar e solt-lo.
- V, o que esperava o feiticeiro que desfizesse este feitio -
perguntou, para a direo dos refns... Neville sabia que o
Guerreiro se referia  a ele. A planta estava encolhida e chamuscada,
mas ainda parecia viva. - Liberte o terceiro refm, e eu desfao o
terceiro feitio - O Camaleo ia libertar Neville, que enfaticamente
fez um gesto de negao com a cabea, apontando Gina... o bruxo
ento mudou de idia e libertou outra mulher, que correu porta
afora.
- Mais uma transfigurao - disse Luc - e outra seguida. Dois
feitios em um: Planta, se faa bicho - a planta tornou-se um imenso
tigre de dentes de saber e pulou da areia na dire do Guerreiro,
que disse: - vitrificae! - o tigre tornou-se uma grande escultura de
vidro, e a areia sobre a abertura da tumba se tornou uma grossa parede
de vidro puro - Olhe pelo vidro, Bruxo - ele disse ao Camaleo, que
aproximou-se do vidro, olhando para baixo.
	O que ele viu o encheu de fascnio e temor. Bem abaixo da tampa de
vidro um rosto inexpressivo contemplava-o, estava usando uma mscara
cinza escura, sem expresso, com um par de olhos que pareciam duas
poas negras que davam no vazio total... ele usava uma veste
totalmente negra com capuz, e tinha mos longas e brancas, com garras
negras na ponta, uma delas estava aberta e sustentava levitando um
estranho objeto redondo e negro, que estava envolto em chamas negras.
- V a aparncia dele, bruxo? Voc ainda pode desistir...  a
mim que ele quer.
- No vou desistir agora.
- Solte os refns...
- No vou solt-los... quero uma garantia...
-  o acordo.
- Voc agora fez o mais difcil... um vidro eu posso quebrar
sozinho...
- Solte os refns. Esse  um dos feitios fatais... se voc
quebr-lo, morre.
- Ento, est bem... mas vou ficar com essa moa. - ele agarrou
Gina pelos cabelos - eu preciso de uma garantia.
- No! - Neville gritou
- Liberte todos.
- Eu preciso ficar com um pelo menos.
- Eu fico - gritou Neville - deixe que os outros vo.
- Eu me lembro de voc - disse Luc- estava aqui quando me
libertaram...
- Eu fico... - Neville repetiu
- Est bem... - o Camaleo concordou e todos os refns foram
libertados, menos Neville. Gina abraou-se a ele e o camaleo
olhou-os com desprezo - V embora, garota, voc est livre.
- Se ele ficar, eu fico - Gina contemplou-o com fria nos olhos
castanhos - estava maltrapilha e suja, mas ainda era bonita.
- Est bem por mim... mas ele que decide - disse o Camaleo dando de
ombros.
- No  o que eu desejaria, mas vou aceitar - "tenho uma chance de
salvar os dois de uma vez... vou tent-la" ele pensou. Conjurou um
feitio e todas as portas e janelas da runa se fecharam com
estrondo, tornando-se de ferro logo em seguida. Ele baixou a cabea e
se aproximou de onde sentia a fria esttua de vidro. Ps as mos
em torno da cabea do tigre esculpido e disse: - Disanguio! - O vidro
explodiu, se quebrando em um milho de pedaos que atravessaram seu
corpo em algumas partes, e em outras cravaram-se na cota de malha...
aquilo ia enfraquece-lo, ele sabia, mas era melhor que levar um humano
 morte, ele sentia a dor excruciante dos cacos de vidro abrindo
feridas grandes e vivas em sua pele branca, mas ainda teve fora para
virar-se e gritar, apontando as mos na direo onde estavam o
Camaleo e os refns - Caminos Aeros, retorne para de onde vieram! -
ele sentiu o calor deles desaparecerem e caiu de joelhos no cho...
pelo frio s suas costas, sabia que o sombrio acabava de sair de seu
cativeiro.

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	Harry e os outros entraram no castelo para constatar que era muito
grande e cheio de escadas... devia haver uma armadilha em cada canto...
eles no sabiam o que procurar, ento decidiram se dividir. Eram
muitas sadas e entradas, e eles foram cada um para um lado. Sirius e
Stoneheart tomaram a direo dos sales, Troy, desceu s
masmorras, Mr. Sandman e Harry subiram, separando-se quando chegaram no
primeiro patamar. Harry ia com os olhos fixos  frente, imaginando o
que o esperava ali, talvez a morte, talvez a descoberta de quem era o
Camaleo na verdade.

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	-  Terminou, Sheeba... seis mil e quinhentos luons.
- timo, vamos para a runa dos corvos agora..
- Sheeba, o que afinal estamos fazendo?
- Salvando um guerreiro da luz. Tem a pedra de alarme?
- Tenho.
- timo, tenho certeza que vamos precisar dela.
	Sheeba arrastou Willy, segurando seu brao sem que ela percebesse
para saber o que acontecia com Harry. Engoliu em seco ao ver o que
esperava o afilhado no ltimo salo do castelo.
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	Sem saber como, Neville se viu transportado novamente para a frente do
Castelo do Camaleo, Gina ainda estava abraada a ele, e mais
adiante, eles viram o Camaleo que gritava indgnado:
	- Maldito! Traidor! Canalha... ele me enganou! - Neville ainda estava
acorrentado, mas protegia o corpo de Gina com o seu contra a
aproximao eventual do Camaleo, este, ainda trasnfigurado em
Harry, percebeu subitamente que seu castelo fora desmascarado e
invadido. Olhou para Gina e Neville e disse: - Ento, seu amigo se
soltou... vocs vm comigo agora, para dentro do castelo - ele disse
e transportou os dois e aparatou no ltimo salo, no alto do
pavimento mais alto  esquerda da torre leste de seu castelo.

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	A primeira coisa que Luc sentiu quando voltou  conscincia foi
frio... depois, a dor das mais de mil feridas que tinha por todo corpo,
ele era uma massa disforme de sangue cada no cho, atrs dele ele
sentia o Sombrio, sua respirao gelada e alta, era como encarar um
dementador dez vezes mais forte, mas que em vez dos pensamentos, roubava
a fora fsica de quem o encarava.... sem seu amuleto, que dera ao
bruxo que chegar primeiro  runa, ele teria que se superar para
enfrentar o inimigo...
	O sombrio o ergueu no ar e Luc pde sentir seu Hlito frio... o
sombrio era incapaz de falar, mas ele sabia que o que a criatura queria
dizer era que esperara mais de dois mil anos para vingar-se dele... seu
hlito de gelo enfraquecia mais ainda Luc... antes de mais nada, era
preciso voltar a ser ele mesmo... era preciso voltar a luz... ele sabia
que no canto da runa, Fdias estava tentando soprar sua chama azul
para o sombrio sem sucesso... com o corao das trevas na mo, o
sombrio era imune ao poder do drago da luz, que estava provavelmente
paralisado pelo feitio das trevas do ser escuro... a nica
soluo era ele soltar-se das garras do Sombrio... tinha que ter
foras, tinha que ter.
	Luc apertou os olhos, procurando tirar de dentro de si mesmo mgica
suficiente para regenerar o prprio corpo,  mas a nica coisa que
conseguiu foi se soltar e ser arremessado com fora na direo
onde estava Fdias... o drago era sua ltima esperana.
	- Fdias... me queime, Fdias.
	O drago soltou um rugido desesperado, mas cumpriu a ordem, Luc
sentiu cada fibra de seu corpo queimar e arder, mas isso emitia tanta
luz que manteve o Sombrio distante... Luc achou que ele queria que o
guerreiro se regenerasse... queria lutar contra Luc em sua fora
total. No momento que a dor das queimaduras se tornou realmente
insuportvel, o corpo de Luc explodiu em luz e chamas altas e
azuladas, ele sentindo a dor transformar-se finalmente no calor e na luz
que ele emitia, e ele gritou ao sentir que a vida voltava ao seu corpo
da forma que ele conhecia. Fumegando, ele localizou o frio do sombrio
dizendo:
- Agora estamos prontos... - O sombrio emitiu o nico som que
costumava emitir... uma risada baixa e gorgolejante... ergueu no ar o
corao das trevas, enquanto Luc erguia sua espada de luz.

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	No interior do Castelo, Troy descia s masmorras quando ouviu um som
que lhe chamou a ateno... era uma tosse rouca e baixa, vinha de
uma cela bem ao fundo da masmorra... ele dirigiu-se a ela, vendo a porta
fechada por um pesado cadeado mgico. Comeou a tentar feitios de
desarme, at que uma voz familiar veio de dentro da masmorra:
- Tente dizer: escudetto, alona, alorromorra.  isso que ele diz para
abrir - a voz foi interrompida por um novo acesso de tosse. Troy pensou
por um segundo e disse:
- Escudetto, alona, alorromorra! - a porta se abriu com um rangido e ele
entrou, acendendo a varinha para ver quem estava l, no fundo da cela.
	Seus olhos arregalaram-se ao ver a figura quase cadavrica de Draco
Malfoy.
- Me ajude a encontrar a pedra...  minha nica chance. - ele disse,
tentando se erguer e caindo com o rosto no piso de pedra da masmorra.

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	No quarto piso do Castelo, Sirius e Mr. Sandman se encontraram,
descobrindo que estiveram andando em crculos.
- Vamos seguir juntos? - props Mr. Sandman
- J que no h outro jeito... isto aqui  realmente um
labirinto.
	Eles foram andando juntos, mudos, sem muita vontade de conversar.
Sirius continuava no acreditando no que vira... ele nunca pudera
imaginar quem era aquele sujeito, e todas as conjecturas que fizera
afinal estavam completamente erradas. Isso martelava sua cabea quando
o outro disse:
- Escute... eu sei o que voc viu...  a mais pura verdade. Voc
no deveria ter visto, mas agora que viu, eu no tenho outra
alternativa...
- Vai me lanar um feitio de memria, Snape?
- No... vou sugerir seu nome como agente n 2... mas para isso
voc vai ter que superar sua mediocridade e aprender
transfigurao total... - Sirius ia abrir a boca para dizer alguma
coisa quando ouviram o rugido alto de alguma fera e o grito de
Stoneheart dizendo :
- Nenhum monstro idiota vai me matar!
	Correram para de onde vinha o som e encontraram Stoneheart sentado
sobre uma imensa fera escamada e cheia de garras... nenhum dos dois
sabia do que se tratava, o ser tinha uma boca enorme cheia de dentes
agudos e afiados, e estava estuporado. Stoneheart olhou para os dois
extremamente mau-humorado e disse:
- Essa coisa esquisita  a nica digna de nota nesta parte do
castelo, tentei subir ao ltimo andar, mas depois que Potter passou, a
passagem se fechou. Se vocs querem saber, acho que algo aqui est
errado... precisamos voltar e achar Adams... talvez ele tenha tido mais
sucesso.

	No ltimo andar, Harry entrou num salo circular e viu um homem
preso  parede, inconsciente, seus cabelos grisalhos lhe cobriam a
fronte, mas ele podia reconhec-lo, mesmo maltrapilho, machucado e
inconsciente: Tom Riddle, que um dia fora Lord Voldemort. Sentindo a
presena de Harry, ele ergueu a cabea e o encarou. Seus olhos
estavam duros e vermelhos, e brilharam de dio ao reconhecer Harry:
- Nos encontramos de novo, Potter.


CAPTULO 15 - DAS TREVAS E DA LUZ

	Troy Adams lutava para manter de p o corpo de Draco, que estava
magro como um esqueleto, ele temia que a qualquer momento ele no
agentasse e morresse, mas o rapaz seguia dando as instrues:
- A prxima escada,  direita, eu posso sentir, est perto...
no pare.
	Ele sabia que a nica alternativa para o rapaz era destruir a pedra
de Limoges, e rezava para que a encontrassem antes que ela o
destrusse... enquanto o Camaleo no a usasse novamente, eles
ainda tinham alguma chance.

	Sheeba e Willy chegaram  ruina dos corvos, cercadas de tantos luons
na escurido que pareciam envoltas em fogo branco. A runa estava
isolada, mas elas ouviam a luta l dentro, rudos ferozes de luta
sangrenta, o bater de espadas uma na outra, e pelo pouco que podiam ver
do que escapava pelas fendas da runa isolada, havia um embate
sinistro entre a luz e as trevas, o bem e o mal, onde no podia se
saber quem seria o vencedor...
	- Willy - disse Sheeba - segure com firmeza a jia de alarme e pense
em Alvo Dumbledore.

-----
	Harry encarava aquele que fora Lord Voldemort quando ouviu uma porta
abrir atrs de si... por ela entrou um homem com sua exata
aparncia, o Camaleo, seguido de Neville e Gina, que ele trazia
presos a ele. O homem o encarou srio e ento deu um rio maligno,
ele portava ainda a trade do poder, a coroa reluzia, o diamante
nico brilhante reluzindo sobre sua testa.
- Ento, voc o achou...  eis Lord Voldemort, subjugado e reduzido a
nada, absolutamente ningum, s um trapo velho cheio de dio... eu
imaginava poder us-lo para despertar o sombrio... ele me disse os
feitios depois de experimentar um pouco da dor que todos os seus
amados seguidores enfrentaram... eu mesmo fui um dos que experimentou a
dor pelas suas mos, mestre... - ele olhou Voldemort com desprezo - e
voc abandonou seus seguidores, abandonou por deixar-se derrotar pela
segunda vez... Hoje eu imaginava poder libertar e subjugar o Sombrio...
fui ludibriado pelo Guerreiro da luz... mas no vou perder a
oportunidade de me vingar duas vezes... de voc e dele. Aceita um
duelo, jovem? Esgrima de bruxo, que tal? Modalidade medieval, aquela que
no se pratica mais... que pode terminar com a morte de um dos
participantes...
- Quem  voc?
- No  importante... importante  saber que o preo deste duelo
 a vida de dois amigos... aceite, eles ficam a salvo... recuse, eles
morrem. Basta eu fazer um gesto.
- E quanto a ele? - Harry apontou Riddle, preso que olhava ambos com
raiva.
- Ele j me pertence... no interessa saber o que pretendo com ele.
- Liberte Neville e Gina e poupe Voldemort que eu luto.
- Ouviu isso, "mestre", seu inimigo pede pela sua vida... voc 
pattico. Eu no o matarei enuqanto lutarmos... mas no o
libertarei sem que lutemos.
- Feito.
	O Camaleo riu e tirou da cabea a coroa e levou at um nicho na
parede, ode a depositou, junto com o Cetro e a Cruz. Era uma espcie
de aparelho, Harry sabia que dali, juntos, os trs dariam fora ao
Bruxo... era uma luta quase desigual. Mas ele no podia ser covarde,
no agora, no naquela situao, com as vidas de Neville e Gina
em jogo. O Camaleo conjurou um par de espadas medievais, cintilantes
e pesadas e jogou uma a Harry, podo-se em posio de luta. Apontou
sua varinha para Neville e Gina e disse:
- Caminos Aeros... fora desta sala - os dois desapareceram e ele voltou
a encarar Harry, sorrindo perversamente: - Depois de um tempo, o poder
deixa de importar... o melhor  o jogo em si. An Garde, Potter
- An Garde
	Eles se encararam brevemente antes de comear a luta.

-----
	O Guerreiro da luz sentia ainda a respirao pesada do Sombrio a
gelar o ar  sua volta, seus golpes passavam no vazio, a criatura
respondia  com golpes de halo negro to fortes que se ele fosse um
mortal, j teria tombado h muito tempo e se transformado num
errante. Era uma luta cada vez mais desigual, Fidias estava agora
cado num canto, quase apagado... a luta havia esgotado toda a energia
do Drago, que agonizava quase moro, esfriando a cada minuto, Luc
sabia que no tinha muita chance contra o Sombrio sem ele e sem seu
amuleto, sentia qe suas armas, que normalmente emitiam luz e calor
estavam esfriando-se cada vez mais rapidamente, quando a energia delas
acabasse, s restaria a sua, e seria muito pouco diante das trevas que
o ser maligno carregava naquele artefato... mas ele tinha que lutar com
todas as foras, tinha que evitar que o sombrio sasse dali... ele
no podia adiar nem mais um minuto aquela luta, era o destino que ele
esperara por mais de trs mil anos... ele tinha que prosseguir, mesmo
que desaparecesse como seu irmo Abel.
	Do lado de fora, trs bruxos lutavam febrilmente para romper o escudo
que ele to bem conjurara... ele no imaginava que eles viriam ao
seu socorro, ele perdera sua concentrao total no instante em que
se vira diante do tmulo do sombrio... algo terrvel podia acontecer
com ele se eles no conseguissem quebrar a mgica indecifrvel do
Guerreiro.

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	Os golpes de esgrima do Camaleo eram surpreendentemente bons, mesmo
que s vezes ele comeasse a tossir no meio do duelo verbal que
tentava travar com Harry. Agora ele usava os poderes da pedra de
Limoges, que estava guardada em algum lugar naquele imenso castelo para
ir mudando de rosto conforme lutavam... ele j tivera o rosto de Alvo
Dumbledore, de Severo Snape, de Sirius, agora, na pele de Troy Adams
provocava Harry:
	- Ento, no quer lutar, Potter? Imagine que sua mulher foi minha -
Harry tentava no se levar pelo lado emocional, apenas se concentrava
em golpear a espada do outro, os feitios que saam das espadas
ainda tinham que ser repelidos... as espadas mgicas medievais eram
muito poderosas, e usadas por bruxos emitiam feitios mortais no ar,
eles lutavam com as varinhas no mo oposta, repelindo os feitios
que em caso de distrao poderiam cort-los ao meio. - Voc 
bom, Potter, bons reflexos, esperto... vamos ver se  bom assim quando
eu conseguir te atingir...
	Harry seguia calado, no queria perder sua concentrao,
precisava dela para derrotar aquele sujeito.

	Cada vez que o Camaleo se transformava, Draco Malfoy dava um urro de
dor andares abaixo... mas tinha mais uma pista de onde estaria a
pedra... Troy procurava sustentar o corpo dele, que finalmente no
conseguiu dar nem mais um passo e caiu exausto, apontando:
	- Ali, atrs daquela porta... est ali... cuidado, tem um feitio
guardando-a - ele perdeu a conscincia e Troy caminhou t o final do
corredor, onde havia a porta, ele viu o grupo dos outros homens subindo
uma escada oposta e os chamou, dizendo que eles socorressem, Draco antes
que fosse tarde, ento entrou no aposento.
	Havia uma pedra do tamanho da mo de um homem adulto flutuando no
centro do aposento, ela emitia uma luz violeta estranha e fascinante,
estava presa a um grosso cordo de ouro macio, era uma pedra de
Limoges, extrada nos tempos imemoriais de uma jazida morta e h
tanto tempo na famlia Malfoy que estava impregnada da energia maligna
dos bruxos e bruxos que haviam sido vampirizados por ela enquanto usavam
seu poder ilimitado de transfigurao. Troy deu um passo para dentro
do aposento e foi seguro por algum. Ele despertou do que parecia um
sonho e viu a face dura de Angus Stoneheart atrs de si:
- No seja inexperiente... veja isso - ele lanou um feitio
dentro do aposento e Troy viu que  lminas pendiam do teto,
despencando por onde o feitio passava - voc ia ser fatiado se
entrasse a, Adams - disse o outro, srio - D um passo para o
lado, por favor - Troy saiu da frente da porta desconfiado e o outro
bruxo disse, friamente: - Accio - a pedra veio arremessada, seguida de
uma dezena de lminas que o bruxo evitou atirando-se para o lado
oposto de onde estava Troy, ento, olhando as lminas cravadas na
parede disse: - Por muito pouco... aprenda essa, antes de ser
enfeitiado por objetos mgicos - ele abriu a mo enorme onde
estava a pedra: - vamos levar isso para seu amigo... ele tem que
destru-la.
	Chegaram junto de Draco em um minuto, e Troy fez com que ele abrisse os
olhos, meio tonto, ele olhou Troy e disse:
- Se eu morrer...
- No, cara, voc no vai morrer.. como destrumos isso? - ele
mostrou a pedra
- Use um feitio de quebra... depois reduza-a a p...ento, lance
o p no fogo.

	Harry ainda lutava contra o Camaleo, que agora tinha a face de Draco
Malfoy, mas o Draco de antes, de quando havia entre eles o dio, os
feitios reboavam pela sala, um deles o atingira no ombroque sangrava
agora, outro abrira um corte fundo numa das pernas do camaleo, mas
eles seguiam lutando, e a luta verbal agora era intensa, Com Harry
sentindo nascer dentro de si um dio surdo e insuspeito....

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	Finalmente, Alvo Dumbledore comeou a romper uma das janelas da
runa dos corvos onde apareceu uma pequena fenda, ele pde ver que
do lado de dentro o guerreiro da luz ainda resistia.. ele olhou Sheeba e
Willy e disse:
	- Agora  com vocs, se eles obedecem a vocs, faam com que
entrem, rpido, Luc tem pouco tempo.
	As duas se concentraram e os pequenos pedaos de luz domesticada
comearam a entrar pela fenda... primeiro lentamente, depois mais
rpido, at que havia um facho de luz entrando velozmente pelo
buraco.
	O guerreiro estava cado de joelhos diante do Sombrio quando os luons
comearam a ataca-lo, os primeiros foram repelidos e caram no
cho apagados, at que eram tantos e voando to velozmente como
moscas ao redor do sombrio que ele j se debatia... ele no podia
manipular o corao das trevas contra algo que no era um ser
vivo... contra tanta luz, ele no podia fazer nada... repentinamente,
os luons comearam a entrar pelas fendas dos olhos da mscara do
sombrio, que tentava gritar, mas no conseguia, Luc sentia uma energia
nova perto dele... uma energia que ele no conhecia ainda, sentindo-se
exausto rastejou at onde estava seu drago e caiu inconsciente
sobre Fdias, abraado ao pescoo do seu amigo de tanto tempo. Ele
no sentiu mais nada.
	O sombrio se debatia enquanto os luons o invadiam, repentinamente,
todas as portas e janelas do pavilho se escancararam,  e surgiu uma
rachadura na mscara do ser das trevas. Com um grito, o Sombrio caiu
ao cho enquanto a mscara era arremessada destruda para longe.
Quando caiu, o Sombrio se transformou lentamente em um rapaz alto e
louro, e suas vestes se tornaram brancas. Sheeba, Willy e Dumbeldore
entraram neste momento na runa e viram que apesar de feridos, os dois
Guerreiros e o Drago ainda estavam vivos... Willy teve sbita
conscincia de que o dia no voltara e disse isso para Dumbledore,
que respondeu:
- Quem conjurou o escudo escurecedor ainda no foi derrotado.

	No castelo, Harry recebia o segundo golpe... uma dor profunda se
apoderou de seu brao esquerdo. Ele encarou o Camaleo que sorria
para ele perversamente... estava usando diversas fontes de poder, Harry
ento percebeu uma  coisa nova. O rosto do Camaleo, ainda
transfigurado em Draco Malfoy, estava comeando a mudar...mas era uma
mudana agora diferente. Harry viu que algo como uma imensa cicatriz
de queimadura apoderou-se do lado esquerdo do rosto do homem, que
repuxou o rosto num esgar estranho e parou por um momento para levar a
mo  face. Harry comeou a reconhecer o rosto que ia surgindo sob
o de Draco...

	No Trs Vassouras h muito a confuso fora debelada, Hermione
estava de frente para a falsa Gina que amarrada se recusava a falar
qualquer coisa... Simon Bravestar olhava a moa irritadssimo, agora
que sabia que aquela no era a verdadeira Gina Weasley, que recusara
suas investidas durante um ano... e que afinal ela queria o que tanta
gente queria dele. Sentia-se pssimo e evitava olhar para Rony. Olhou
com surpresa o rosto da moa que comeou a transformar-se, seu
queixo caiu ao ver que na verdade ela era apenas uma boneca... uma
boneca de madeira transfigurada em gente graas ao poder de um
artefato.
	No Castelo, Troy Adams acabara de atirar no fogo os ltimos
vestgios da pedra de Limoges.

CAPTULO 16-  O PGASO E O DRAGO

	Luc recobrou os sentidos com Alvo Dumbledore debruado sobre ele.
Sorriu e disse:
- Ol, Livro Guardado... nos encontramos novamente... o que voc
usou para derrotar o Sombrio?
- Uma coisa inocente que uma moa muito esperta inventou... mas voc
deveria agradecer a Sheeba... ela que descobriu que poderia us-los.
- Fidias... ele est?
- Vivo. Machucado, mas vivo. Mais ou menos como voc.
- E o Sombrio?
- Ele acabou... mas voc deve saber que havia algo por trs
dele...ou melhor, havia algum. Uma alma escravizada.
	O Guerreiro subitamente ergueu o corpo ao sentir no lugar uma energia
perfeitamente igual a dele, uma energia como ele no sentia h
quatro mil anos...
- Abel? - ele chamou o nome daquele que estava escravizado pela
mscara do sombrio. Seu irmo.

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	-Voc? - Harry olhava o recm destransfigurado Camaleo com
surpresa. Era um homem louro e alto, com metade do rosto destrudo por
uma queimadura que tinha a forma de uma mo, tinha um queixo longo e
assimtico e um olhar de profundo desprezo - Voc... estava morto -
ele disse encarando os cinzentos e frios olhos de Lcio Malfoy, que
deu uma gargalhada alta.
- Morto? Voc viu meu corpo? Ento como pode dizer que morri? 
verdade que foi por muito pouco - Lcio e Harry conservavam as espadas
em posio de luta, mas estavam parados um de frente para o outro. E
entre os dois, acorrentado a uma parede, Voldemort observava tudo
calado, ms sem surpresa. - Foi por muito pouco que sobrevivi ao ser
abandonado  propria sorte por aquele que eu sempre considerei meu
mestre - deu um olhar de desprezo a  Voldemort - trancado numa cripta
com mortos vivos saindo do cho... e meu filho me trancou l, meu
proprio filho... da eu ter tido to pouca considerao por
eles... meu mestre e meu filho.
- O imbecil do Zimmermann e o idiota do Fudge entraram em pnico
quando os monstros comearam a sair do tmulo, eu sabia que eles
no podiam me tocar, e evitando-os corri para a porta sul da cripta
que s abriria se a Norte estava fechada... escapar por Hogsmeade era
a minha nica sada, consegui abrir a porta, mas quando ia saindoum
deles enfiou a mo pelo vo e roou-a levemente no meu rosto...
no chegou a me tocar... voc pode imaginar a dor que eu senti? Me
queimou at os ossos... eu sa dali e ao chegar no cemitrio,
eles, os meus supostos companheiros, estavam l...esperando o mestre
voltar. E quem os liderava?  O imbecil do Pettigrew, o Rabicho, aquele
que nem inteligncia tinha para fazer um feitio decente... eu quis
vingana, e me escondi no cemitrio at que a manh chegasse...
ento, sa dali e aparatei em minha manso, levando algumas coisas
que precisei... me refugiei em Paris, mas tinha que me fazer de morto se
no quisesse acabar em Azkaban, no podia contar com meu prprio
dinheiro e ainda tinha essa aparncia... mas logo achei a soluo,
comecei a fazer meus contatos para fazer algo fcil e interessante...
matar trouxas por dinheiro. Era fcil, limpo, inteligente... ningum
desconfiava de assassinato, em pouco tempo eu comecei a cobrar mais, meu
intermedirio era um rouxa, depois me livrei dele quando ele comeou
a saber demais... mas minha aparncia era difcil de ser
esquecida... eu precisava dar um jeito.
- Foi mais fcil pegar a pedra na minha casa do que us-la... ela
estava no meu nome, em um ano eu estava to doente que tive medo de
morrer... a soluo foi fcil, me trasnfigurei como meu filho e
fui at o guradador do brevirio de famlia... depois vi com
satisfao que a pedra fazia mal a ele muito mais rapidamente que
havia feito a mim...ele merecia. Desisti de ter seguidores quando os que
eu arrumei fizeram burrice atrs de burrice... ter cativos  mais
divertido. Pena que a diverso acabou... eu conjurei tudo que est
neste castelo com o poder da pedra...em breve tudo aqui vai ruir,
levando quem estiver junto - ele num gesto arremessou a espada na
direo de Voldemort e correu para uma janela alta, que abriu-se nem
bem ele tocou o parapeito.
	Mas ele no conseguiu se jogar, livrando-se da espada, Harry pegou a
varinha no bolso e conjurou uma corda que se enrolou contra o corpo de
Lcio, que acabava de lanar-se no vazio. Nesse momento o castelo
sofreu um grande abalo e Harry viu que o escudo de sombra que Lcio
conjurara mais cedo comeava a se desvanecer aos poucos. Olhou para
Voldemort ferido mortalmente, indefeso. Por mais que quisesse, no
podia deix-lo preso num castelo que em alguns minutos iria
desfazer-se em runas. Segurando Lcio firmemente, ele apontou a
varinha para Voldemort e soltou-o, ento, enviou-o para o lado de fora
do castelo e desapatarou da mesma forma. Viu que Sirius e os outros
estavam saindo de dentro do castelo apressadamente, com Troy carregando
Draco desfalecido nas costas. Todos olharam espantados para Lcio
Malfoy desfigurado e preso.
	Harry olhou para o cu e viu o escudo de sombra partir-se e o sol
voltar a brilhar, cegando todos por um momento. As duas esculturas em
forma de Drago iam se desfazendo em areia, enquanto o castelo rua
rapidamente, sepultando com ele a trade do poder. Talvez mais tarde
algum fosse ali procurar os trs artefatos... ele sentiu um impulso
muito forte de transformar runa em pedra pura, e foi isso que fez,
sendo acompanhado por Mr. Sandman, que aparentemente entendera sua
inteno.
- Agora - disse Harry olhando o bruxo transfigurado em velho - quem
quiser usar o poder da trade vai ter que escavar pedra por pedra. -
olhou para Draco  - E ele? - perguntou a Troy.
- Mal. No sei se ele escapa./
	Nesse instante, Voldemort ergueu-se e fez meno de precipitar-se
contra algum, mas tornou a cair sem foras, a vida fugindo
rapidamente do corpo atravessado pela espada. Harry ouviu algum
correndo pela floresta e viu Willy sair dos arvoredos na sua
direo, ela vinha chorando porque sentira que seu av estava
morrendo. Voldemort ergueu os olhos na direo dela, que  chegou
perto dele, as lgrimas caindo pelo rosto. Harry aproximou-se dele com
ela... continuava no confiando em Voldemort, mesmo com este
mortalmente ferido e cado no cho.
	- Vov... - Willy murmurou, ajoelhando-se ao lado do bruxo, que abriu
os olhos, onde no havia mais brilho algum. - o senhor sabia de mim? -
Voldemort nada disse. Agora, no tinha mais importncia... ele
estava finalmente derrotado de vez... a morte ia chegando. Ele no
seria mais eterno, no teria mais poder algum... fechou os olhos de
novo, e mudo como estava, morreu, nos braos de sua neta, a ltima
Sliteryn. Willy abraou Harry, que a consolou. Ela nunca estivera
junto de nenhum parente  morte : era um beb quando a me fora
assassinada, estava desmemoriada e longe quando o pai sacrificara a
prpria vida por Hogwarts e bem longe quando o Camaleo matara sua
av... quis o destino que ela estivesse ao lado do av em seus
ltimos momentos... ele que direta ou indiretamente provocara a morte
de todos os outros.
	Erguendo-a Harry disse aos outros:
	- Por favor... relatem tudo ao ministrio... eu preciso lev-la
para casa. - eles foram andando e desaparatarma para casa mais adiante.
Olhando-os sumir, Troy Adms sentiu que a mgoa finalmente se
dispersava, e pedindo para Mr. Sandman que o representasse, desaparatou
com Draco para o Hospital St Mungos... precisava salvar o amigo

	Enquanto isso, na runa dos Corvos, Luc tentava compreender o que
afinal de contas acontecera... seu irmo estava ento vivo! Como
isso era possvel? O outro guerreiro estivera muito fraco, mas levado
por Dumbledore e Sheeba para a luz do sol, em pouco tempo ele estava
melhor... Luc, cuidava intrigado de Fdias, que tambm dava sinal de
melhoras... um drago da luz no morre  toa. Ento, sentindo-se
mais forte e preparado para o que ia ouvir, Luc foi cobrar do irmo
uma explicao.
- Abel... como isso aconteceu? Como voc se tornou...aquilo?
	Dumbledore e Sheeba olhavam de um para o outro. Eles j sabiam que os
dois eram irmos, ma no podia se conceber dois irmos to
diferentes. Embora os dois fossem brancos como a neve, Luc tinha cabelos
e olhos muito negros, enquanto Abel tinha os olhos azuis e os cabelos
mais lisos e louros, de um louro quase platinado, alm disso era ainda
mais alto e bem mais esguio do que Luc e tinha um rosto fino e
tristonho, ao contrrio da expresso maliciosa do Guerreiro mais
novo. De armadura, Luc parecia ainda mais baixo e mais corpulento que
Abel, agora em vestes brancas. Como Luc, Abel era cego neste mundo, e
ambos estavam um de frente para o outro, mas sentiam-se como
desconhecidos, quando Abel sara do reino da luz, Luc ainda era um
menino.
- Luc... quanto tempo se passou?
- Cinco mil e quinhentos anos desde que voc se foi... disseram coisas
horrveis... que voc tinha sido escravizado pelos homens... que
tinha sido preso... no houve notcia que parecesse verdadeira.. o
seu desaparecimento hostilizou para sempre nosso povo contra os
mortais... e voc voltou na pele do Sombrio...Abel, como voc
pde?
- Luc... escute o que eu tenho a dizer antes de me julgar. Eu no
sabia que aquilo ia acontecer... eu no tinha conscincia...
- Ento voc no sabia que quase tinha me matado? DUAS VEZES
ABEL.. VOC QUASE ME MATOU DUAS VEZES!
- Eu no tinha minha conscincia desde que pus aquela mscara no
rosto... ela me tomou... me possuiu...
- E porque voc ps a maldita mscara ento? Por qu?
- Eu queria enxergar neste mundo.
- O qu?
- Eu estava aqui h muito tempo... eu sabia da beleza, eu sentia os
perfumes... mas eu queria ver, Luc... queria ver como eram os homens do
reino dos mortais, como eram as belezas daqui...
- NO TE BASTAVA A LEMBRANA DE NOSSO MUNDO? QUE ESPCIE DE IDIOTA
 VOC, ABEL? NO LEMBRA DA PROFECIA DA NOSSA ME? QUERER VER O
MUNDO DOS HOMENS  A DESGRAA DOS GUERREIROS DA LUZ!
- Luc... eu quis muito... no me pergunte porque, mas eu quis.
Ento, aconteceu, uma mulher descendente do povo sombra, que vivia
abaixo da terra dos homens me ofereceu a mscara... ela me impediria
de falar, mas me possibilitaria ver.. uma troca, eu no queria
us-la muito tempo...
- Por Nmis... como voc pde ser to ingnuo? Um objeto
mgico oferecido por um descendente do povo sombra? E eu achava que eu
era ingnuo.
- Luc,  muito fcil para voc me recriminar... mas.. havia
algum.
- Uma mulher, eu imaginei...
- Sim, uma mulher, uma mortal... eu sabia que no teramos muito
tempo, em breve ela envelheceria e morreria.
- E voc quis v-la antes que fosse tarde... Ah. Ser que voce
no me entende tambm? Eu... eu te admirava, eu queria ser como
voc!
- Mas no  - a voz de Alvo Dumbledore interrompeu o dilogo, um
mortal (bem experiente,  verdade) se metendo na  conversa de dois
seres  milenares... era engraado de se ver. - Voc no lida com o
Amor da mesma forma que seu irmo, no  mesmo, Luc?
	Luc ficou calado. Era verdade, ele no agira da mesma forma que o
irmo... ele fizera a mulher que amava tornar-se como ele, sem
perguntar se ela queria, sem seu consentimento. Tambm fra uma
forma de segurar o amor. Ele sorriu e disse:
- Livro Guardado... como voc consegue ser to sbio sendo to
jovem?
- Perdoe seu irmo... escute o que ele tem a dizer. - Abel continuou a
falar.
- A mscara era um ser vivo, esperando o poder de um ser imortal para
possuir... eu deixei de ter vontades, era verdade que eu enxergava, mas
no tinha mais vontade prpria... imagine te reconhecer ainda quase
um menino e  ter que lutar contra voc? Imagine passar quatro mil anos
como escravo... espalhar o terror na sua terra natal Apenas imagine,
Luc. Imagine o quanto eu sofri... imagine que beno  para mim
voltar agora a escurido... e foi to simples.
- O sombrio tinha um ponto fraco - disse Dumbledore - os olhos... eles
no podiam ter diante de si luz pura. Os luons que Willy criou, luz
domesticvel, capaz de andar sozinha e seguir qualquer caminho, foram
eles que possibilitaram sua libertao, Abel... e quem descobriu
tudo foi esta bruxa - ele trouxe Sheeba apara perto dos Guerreiros e Luc
riu:
- Ol, Mel e Pras frescas... onde anda o co ao relento?
- Lutando... os homens esto sempre lutando. - Abel e Luc sorriram
-  uma boa definio - disse Abel - gostei dela, Abel.
- Esquea, ela  comprometida... alis, todas as mulheres
interessantes nesta plancie andam comprometidas.

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	Gina e Neville estavam abraados numa clareira, distante algumas
centenas de metro do castelo do Camaleo. Gina chorava nos braos
dele o medo de ter estado presa entre os cativos do Camaleo quase
seis meses. Neville acariciava seus cabelos vermelhos, que estavam
embaraados e sujos, ele a queria agora mais que nunca a quisera...
agora que ele via que ela era boa e gentil como ele imaginava, no a
criatura estranha e distante que ela se tornara nos ltimos tempos.
Ele pegou o rosto dela entre as mos e perguntou:
- Gina, voc me perdoa? Perdoa minha idiotice de te querer s para
mim, de te privar de fazer o que voc gosta... me perdoa ? - Gina
apenas balanou a cabea - eu te prometo que se voc me deixar
cuidar de voc, eu vou esquecer todas as burrices que fiz... voc
sabe. Eu sofri demais... mas agora, tudo vale a pena... eu descobri,
Gina, eu descobri a poo que pode curar meus pais... voc lembra
como estudamos isso, como voc me ajudou?
- Seus pais, eles?
- Esto se recuperando, Gina, aos poucos, mas esto... eles
podero vir ao nosso casamento. Voc quer casar comigo?
	Gina sorriu. As lgrimas de riso espantando enfim o choro de medo.

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	Abel Lux levou o irmo e Dumbledore at um penhasco um pouco longe
de Hogwarts, foram todos em Fdias, que agora estava quase recuperado.
Havia um grande bloco do que parecia mrmore slido, branco, puro. O
Guerreiro mais velho bateu fortemente com as mos no bloco, que se
desfez em p... de dentro do bloco, saiu um animal branco e puro, que
sacudiu o corpo branco e abriu longas asas... um pgaso verdadeiro, um
dos cavalos alados extintos h quase mil anos. Mesmo Dumbledore ficou
maravilhado.
- Minha montaria - disse Abel Lux - seu nome  Tarek. Eu o escondi
neste bloco antes de negociar com a  mulher sombra. Eu no queria que
ela o quisesse na transao. Eu o ganhei de um homem do oriente no
ano que cheguei a este mundo... - o pgaso curvou-se majestosamente
diante do seu dono, que o montou e ofereceu: - Livro guardado... quer
andar de pgaso? H muitos tipos de cavalos alados, mas como este,
nenhum.
- Eu sei disso - Disse Dumbledore - mas agora devo voltar para minha
vida normal... estou sempre por a, esperando que precisem de mim...
adeus - ele disse isso e desaparatou. Os dois guerreiros levantaram
vo em suas montarias, o pgaso e do Drago. Tinham muito que
conversar. Mil anos pode ser muito tempo, mas para eles, aquela noite
foi como se no tivesse passado nem um minuto.

CAPTULO 17 - SLITERYN-GRIFFNDOR

	Dias depois, finalmente Harry conseguiu contar tudo que acontecera para
Willy. Ele estava novamente de folga, como acontecia cada vez que
solucionavam algo muito difcil, e eles estavam no sto de sua
casa contemplando a lua cheia de Hogwarts, na sua rplica da sala de
transformao.
- Agora - ele dizia - Lcio Malfoy est preso... e temo que ele
no vai escapar de Adams... ele vai solicitar que ele v para a
priso americana. Ele fez muita coisa ruim por l.
- Incrvel como ele sobreviveu...
- Incrvel como no percebemos que Camyllo Ouif  um embaralhado
com as letras do nome Lcio Malfoy.
- E como ele conseguiu passar a pedra para o nome de Draco?
- Isso foi fcil... ele transfigurou-se como Draco, foi ao cemitrio
e o fantasma permitiu, afinal podia sentir que ele era um Malfoy
- E Draco?
- Quase morreu... mas est se recuperando, mas no sai antes de
trs meses do hospital... perdeu quase trinta quilos. No sei como
no morreu.
- Ele  mais forte que parece. Sabe o que eu no entendi? O que o
Camaleo queria com Bravestar?
- Coitado do Bravestar, ia cair numa tremenda armadilha... voc sabe
que ele  msico?
- Sei.
- Sabe porque ele abandonou a msica?
- No fao idia...
- Ele  capaz de tocar msica hipntica... ritmo escravizante,
essas coisas, e faz sem saber. O lder da banda dele usou-o para
vender discos durante um tempo, ele descobriu e largou a msica. A
falsa Gina estava fingindo estar apaixonada por ele para faz-lo
voltar a tocar... o Camaleo queria ele como cativo, mais alguns dias
e ele conseguiria... no seria to fcil, afina Bravestar 
esperto.
- Ele  um sonserino, Harry!
- Sem graa.
- Harry... voc acha que no fim, no fim sabe? Meu av se tornou
melhor?
- No sei... nunca saberemos se ele morreu como Voldemort ou Tom
Riddle... e como Dumbledore sumiu, no saberemos onde ele ps o
portador dos poderes dele...
-  melhor assim...embora s eu um descendente meu possamos usufruir
destes poderes, eu acho melhor nunca saber onde eles esto.
- Eu tambm.

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	Alguns meses depois, Gina e Neville casaram-se em Hogwarts. Os cabelos
vermelhos dela agora estavam muito mais curtos porque haviam ficado
muito estragados pela priso... os pais dele compareceram, estavam se
recuperando, eram um casal que parecia mais velho que os cinqenta e
poucos anos que tinham, e que ainda conservava o ar ingnuo de quem
passou muito tempo alienado do mundo. Willy agora estava visivelmente
grvida, e Harry no escapava dos comentrios jocosos dos velhos
amigos, principalmente Fred e Jorge:
- Ento, voc pretende perpetuar a espcie dos anes de
culos... o que ser que sai do cruzamento de um com um elfo
domstico, Fred?
- Provavelmente tem um resultado melhor do que o cruzamento entre dois
cabeas ocas com duas louras burras - Disse Willy, bem atrs de
Jorge. - Vocs deveriam ter tido mais cuidado, garotos.
- Do que voc est falando, Willy? - perguntou Fred, ligeiramente
alarmado.
- Das suas namoradinhas... acho melhor vocs irem preparando o enxoval
do casamento, vejam l, Sheeba est conversando com elas... a
ltima vez que passei por ela seu filho estava entrando na faculdade,
Fred - este disparou na direo da namorada e de Sheeba - e a sua
filha estava fazendo um timo casamento, Jorge... - Jorge seguiu o
irmo e Willy abriu um sorriso maroto colocando-se ao lado de Harry,
enquanto esperavam o celebrante do casamento, para variar, atrasado.
	Draco e Sue chegaram, esta com o filho de um ano e meio e em gravidez
adiantadssima. Draco parecia quase saudvel agora, junto com eles,
chegaram Troy Adams e Cho Chang. Eram um lindo par realmente. Novamente,
como em quase toda cerimnia de casamento, Rony alinhou-se a Harry,
ele agora estava esperando a estria do filme sobre a vida do amigo, e
a inevitvel indicao para o Merlin por sua tima atuao.
Eles estavam de longe, observando as mulheres que conversavam
animadamente, quando Rony disse;
- No  meio ridculo que o Snape seja o padrinho? Quer dizer,
depois de toda aquela perseguio com Neville...
- No  assim - disse Draco - o professor Snape usa a seguinte
filosofia, o que no te mata te faz mais forte - Onde Harry tinha
ouvido isso antes? - e me diga se voc~e nunca chegou a rir quando ele
dizia "Longbotton!" - Draco imitou Snape, sob o olhar de
desaprovao de Rony.
- S quem achava graa nisso era sua turma....por falar nisso, onde
andam Crabble e Goyle?
- Abriram uma firma de conserto de vassouras, mas faliram...estavam
entregando as vassouras errado, s dava para voar nelas com o pelo
para frente.
- Que ridculo! - Disse Harry - Imagine, voar com a vassoura de trs
para a frente!
- Nos velhos tempos, voc voava at de cabea para baixo - disse
Rony, cheio de admirao
- Ah, Weasley, corta essa, a escola acabou h muito tempo, para de
puxar o saco do Potter...- Draco disse aborrecido.
- No estou puxando o saco, voc nunca curou  a dor de cotovelo,
hein?
- Ah, cala a boca, Weasley.
	Dumbledore no foi o celebrante... ele apareceu vindo da cozinha,
onde roubara um bocado de sorvete de limo, todo animado em vestes
azuis... para a surpresa de todos, quem selou a unio foi o recm
promovido Percy, agora chefe de gabinete. Foi sem dvida o casamento
mais chato que todos j tinham ido na vida.
	No fim da cerimnia, Harry encontrou Angus Stoneheart.. Neville o
convidara por gratido, afinal ele era um dos que havia ajudado a
prender o Camaleo. Ele passou as novidades do ltimo conselho, Que
Harry no comparecera pois estava fazendo uma vistoria em Azkaban.
- Soube do novo agente?
- Novo agente?
- , outro do status de Sandman... s que esse ainda no vai
assumir em tempo integral, vai ser agente especial mas s vai atuar
trs meses por ano, como Sandman fazia h uns anos atrs.
- Que coisa estranha...
- , mas quem j o conheceu diz que ele faz Mr. Sandman parecer
racional e moderado... chamam ele de "O Louco."
- Espero sinceramente nunca trabalhar com ele...
- , mas ele compareceu ao conselho e manifestou desejo explicito de
trabalhar contigo.
- S me faltava essa... ele tambm faz transfigurao total?
- Perfeitamente... na reunio ele apareceu como um sujeito magro e
curvado, uma semana depois foi prestar depoimento na pele de um sujeito
de mais de cem quilos... bizarro.
- Estamos perdidos.

	Sirius arrastava Sheeba que protestava porque queria saber onde estavam
as crianas, afinal, ela no gostava de abusar da boa vontade de sua
me, uma senhora trouxa mas que parecia muito uma bruxa, que tinha um
ar bastante invocado:
- Eles vo ficar bem... eu preciso te contar uma coisa... quero te
mostrar algo - ele disse puxando-a para uma sala. - Venha.
- Voc no vai me trancar de novo no armrio... basta o que
aconteceu da ltima vez.
- No  nada disso. Sabe o emprego extra que eu arrumei? - ele
perguntou fazendo uma cara de garoto ansioso, olhando para os lados para
ver se sua sala estava mesmo livre de intrusos. Sheeba riu:
- Eu sei, voc se tornou um Auror disfarado, que nem severo, e
treinou feito um estudante transfigurao total por uns bons trs
meses at conseguir se transformar desde um ano at uma velha
gorda. E  isso que voc quer me mostrar.
- Sheeba, tem horas que esse seu dom torna tudo extremamente sem
graa... - ela deu uma risadinha marota - sabe o que isso significa?
- No, o que?
- Que agora eu vou me trancar num armrio com voc - ele disse,
puxando-a para dentro de um armrio estrategicamente aberto atrs
dele.
- Sirius!
	"Slam" - a porta do armrio fechou-se com um estrondo... e desta vez
no apareceu ningum para tir-los de l.

	Luccas e Abel Lux se despediram numa noite de lua cheia, o irmo mais
velho era o nico capaz de abrir um portal para o mundo deles, mas o
mais novo quis ficar, e o outro soubera o motivo logo.
- Tudo bem, meu irmo... no  todos os dias que encontramos uma
mulher com o perfume das flores negras. Adeus. Que Nmis o proteja
- V com ele tambm - ele disse, invocando o nome do Deus de seu
mundo - e d lembranas aos nossos pais.
	Abel Lux abriu um grande portal circular e o mundo da luz apareceu,
claro e lmpido com suas vastas plancies e campos que permaneciam
imutados por sculos. Ele impulsionou seu pgaso para dentro do seu
mundo, dizendo a Luc:
- Adeus!
- Espere, Abel! - Luc deu um passo dentro do portal e sua viso voltou
- ele encarou o irmo sorrindo, e este sorriu de volta, acenando
alegremente de cima do pgaso. Luc sorriu, deu adeus ao irmo e
voltou ao mundo dos homens, sentindo que seus olhos novamente
mergulhavam na escurido. Montou em Fdias e voltou para Azkaban,
onde sua Flores Negras, sua mulher, o esperava.

	Harry entrava disparado pelo corredor da maternidade St Morgunsen,
estava to nervoso que estacionara sua moto sobre um canteiro de
begnias na entrada da maternidade. Recebera a mensagem que Willy
entrara em trabalho de parto vinte minutos antes, e sentiu quando
algum o puxou pela veste, segurando-o
- Calma, garoto - a voz de Sirius o espantou - ainda no est na
hora... eu j passei por isso trs vezes... ficar calmo ajuda mais.
- Mas, mas...
- Mas daqui a pouquinho estar tudo resolvido. - disse Sheeba, que
apareceu atras de Sirius. Em pouco tempo comearam a aparatar amigos,
Rony e Hermione (que haviam deixado o pequeno Richard com a senhora
Weasley), alguns amigos e professores de Hogwarts. Aquilo, longe de
acalm- lo o deixou mais nervoso, at que uma enfermeira rolia
apareceu e disse:
- Quem  o Senho Potter?
- Sou eu! - Harry deu um salto
- Venha comigo.
	Ela levou-o at um quarto onde Willy segurava uma trouxa pequena e
meio amarfanhada, que logicamente continha um beb mido, um menino.
Harry no conseguia achar nenhuma palavra para dizer, s olhava
bestificado dela para o beb.
- Como vamos cham-lo, Harry? - ela perguntou sorrindo
- Eu... eu no sei... nove meses e no pensamos em um nome... no
 meio ridculo?
- No - Sorriu Willy - que tal o nome de seu pai?
- No... vamos por um nome que nos lembre algo de ns dois. Sabe que
eu acho o nome daquele guerreiro irmo de Luc muito bonito? Que tal
isso: Abel. Abel Fischer Potter.
- Abel  bonito, mas Fischer Potter  muito feio...
- Que tal s Potter?
- Sem graa... na verdade, devia ser Abel Slyterin- Griffndor
- Sim - ele sorriu. Ele  o primeiro Slyterin Griffndor.
	E foi assim que o ltimo descendente de Godric Griffindor e a
ltima descendente de Salazar Slyteryn geraram o primeiro Slyterin
Griffindor, mil anos depois do que fora profetizado.

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fim

Harry: Pera... mas  assim que acaba?
Rony: Caracas, que final mais sem graa. E reparou que essa no tem
perguntinha no final?
Harry: Pois , agora que estava ficando bom, ela diz que vai parar.
Aline: Digo no, vou parar mesmo, acabou, chega, vai dormir, Harry
Potter. Eu tenho mais o que fazer... j enchi muito seu saco
Harry: No vou implorar para voc continuar a histria... mas
voc podia ter acabado melhor
Aline: Que tal assim: E foi assim que Harry Potter, o menino que
sobreviveu, acabou tendo uma morte horrvel. Melhor assim?
Rony: Ei, esse final  legal.
Harry: Rony, voc  meu amigo ou amigo da ona?
Rony: No  isso...  que a frase ficou legal.
Aline: Escutem aqui, os dois... no dava para eu ficar escrevendo
sobre vocs at vocs ficarem velhos... e eu fui bem legal com
vocs... no matei nenhum dos dois, dei a vocs romances... vem
c, voc esperava isso, Rony casar com a Hermione?
Rony: Vamos mudar de assunto? O que voc vai fazer agora .
Aline: Agora? Deixar vocs um pouco de lado.... pelo menos at o
livro cinco, a muda tudo, eu escrevo outra srie aproveitando os
novos fatos. At l eu vou tocando minha vidinha de designer...
Harry: No minta! Voc est com cara de quem vai continuar
escrevendo...
Aline: Bom, j que voc quer tanto saber... eu vou escrever sim, mas
no sobre voc, que est muito metido... vou escrever a histria
da Sheeba. E mais voc l depois, e o senhor tambm, seu Rony...
Ah, como eu imaginava, at descobriram quem era o Mr Sandman... mas
ningum soube quem era o Camaleo...hehehe
Rony: Essa mulher  doida...
Harry: Completamente.

Bem, agora acabou... por enquanto:)

Srie Prometeu:
Toque de Prometeu: Abril de 2001
Fogo sagrado: Abril de 2001
Viajante do Tempo: Abril/Maio de 2001
Aliana sangrenta: Maio de 2001
Fadas arrepiadas: Maio/Junho de 2001
Sentinela dos Errantes: Junho de 2001
Minissrie O Sombrio
Signo Sinistro: Junho/Julho de 2001
Despertar do Sombrio: Julho de 2001

